Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.1/3770
Título: Implicit learning in dyslexic children
Autor: Inácio, Filomena
Orientador: Petersson, Karl Magnus
Palavras-chave: Neuropsicologia
Dislexia
Aprendizagem
Gramática
Aquisição da leitura
Desenvolvimento
Data de Defesa: 2011
Resumo: A dislexia é uma perturbação específica de aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizada por dificuldades no reconhecimento exacto e/ou fluente de palavras escritas e por dificuldades ortográficas e de descodificação. Estas dificuldades coexistem com capacidades cognitivas normais e surgem apesar de existir instrução e condições sócio-económicas adequadas. Ao longo das últimas décadas tem-se observado uma explosão de estudos dedicados a identificar quais os défices manifestados pelos disléxicos e qual a sua causa. Mais recentemente, alguma desta investigação tem-se centrado nas capacidades de aprendizagem implícita e eventuais défices nestas capacidades apresentados pelos disléxicos. A aprendizagem implícita é definida pela aprendizagem não intencional de informação complexa, desenvolvida de um modo automático apenas pela constante exposição às regularidades ambientais. Esta aprendizagem ocorre sem que a pessoa tenha intenção de o fazer e sem conhecimento explícito e verbalizável do conteúdo aprendido. Na aprendizagem da leitura e escrita as crianças estão expostas não só a processos explícitos, mas também a processos implícitos. Inicialmente, as crianças adquirem explicitamente as correspondências grafema-fonema e posteriormente estas correspondências passam a ser aplicadas, e até adquiridas, de um modo implícito (Gombert, 2003; Sperling, Lu, & Manis, 2004). Simultaneamente, as regularidades dos sistemas de escrita podem também ser extraídas implicitamente, sob a forma de padrões visuais (ortografia), palavras ditas oralmente e associadas a esses padrões (fonologia e léxico) ou pelo significado que estes padrões activam (morfologia e léxico) (Gombert, 2003). Processos implícitos estarão também presentes quando a aquisição de significado associado a este padrão ortográfico é efectuado através do contexto (Howard, Howard, Japikse, & Eden, 2006). Esta combinação de processos explícitos e implícitos na aquisição da leitura leva-nos a pressupor que um défice nas capacidades de aprendizagem implícita pode contribuir para as dificuldades apresentadas pelas crianças disléxicas. Contudo, os poucos estudos sobre a aprendizagem implícita em disléxicos têm revelado resultados díspares. Enquanto alguns autores referem que os disléxicos apresentam um défice na aprendizagem implícita (Pavlidou & Williams, 2010; Pavlidou, Williams, & Kelly, 2009; Sperling et al., 2004; Stoodley, Harrison, & Stein, 2006; Vicari, Marotta, Menghini, Molinari, & Petrosini, 2003), outros estudosapontam para que estas capacidades estejam intactas em crianças e adultos disléxicos (Kelly, Griffiths, & Frith, 2002; Roodenrys & Dunn, 2008; Russeler, Gerth, & Munte, 2006; Waber et al., 2003). Alguns autores referem que esta discrepância de resultados se deve à utilização de diferentes provas, que podem estar a avaliar diferentes processos de aprendizagem implícita e que os disléxicos podem ter défices apenas em alguns destes processos (Howard et al., 2006). Com o presente estudo pretendemos clarificar esta questão, investigando se crianças disléxicas apresentam capacidades de aprendizagem implícita. Para tal, foi utilizado um paradigma de aprendizagem implícita complexo, a aprendizagem de gramática artificial, mas adaptado a crianças disléxicas. Adicionalmente, examinámos a relação entre a aprendizagem implícita e as competências de leitura e outras capacidades relacionadas com a leitura. Participaram no estudo doze crianças com diagnóstico ou suspeita de dislexia, do 2º ao 4º ano de escolaridade. Este grupo foi emparelhado com dois grupos de controlo: um grupo equivalente em termos de idade e escolaridade e outro grupo equiparado em termos de capacidade de leitura, todos do 1º ano de escolaridade. Todos os grupos realizaram provas complementares de leitura, escrita, consciência fonológica, nomeação rápida, vocabulário e memória de trabalho. A experiência de aprendizagem de gramática artificial foi dividida em três sessões, realizadas em três dias seguidos. No início de cada sessão os participantes realizavam uma prova de memória (as crianças memorizavam sequências de símbolos coloridos e posteriormente tinham de reproduzir a sequência memorizada, com recurso a uma caixa de resposta apropriada), na qual eram expostos a sequências gramaticais, sem terem conhecimento desse facto. Na última sessão os participantes foram informados de que as sequências que tinham visto na prova de memória obedeciam a conjunto de regras complexo e foi-lhes pedido que classificassem um novo conjunto de sequências, constituído por sequencias gramaticais e não gramaticais. No fim de cada sessão, os participantes eram entrevistados no sentido de se verificar se estes possuiam conhecimento explícito acerca das regras subjacentes às sequências gramaticais. Os resultados revelaram que não havia diferenças significativas no desempenho dos disléxicos e dos dois grupos de controlo na prova de classificação de sequências. Este resultado indica que todas as crianças deste estudo extraíram as regularidades dos estímulos ao mesmo nível. Foi ainda calculado um índice de discriminação (d’) que também não diferiu entre os grupos. Apesar de não haver diferenças entre grupos, o desempenho geral dos participantes foi mais baixo do que o esperado. Procedeu-se então a uma análise individual do desempenho dos sujeitos e verificou-se que alguns disléxicos apresentavam índices de discriminação bastante elevados. O mesmo padrão foi observado nos grupos de controlo. Através das entrevistas pós-experimentais verificámos também que os sujeitos não tinham conhecimento explícito acerca das regras subjacentes às sequencias gramaticais. Todos estes dados levam-nos a concluir que os disléxicos são capazes de extrair as regularidades implícitas de uma gramática artificial ao mesmo nível que as crianças sem défices de leitura. Os nossos dados levam-nos a supor que os diferentes resultados observados nos estudos de aprendizagem implícita em disléxicos pode dever-se não só à grande variação das provas utilizadas para avaliar a aprendizagem implícita (diferentes paradigmas, com diferentes estímlos, diferentes comprimentos de sequências, diferentes tipos de resposta e consequentemente com procedimentos experimental diferente), mas também devido às características da amostra. Os critérios de inclusão dos disléxicos nos estudos também diferem de um estudo para outro e muitas vezes não há qualquer reavaliação das capacidades dos disléxicos. Simultaneamente as diferenças individuais dentro do grupo dos disléxicos são também habitualmente ignoradas. Estas diferenças individuais podem estar na origem desta discrepância de desempenho apresentado pelos disléxicos nos diferentes estudos. Estudos futuros, com maiores amostras de disléxicos e com uma avaliação mais detalhada das suas características individuais podem clarificar esta questão. Em suma, o nosso estudo revela que a capacidade de aprendizagem implícita de gramática artificial está presente em crianças disléxicas. O ensino da leitura e os programas de intervenção na dislexia podem explorar estas capacidades de aprendizagem implícita preservadas nos disléxicos para auxiliar os processos explícitos na aquisição das competências de leitura.
Descrição: Dissertação de mest., Neurociências Cognitivas e Neuropsicologia (Neuropsicologia), Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Univ. do Algarve, 2011
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.1/3770
Designação: Mestrado em Neurociências Cognitivas e Neuropsicologia
Aparece nas colecções:UA01-Teses

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