Percorrer por autor "Guerreiro, Clarisse Sofia Ramos"
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- Transições para a reforma: uma abordagem biográficaPublication . Guerreiro, Clarisse Sofia Ramos; Almeida, António Fragoso deAs alterações demográficas das últimas décadas, bem como o aumento da esperança média de vida, levaram a que o grupo etário com maior crescimento seja, atualmente, o das pessoas com mais de 65 anos (Instituto Nacional de Estatística, 2007). É, pois, cada vez mais fundamental a compreensão dos processos envolvidos no envelhecimento, dos requisitos necessários para o seu sucesso e dos obstáculos que o impedem. Tendo em conta que os fatores socioeconómicos e culturais afetam a vivência do envelhecimento, pretendeu-se compreender o processo de transição para a reforma, aos olhos dos sujeitos que já transitaram da vida ativa para a reforma. Foi realizado um estudo, de caráter qualitativo, envolvendo a análise de três histórias de vida, fazendo-se um estudo biográfico destes percursos. Na análise das histórias de vida, além de se recorrer às categorias pré-definidas, identificaram-se outras categorias, emergentes do discurso dos sujeitos. Estas análises realçaram a necessidade de atender à singularidade de cada adulto idoso, tendo-se verificado a imensa influência das relações sociais e do contexto cultural no processo de transição para a reforma e no processo de adaptação e reestruturação das suas novas vidas. Do estudo realizado destaca-se a importância da posição social, sentimento de pertença na comunidade e na família, sendo este o seu suporte. Os resultados desta investigação mostram nas entrevistas efetuadas que o processo de transição para a reforma na maioria das vezes não é preparado. Não existe instituído um apoio formal ou informal nesta na planificação da reforma. Neste estudo verifica-se que a entrada na reforma é mais satisfatória e possui melhor adaptação num período inicial, quando existe uma menor realização/identificação profissional. Este período de adaptação é mais difícil quando a reforma é involuntária e mais fácil quando é voluntária e principalmente preparada. A satisfação no período da reforma é maior quando os indivíduos desenvolvem actividades que os preencham, e quando mantém uma rede social activa. A reconstrução de identidade está subjacente às trajectória de vida, sob influência dos contextos históricos, sociais e culturais, e neste estudo a maioria revela que ocorreu uma alteração identitária. Essa alteração não os deixa menos felizes ou com menos vontade de aproveitar o tempo, pois, a pulsão pela vida mantém-se mesmo após a entrada na reforma.Segundo este estudo a reforma é uma etapa, onde existe uma maior oportunidade de desfrutar da vida, da liberdade, da sabedoria, para aproveitar a fase da reforma, que é caraterizada por uma fase de pós trabalho, onde surge a oportunidade de fazer as coisas que até então não tinham sido possíveis.
