Engrola, SofiaTeodósio, RitaOliveira, Carolina Salgueiro Brinca Freitas de2026-05-152026-05-152025-11-06http://hdl.handle.net/10400.1/28976Improving robustness of postlarval fish through diet is a priority in hatchery production, with macro- and microalgae emerging as bioactive functional ingredients whose impacts can vary with developmental stage and composition. This study evaluated the effects of dietary supplementation with combinations of macroalgae (Ulva sp.) and microalgae (Tisochrysis lutea or Pavlova gyrans) on growth performance, oxidative status, and immune resilience in Senegalese sole (Solea senegalensis) postlarvae. Three experimental diets were tested: a CTRL, similar to a commercial diet; and two diets consisting of the CTRL diet supplemented with biomass of Ulva sp. combined with either T. lutea (ULTISO) or P. gyrans (ULPAVL). Growth performance parameters were assessed until 38 DAH. Following this period, fish were exposed to a short-term immune-boosting dietary intervention containing Skeletonema costatum (BOOST) prior to transport and bacterial challenge with Tenacibaculum maritimum. Results showed that ULPAVL-fed fish exhibited significantly lower growth performance (dry weight and total length) compared to the control and ULTISO groups, which performed similarly. Oxidative status analysis at 38 DAH revealed increased superoxide dismutase and catalase activities in the ULTISO group, whereas lipid peroxidation was significantly reduced in ULPAVL-fed fish. Despite administration of the BOOST diet, no significant differences in oxidative markers or related gene expression were observed across treatments at 45 DAH. Moreover, gene expression of catalase and claudin 15 was downregulated in the ULTISO group after infection, suggesting impaired antioxidant defense and epithelial integrity. These results highlight the complexity of using algae-derived additives in larval fish diets and emphasize the importance of formulating stage-specific feeds tailored to the developmental status of the fish, in order to promote growth potential while enhancing robustness. Future research should focus on optimizing both the composition and inclusion levels of algae to support performance and resilience in marine aquaculture systems.O linguado senegalês (Solea senegalensis) é uma espécie de interesse para a aquacultura no sul da Europa. A intensificação da produção implica que seja urgente desenvolver dietas que aumentem a qualidade dos peixes desde a sua fase larvar. Existem vários aditivos que, quando incluídos nas dietas, podem aumentar o crescimento e/ou a resiliência de pós-larvas de linguado. As micro- e macroalgas são ricas em compostos bioativos, e a sua inclusão em microdietas constitui uma estratégia para melhorar a resposta antioxidante e imunológica dos peixes. O sistema antioxidante é essencial para manter em equilíbrio a resposta redox dos peixes em sistemas de cultivo intensivos, como as maternidades de aquacultura. Assim, a nutrição larvar desempenha um papel preponderante no aumento da robustez das pós-larvas, promovendo o seu elevado potencial de crescimento. Este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da suplementação dietética com combinações de macroalgas (Ulva sp.) e microalgas (Tisochrysis lutea ou Pavlova gyrans) no desempenho de crescimento, no estado oxidativo e na resiliência imunológica em pós-larvas de linguado Senegalês, uma espécie de elevado interesse para a aquacultura marinha na região do Atlântico Nordeste. A investigação foi conduzida no âmbito da necessidade crescente de identificar ingredientes sustentáveis e funcionais para a formulação de dietas para a aquacultura, com particular enfoque na fase larvar, considerada crítica para o sucesso da produção aquícola. O ensaio experimental foi desenvolvido com três dietas distintas. A primeira dieta, designada por CTRL, foi formulada de modo a ser equivalente a uma dieta comercial típica utilizada na produção larvar do linguado Senegalês. As outras duas dietas experimentais consistiram na dieta CTRL suplementada com biomassa de Ulva sp. combinada com as microalgas: Tisochrysis lutea (ULTISO) ou Pavlova gyrans (ULPAVL), respetivamente. Estas algas foram escolhidas com base no seu perfil bioativo, nomeadamente a presença de compostos antioxidantes, ácidos gordos essenciais, vitaminas, minerais e outros metabolitos secundários com potencial efeito imunomodulador e antioxidante. O uso destas algas integra a busca por ingredientes funcionais naturais, contribuindo para a sustentabilidade ambiental e económica da aquacultura. O crescimento das pós-larvas foi avaliado até aos 38 dias após eclosão (DAE), com recurso a métricas como o peso seco e o comprimento total, parâmetros amplamente utilizados na avaliação do desenvolvimento larvar e indicadores diretos da saúde e vigor dos peixes. Posteriormente, foi implementada uma intervenção dietética de curta duração com uma dieta suplementada com a diatomácea Skeletonema costatum (BOOST), antecedendo condições de stress, especificamente transporte. Em seguida, realizou-se um desafio bacteriano por imersão com Tenacibaculum maritimum, um agente patogénico relevante na aquacultura de peixes marinhos e que representa uma ameaça significativa à produção comercial devido à sua elevada virulência e capacidade de causar mortalidades elevadas. Os resultados obtidos demonstraram que os peixes alimentados com a dieta ULPAVL apresentaram um desempenho de crescimento significativamente inferior em comparação com os grupos CTRL e ULTISO, os quais não evidenciaram diferenças estatisticamente relevantes entre si. Estes resultados sugerem que a combinação de Ulva sp. com P. gyrans pode afetar negativamente o crescimento, possivelmente devido a interações complexas entre os compostos bioativos presentes ou a um perfil nutricional menos favorável, que pode interferir na digestibilidade ou absorção dos nutrientes essenciais. A possibilidade de efeitos antinutricionais ou de compostos que modulam negativamente o metabolismo energético não pode ser descartada e merece investigação mais aprofundada. A análise do estado oxidativo aos 38 DAE revelou que os peixes do grupo ULTISO apresentaram uma atividade significativamente aumentada das enzimas antioxidantes superóxido dismutase (SOD) e catalase (CAT) em comparação com ULPAVL, indicando uma ativação das defesas antioxidantes endógenas. Por outro lado, os níveis de peroxidação lipídica foram significativamente mais baixos no grupo ULPAVL, o que poderá refletir uma redução do stress oxidativo, embora associada a menor crescimento, sugerindo um possível compromisso entre estabilidade oxidativa e desenvolvimento somático. Esta dicotomia aponta para uma complexa relação entre os processos metabólicos envolvidos na proteção antioxidante e o balanço energético necessário para a síntese e crescimento celular. No que diz respeito à intervenção com a dieta BOOST, os dados obtidos indicam que esta suplementação de curta duração não foi suficiente para induzir alterações significativas nos marcadores de stress oxidativo nem na expressão genética associada aos mecanismos antioxidantes e de integridade epitelial aos 45 DAH. Este resultado levanta questões sobre a eficácia de estratégias pontuais de reforço imunológico nesta fase do ciclo de vida do peixe e destaca a importância de abordagens nutricionais consistentes e faseadas, que considerem o momento ideal para a aplicação de aditivos funcionais de modo a maximizar a resposta fisiológica e imunológica. Adicionalmente, após o desafio bacteriano, verificou-se uma redução significativa na expressão dos genes catalase (cat) e claudin 15 (cldn15) no grupo ULTISO. Esta alteração poderá indicar uma quebra nas defesas antioxidantes e na integridade epitelial intestinal, respetivamente, sugerindo que, apesar da maior atividade enzimática antioxidante inicial, a combinação de Ulva sp. com T. lutea poderá não conferir proteção sustentada contra o stress bacteriano subsequente. O gene cldn15 codifica uma das proteínas essenciais para a manutenção da barreira epitelial, e a sua redução pode facilitar a invasão de patógenos, comprometendo a saúde geral dos peixes. Estes resultados enfatizam a complexidade da utilização de aditivos derivados de algas em dietas para pós-larvas de peixes marinhos. A fase larvar caracteriza-se por rápidas alterações fisiológicas e elevadas exigências nutricionais, pelo que a introdução de ingredientes funcionais deve ser cuidadosamente ajustada para não interferir negativamente nos processos metabólicos e imunológicos em desenvolvimento. A simples inclusão de ingredientes com propriedades bioativas não garante, por si só, benefícios consistentes no desempenho ou na imunocompetência dos peixes. Pelo contrário, os efeitos podem variar consoante a combinação de espécies de algas, o modo de processamento, o tempo de exposição, a dosagem e o estado de desenvolvimento dos organismos-alvo. A aplicação prática deste estudo é altamente relevante para a indústria aquícola, uma vez que demonstra que a utilização de macroalgas e microalgas em dietas larvares deve ser orientada por uma formulação baseada em evidência científica, considerando não apenas o potencial nutritivo dos ingredientes, mas também os seus efeitos fisiológicos em contextos reais de produção. O crescimento sustentável da aquacultura depende da adoção de estratégias alimentares que não só promovam o crescimento ótimo, como também aumentem a robustez dos peixes face a desafios ambientais e sanitários, tais como alterações da qualidade da água, variações térmicas, stress oxidativo e exposição a patógenos. Neste contexto, recomenda-se que investigações futuras explorem de forma mais aprofundada a otimização da composição e proporção das algas utilizadas, bem como a duração e momento da sua aplicação ao longo do ciclo de produção. Será igualmente importante estudar a interação entre estas fontes de ingredientes funcionais e outros componentes dietéticos, como probióticos, prebióticos e minerais, de forma a potenciar sinergias benéficas para o sistema imunitário, microbiota intestinal e desempenho zootécnico global. A análise detalhada dos mecanismos moleculares subjacentes a essas interações poderá permitir a criação de dietas personalizadas para diferentes espécies e estádios de desenvolvimento, aumentando a eficiência produtiva e a sustentabilidade do setor. Em suma, este trabalho contribui para o conhecimento sobre nutrição funcional em aquacultura, oferecendo perspetivas relevantes sobre os efeitos específicos de combinações de macro e microalgas em pós-larvas de Solea senegalensis. Os dados obtidos evidenciam que a escolha criteriosa das espécies de algas, bem como a formulação adequada das dietas em função do estádio ontogenético dos peixes, são fatores determinantes para o sucesso da aplicação destes ingredientes na prática aquícola. A integração destes conhecimentos poderá conduzir ao desenvolvimento de dietas mais eficazes, sustentáveis e adaptadas às exigências da aquacultura moderna, contribuindo para uma produção mais resiliente e ambientalmente responsável, capaz de responder aos desafios do futuro em termos de segurança alimentar e conservação dos ecossistemas marinhos.engAquaculturaCultivo de linguadoSuplementação com algasDietas funcionaisEstado oxidativoStage-specific responses of Senegalese sole postlarvae to micro- and macroalgae dietary blendsmaster thesis204081637