Percorrer por autor "Rebimba, Laura Isabel Serrador"
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- Associação entre medidas de esquecimento acelerado a longo prazo e medidas de escalas clínicas e cognitivas na população saudávelPublication . Rebimba, Laura Isabel Serrador; Silva, Dina Lúcia GomesA informação consolidada na memória episódica pode ser recuperada após um período de tempo variável, durante o qual não existe ensaio dessa informação. Nas avaliações neuropsicológicas, este processo de consolidação é testado através da evocação diferida de material verbal e não verbal, com uma condição de evocação imediata para melhor avaliar o processo de codificação. No entanto, alguns estudos com pacientes com algum tipo de lesão no lobo temporal têm apresentado défices no processo de consolidação da informação só detetável posteriormente, mostrando desempenhos normais durante as provas de avaliação neuropsicológica. Este processo denomina-se esquecimento acelerado a longo prazo (EAL) e refere-se ao esquecimento anormal durante um período que vai de horas a semanas, apesar da aquisição normal ou da consolidação inicial. Assim, o EAL é uma evidência frequente em doentes com lesões no lobo temporal, não se esperando encontrar este esquecimento de longo prazo acelerado em sujeitos sem antecedentes de qualquer lesão que envolva os lobos temporais. No entanto, poucos estudos têm caracterizado o desempenho da população sem patologia em diferentes períodos de consolidação, principalmente associando esse desempenho a outras medidas ligadas aos processos de consolidação, nomeadamente medidas executivas e clínicas (e.g., sintomatologia depressiva e qualidade do sono). Objetivo: Pretende-se verificar se na população saudável se encontra um desempenho semelhante em provas de memória, após horas ou dias, ao da recuperação para o intervalo de interferência de trinta minutos. E verificar se existe alguma correlação desse desempenho com outras medidas associadas ao processo de consolidação. Método: Avaliámos 20 participantes saudáveis, em provas de memória verbal e visual imediatas e após intervalo de 30 minutos, 24 horas e 1 semana, bem como em provas de funções executivas e escalas clínicas. Resultados: Apesar dos resultados serem normativos, verificaram-se perdas significativas nas provas de memória logo após o primeiro intervalo (30 minutos). Relativamente aos períodos de interferência de intervalos mais longos, verificou-se que a perda significativa ocorria principalmente para o período de uma semana. No presente estudo verificou-se uma associação dos desempenhos mnésicos verbais com medidas executivas, principalmente de raciocínio, memória de trabalho e iniciativa fonémica, sendo que dependendo da estrutura da prova, histórias ou listas, se verifica associações mais fortes das medidas executivas com períodos mais curtos ou mais longos de interferência, respetivamente. Por último, não se confirmou a associação de sintomatologia depressiva nos desempenhos mnésicos de longo termo, mas verificou-se uma correlação entre medidas diferidas do CVLT e MV e indicadores da qualidade do sono. Conclusão: É possível concluir-se que, mesmo na população saudável, sem patologias associadas, nem aparentes queixas de memória, pode ocorrer uma perda notória em prova para intervalos de 30 minutos, que se acentua para intervalos de 1 semana, ainda que correspondendo a desempenhos normativos. As capacidades executivas associam-se ao desempenho mnésico de longo termo, mas a presença de sintomatologia depressiva não se associou às medidas de evocação de longo prazo.
