Ribau Teixeira, Margarida2026-03-062026-03-062024-03-08http://hdl.handle.net/10400.1/28362O relatório pedagógico aqui apresentado refere-se à unidade curricular intitulada “Tratamento de efluentes em aquacultura” apresentado no âmbito de Provas Púbicas de Agregação na Universidade do Algarve segundo o Decreto-Lei (DL) nº 239/2007, de 19 de junho. O artigo 5º, alínea b), do referido DL explicita que as provas de agregação são constituídas “pela apresentação, apreciação e discussão de um relatório sobre uma unidade curricular, grupo de unidades curriculares, ou ciclo de estudos, no âmbito do ramo do conhecimento ou especialidade em que são prestadas as provas”. A aquacultura tem registado um crescimento acelerado associado às necessidades de alimentação da população e ao declínio mundial dos mananciais de recursos biológicos aquáticos (Nayor et al., 2000). À medida que a população humana continua a aumentar, a potencial relevância da produção aquícola como fonte de proteína também aumenta. Prevê-se que o contributo da aquacultura para o consumo humano aumente de 55% (média no período 2019-2021) para 59% em 2031 (OECD, 2022). Os sistemas de aquacultura em tanques de produção geram águas residuais contendo grande quantidade de azoto (N) e fósforo (P) inorgânicos e material orgânico (Yang et al., 2017; Dauda et al., 2019). Em regimes de aquacultura intensivos, com recurso exclusivo a alimentação artificial (ex.: rações, alimento vivo) e densidade superior de organismos, apenas uma pequena proporção do alimento fornecido é convertido em biomassa (ca. 4,0-27,4%, Dauda et al., 2019). A acumulação de alimento e o elevado número de organismos nos tanques origina a deterioração da qualidade da água (Huang et al., 2016), com efeitos negativos na saúde e produtividade de algumas espécies cultivadas (Hu et al., 2014). Outra preocupação ambiental importante em relação à aquacultura intensiva é a descarga de águas residuais em ecossistemas aquáticos naturais, sem tratamento prévio. Estas águas residuais contaminam a coluna de água e o sedimento, com potenciais impactes negativos nos ecossistemas recetores (ex.: proliferações nocivas de algas). Este problema agrava-se aquando da drenagem completa da água do tanque de cultivo, normalmente realizada no final de cada ciclo de produção da aquacultura (Yang et al., 2017). Tal prática pode alterar rapidamente a concentração de nutrientes e matéria orgânica no ambiente recetor, aumentando o risco de eutrofização do sistema (Hlavác et al., 2014). Desta forma, há necessidade de instalar sistemas de tratamento águas residuais de aquacultura, usando métodos físicos, químicos e biológicos, com vista à melhoria da qualidade da água e produtividade nos tanques de aquacultura e da água descarregada no ambiente recetor. A estratégia para a aquacultura portuguesa, entre 2021-2030, prevê, no objetivo “Adaptações às alterações climáticas e atenuação dos seus efeitos”, a otimização das unidades de produção aquícola através da implementação de sistemas de recirculação de água (RAS) (DGRM, 2022). Estes sistemas têm como vantagens a redução do consumo de água e uma melhor qualidade da água (e, portanto, um menor volume de água usado e de águas residuais produzidas), o maior controlo dos parâmetros ambientais (temperatura, oxigénio dissolvido, fotoperíodo e turvação da água), e o isolamento do stock produzido (eliminando a ameaça de fuga do peixe produzido para o ambiente) (DGRM, 2022). A unidade curricular (UC) Tratamento de Águas Residuais em Aquacultura foca-se nas soluções tecnológicas relacionadas com o tratamento destas águas residuais. Assim, esta unidade curricular tem como principal objetivo fornecer conhecimento sobre o tratamento da água, que permita aos estudantes o entendimento das bases das soluções existentes para fazer face às alterações da qualidade e poluição da água em aquaculturas. A UC Tratamento de Águas Residuais em Aquacultura integra-se no curso de Mestrado em Aquacultura e Pescas. Contudo, pode ser oferecida em outros cursos de mestrado na área de ciências ou engenharia do ambiente, ou áreas afins. Os conhecimentos adquiridos nesta unidade curricular poderão também ser aplicados pelos estudantes que prossigam para programas de doutoramento, designadamente o Doutoramento em Ciências do Mar, da Terra e do Ambiente ou Ciências Biotecnológicas, ambos da Universidade do Algarve.porProvas de AgregaçãoDocumentos das provas de agregação de Maria Margarida da Cruz Godinho Ribau Teixeira. Titulo da Lição: Tratamento de Águas Residuais em Aquaculturaother