Leitão, FranciscoRamos, JorgeCosta, Joana2026-06-012026-06-012025-11-05http://hdl.handle.net/10400.1/29062Coastal zones are highly productive areas that sustain biodiversity and provide essential ecosystem services for human communities. However, they are increasingly threatened by overfishing and habitat degradation, creating a need for management tools that balance ecological sustainability with socioeconomic needs. Artificial reefs (ARs) have been deployed worldwide to enhance fisheries, restore habitats, and support coastal communities, but they also play an extensive role in establishing coastal resilience and offering new livelihood opportunities. This study investigates whether the Alvor artificial reef, deployed 25 years ago off southern Portugal, continues to serve as a fishing enhancement tool for surrounding fishing communities. A mixed-methods approach was applied, combining Automatic Identification System (AIS) data from coastal vessels with semi-structured questionnaire-based interviews (SSQBI) from local small-scale fishers. AIS data provided spatial and temporal records of fishing activity across the AR and two control areas, while interviews offered insights into perceptions, practices, and challenges associated with the AR, ensuring that both observed behaviour and reported knowledge were considered. The results indicate that the Alvor AR still attracts fishing activity, though patterns change across fleet segments. Coastal vessels continue to operate around the reef, suggesting that it remains valuable as a fishing ground for larger-scale operations. In contrast, local fishers report minimal use, citing practical challenges such as ghost fishing and gear entanglement risk, which for small-scale operations can mean significant economic loss. These findings reveal opposing benefits of the AR, shaped by fleet characteristics and perceptions. Study limitations include the restricted coverage of AIS, the small interview sample, and the absence of seasonal analysis due to limited data. Despite these restrictions, the combination of spatial tracking and fisher perceptions offered complementary insights into the AR’s use. The study concludes that the Alvor AR continues to support fishing activity, though unevenly across fleets. It highlights the importance of periodic reassessment, smaller-scale monitoring, and fisher engagement to ensure that artificial reefs deliver on their intended socioeconomic and ecological objectives.As zonas costeiras são dos ecossistemas mais produtivos do planeta, suportam tanto uma grande biodiversidade como as comunidades humanas que vivem nestas áreas. Estas zonas proporcionam habitats essenciais à vida marinha enquanto sustentam a vida das comunidades piscatórias. Mesmo assim, estas zonas estão constantemente sobre várias pressões resultantes de atividades humanas, alterações climáticas e o aumento da procura por recursos marinhos. A sobrepesca, destruição de habitats e competição por espaço costeiro fazem com que seja importante explorar ferramentas que possam contribuir para a sustentabilidade ecológica e o bem estar socioeconómico. Estas ferramentas podem ser, por exemplo, recifes artificiais (RAs). Ao colocar estruturas tridimensionais no fundo do mar, os RAs imitam as características dos recifes naturais, atraem organismos marinhos e criam oportunidades de pesca. A instalação de RAs tem uma longa história e continua, nos dias de hoje, a ter aplicações desde conservação, a gestão da pesca e turismo. Explorar a eficácia a longo prazo destas estruturas é essencial, para determinar se elas conseguem realmente suportar a pesca e as comunidades costeiras. O recife artificial de Alvor foi colocado no fundo da Baía de Lagos, no sul de Portugal, entre 2000 e 2001, e 25 anos depois da sua instalação surge uma oportunidade de estudar se as estruturas continuam a manter as funções para as quais foram criadas. O principal objetivo deste estudo foi avaliar se o recife artificial continua a servir como uma ferramenta de apoio à pesca. Ao examinar este estudo de caso, este estudo procurou contribuir para um melhor conhecimento de como os recifes artificiais se comportam passadas décadas e o que isto significa para o desenvolvimento e gestão das pescas. Foi utilizada uma metodologia complementar que combinou dados quantitativos de monitorização satélite de embarcações costeiras e dados qualitativos de entrevistas com pescadores locais. O primeiro método envolveu a análise de dados provenientes do Sistema de Identificação Automático (AIS), emitidos pelos barcos costeiros que operam na área da Baía de Lagos. Estes dados contêm informação sobre a atividade das embarcações, como a posição, velocidade, data e hora e conseguem ser utilizados para extrair a atividade de pesca no recife artificial e áreas de controlo adjacentes. Uma vez que só embarcações maiores de 15 metros são obrigadas a ter um dispositivo AIS a bordo, um segundo método foi utilizado para recolher mais informações relativamente à frota local. O segundo método envolveu a realização de entrevistas baseadas num questionário semiestruturado (SSQBI) direcionado aos pescadores locais de Lagos e Alvor. As entrevistas refletiram as perceções dos pescadores em relação ao RA, nomeadamente na utilização da área recifal e na utilidade das estruturas. A combinação destas duas metodologias permitiu um melhor enquadramento de como as diferentes frotas de pesca interagem com o recife. Os resultados mostraram um contraste entre as frotas costeira e local. Os dados de satélite revelaram que o RA são áreas de pesca para os barcos costeiros, com registos de atividade maiores junto ao recife do que nas áreas de controlo. Estas embarcações parecem incorporar os RA na sua estratégia de pesca. Em contraste, as entrevistas com os pescadores locais indicaram que atualmente existe pouco interesse em pescar no RA. A maior parte dos inqueridos descreveu que existem muitas artes de pesca abandonadas a cobrir o recife, que resulta em menos peixe, maior dificuldade a pescar e a potencial perda das próprias redes por emaranhamento. Esta diferença de resultados mostra como a mesma estrutura consegue ter papéis diferentes consoante o tipo de frota (i.e., costeira versus local), artes de pesca e perceções. O que acima está sintetizado indica que o recife artificial de Alvor continua a desempenhar importantes funções de apoio à pesca, mas o seu papel não é uniforme na frota toda. Para as embarcações costeiras os RA são zonas de pesca recorrentes. No entanto, para as embarcações locais o RA já não é considerado tão relevante de acordo com os inquéritos. Esta divisão realça a importância de considerar os resultados sociais assim como os ecológicos, quando se avalia o sucesso de ao longo do tempo. De fato, os dados parecem indicar que o desempenho do recife artificial de Alvor alterou-se com o tempo e varia entre setores da pesca (local, costeiro). Por consequência, é essencial realizar reavaliações periódicas, e com maior esforço amostragem, para garantir que os recifes continuam a desempenhar as funções de acordo com os seus objetivos iniciais, quer sejam estes ecológicos, socioeconómicos ou ambos. A combinação dos dois métodos foi essencial, uma vez que cada método individualmente só teria mostrado uma perspetiva parcial da frota pesqueira. A monitorização espacial das embarcações destacou onde e quando os barcos estavam ativamente a pescar, enquanto as entrevistas explicaram as perceções relacionadas com as decisões do dia a dia da pesca. Em conjunto, estas duas abordagens revelaram os padrões de uso, garantindo uma compreensão mais completa do papel do recife atualmente. No entanto, as limitações do estudo devem ser reconhecidas. O conjunto de dados AIS era pequeno e de duração limitada, o que impediu a identificação de padrões sazonais. Também excluiu embarcações menores (frota local), criando uma lacuna nos dados que as entrevistas tentam a preencher. O esforço de amostragem das entrevistas foi pequeno e a área de estudo limitada, o que significa que perspetivas mais abrangentes podem não ter sido recolhidas. Apesar destas limitações, o estudo trouxe informações relevantes sobre o uso e a perceção do recife após 25 anos, sobretudo tendo em conta a ausência de outros trabalhos de monitorização posteriores à instalação do RA de Alvor. Os resultados também têm implicações importantes para a gestão. As abordagens na gestão devem ter em conta estas diferenças, e assegurar que a colocação dos recifes corresponde às necessidades e realidades das comunidades piscatórias, assim como se prolongam no tempo. A contribuição dos RAs para a sustentabilidade depende não só do seu desempenho ecológico, mas também da maneira como as comunidades interagem com eles. De forma a garantir que os recifes proporcionam benefícios a longo prazo, é preciso integrar uma monitorização ecológica e socioeconómica nos planos de gestão. Estudos futuros deverão procurar recolher padrões de utilização dos recifes a longo prazo e em maior escala, assim como alargar a área de ação das entrevistas para incluir mais pescadores e desta forma, adquirir uma visão mais ampla das perspetivas da comunidade.engEmbarcações de pescaPerceções de pescadoresSistema de identificação automático (AIS)Entrevistas semiestruturadas baseadas num questionário (SSQBI)Gestão da pescaImpactos socioeconómicosImpact of artificial reefs on fishing communities: the Lagos bay casemaster thesis204225523