Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.1/5358
Título: Discursos sobre a educação das crianças em idade pré-escolar nas revistas de educação familiar (1945-1958)
Autor: Vilhena, Carla Cardoso
Palavras-chave: Educação para a maternidade
Educação de crianças em idade pré-escolar
Revistas de educação familiar
Data: 2012
Editora: Instituto de Educação da Universidade de Lisboa
Citação: Vilhena, Carla. Discursos sobre a educação das crianças em idade pré-escolar nas revistas de educação familiar (1945-1958), Trabalho apresentado em Rituais, espaços & patrimónios escolares. IX Congresso Luso Brasileiro de História da Educação , In Rituais, espaços & patrimónios escolares. IX Congresso Luso Brasileiro de História da Educação , Lisboa, 2012.
Resumo: Os anos 50 correspondem, em Portugal, ao período em que a escolarização das crianças entre os 7 e os 10 anos se tornou uma realidade (Candeias, 2004). É também nesta década que se assiste a um aumento no número de crianças que frequentam instituições de educação de infância que sobe para mais do triplo (Gomes, 1977). Contudo, apesar deste acréscimo, no ano lectivo 1960/61 a taxa real de escolarização das crianças, com idades compreendidas entre os 3 e os 5 anos, é de 0,9% (Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação, 2009), o que significa que a maioria das crianças era educada em casa, pelas suas mães ou por quem as substituísse. Este período é marcado, no mundo ocidental, por uma valorização da esfera doméstica e do papel das mulheres enquanto mães, pela democratização do modelo familiar assente na divisão sexual dos papéis, facilitado, como afirma Esping-Andersen (2009), pelo pleno emprego masculino e pelo aumento do valor dos salários. Em Portugal, à semelhança do que acontece noutros países, os papéis de esposa e mãe, consideradas funções naturais da mulher, são valorizados no discurso oficial (Pimentel, 2011). Como afirma Oliveira Salazar, a mulher “deve ser acarinhada, amada e respeitada porque a sua função de mãe, de educadora de seus filhos, não é inferior à do homem” (Obra das Mães pela Educação Nacional, 1938, p. 5). Embora as mães sejam consideradas as pessoas mais adequadas para educar as crianças, são também, paradoxalmente, consideradas incapazes de desempenhar eficazmente esta tarefa. A desvalorização da capacidade natural das mulheres para educarem os seus filhos ocorre num contexto em que se assiste a uma preocupação crescente com a falta de educação das crianças, fruto do reconhecimento do seu valor social e da sua vulnerabilidade (Rocha & Ferreira, 2006), assim como da emergência e desenvolvimento de especialidades – como a pediatria ou a psicologia da criança – que elegem a criança como objeto de estudo e de intervenção (A. G. Ferreira, 2000). Com campos de ação e estratégias diferenciadas, mas um objetivo comum, a governação da infância, os diferentes profissionais da infância, vão atuar junto da mãe, ponto de acesso às crianças mais novas, àquelas que ainda não são abrangidas pela escola. Salientado os efeitos nefastos para o desenvolvimento dos métodos tradicionais de educação das crianças, transmitidos através das redes informais de aconselhamento (familiares, vizinhas e amigas), os peritos vão persuadir as mães a substitui-los por um método moderno, baseado no conhecimento científico, designadamente nos saberes médico e psicológico (Apple, 2006; Arnup, 1994; Beatty, Cahan & Grant, 2006; Ferreira, 2000; Grant, 1998; Hardyment, 2008; Hays, 1996; Litt, 2000; Rose, 1999). No que diz respeito à educação das crianças, ou seja, aos aspetos relacionados com o seu desenvolvimento psicológico, é de salientar, a partir da segunda metade do século XX, a crescente intervenção dos peritos psi neste domínio (Apple, 2006; Groenendijk & Bakker, 2002; Hollway, 2006; Hulbert, 2004; Neyrand, 2011; Rose, 1999). Transformada na ciência central de governação das populações (Rose, 1999) os conhecimentos oriundos da psicologia e da psicanálise vão ser difundidos não só pelos peritos psi, mas também por outros profissionais da infância, designadamente pediatras, de que Benjamim Spock, pelo impacto que teve no quotidiano de milhares de crianças, é o mais paradigmático exemplo. Um dos veículos utilizados para a difusão das normas científicas que as mães devem seguir na educação dos seus filhos são as revistas de educação familiar (Apple, 2006; Nóvoa, 1993), fonte utilizada para a realização do trabalho que aqui se apresenta, e cujo principal objetivo é a caracterização e análise dos discursos acerca da educação das crianças em idade pré-escolar, veiculados através deste tipo de periódicos, no período compreendido entre 1945 e 1958.
Peer review: no
URI: http://hdl.handle.net/10400.1/5358
ISBN: 978-989-96999-6-0
Versão do Editor: http://colubhe2012.ie.ulisboa.pt/
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