Percorrer por autor "Soares, António M. Monge"
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- A calibração das datas de radiocarbono dos esqueletos humanos de MugePublication . Martins, José M. Matos; Carvalho, António Faustino; Soares, António M. MongeAs primeiras datas obtidas para os concheiros de Muge foram-no a partir de amostras de carvão (por conseguinte, da biosfera terrestre) nos anos cinquenta e sessenta do século passado e vêm eivadas de incertezas demasiado grandes, isto é, com desvios-padrão de 350 ou 300 anos 14C, o que as torna de muito pouca utilidade se se pretender construir uma cronologia precisa para estes concheiros mesolíticos. Actualmente, a maior parte das datas disponíveis para os concheiros de Muge foram determinadas a partir do colagéneo de amostras de ossos humanos provenientes de enterramentos que neles tiveram lugar. Embora se trate de amostras da biosfera terrestre, os valores das razões isotópicas das amostras datadas indicam que os indivíduos inumados tiveram uma dieta em que a percentagem dos alimentos de origem marinha/estuarina era elevada (Lubell e Jackes, 1988; Lubell et al., 1994; Umbelino, 2006). Por isso, as datas convencionais de radiocarbono obtidas a partir destas amostras terão de ser calibradas tendo em conta a percentagem de dieta de origem marinha/estuarina revelada pelas análises isotópicas e o valor do efeito de reservatório aplicável para aquela época, naquela área do estuário do Tejo, o que não tem sido feito.
- Gruta artificial de S. Paulo II (Almada)Publication . Cardoso, João Luis; Martins, Filipe; Soares, António M. MongeExcavations carried out under the auspices of the Almada City Council, between 1989 and 1991 in the churchyard of S. Paulo, within the urban area of the city of Almada, led to the identification of what remains of an artificial cave, excavated in carbonate sediments of the Miocene, of which the burial chamber and a small section of the corridor adjacent to it were completely explored. The excavations led to the collection of a copious archaeological collection, associated with around 250 burials, carried out there throughout almost the entire 3rd millennium BC, whose broad diachrony is confirmed by the radiocarbon dating carried out and by the typology of the archaeological materials, which remained to be studied. Unfortunately, the intense disturbances produced in the cave at different times, which reached its totality, since perhaps the Iron Age, and which saw notable additions in the modern and contemporary periods through the installation of a cemetery on the site, made the discussion of the results based on stratigraphy unfeasible. Based on the cross-referencing of information from the 22 radiocarbon dates carried out within the scope of this work on human left calcaneums, with the results of the study of the archaeological remains, preserved in the Museum of Almada, it was possible to conclude that the funerary use of the cave knew three distinct and well-characterized chrono-cultural phases. The first phase dates back to the end of the Late Neolithic, in the transition from the 4th to the 3rd millennium BC, being represented by only a unique deposition. The second phase of the cave’s funerary use covers the entire first half of the 3rd millennium BC, and includes an important set of vessels (cups and bowls), of excellent finish, displaying the typical fluted decoration, characteristic of the Early Chalcolithic of Estremadura. Finally, the third phase of prehistoric use of the cave, in clear continuity with the previous one, corresponds to almost the entire second half of the 3rd millennium BC, and is illustrated by the magnificent bell‑shaped ceramic productions recovered, which constitute one of the most remarkable sets published from Portuguese territory to date, both in terms of quantity and diversity and quality of productions.
- Novos dados sobre a proveniência do cobre de LeceiaPublication . Valério, Pedro; Cardoso, João Luis; Alves, Luís Cerqueira; Soares, António M. Monge; Araújo, Maria FátimaThe archaeological site of Leceia is a Chalcolithic settlement with one of the largest amounts of metal artefacts in the Lisbon peninsula, although the absence of ores and smelting remains suggests that local metallurgical operations were essentially related to the last stages of the chaine opératoire, namely the casting and forging of artefacts. In fact, the local archaeological record shows several ingots including axe‑ingots, some of which bear clear traces of sectioning. Five of these ingots were analysed to establish their elemental compositions and Pb isotope signatures in order to identify the possible sources of copper used in their manufacture. Elemental results identified copper with variable contents of arsenic (up to 2.94 wt%) and very low amounts of other impurities, which compares well with the composition of local objects. Pb isotope ratios are also in line with the values previously obtained for copper prills and objects from Leceia, supporting the likely use of these ingots for the casting of local artefacts. Moreover, the most likely candidates for supplying the metal based on in the ingots analysed are copper deposits located in the Linares‑La Carolina mine district and also, but to a lesser extent, in mines located in the Los Pedroches Batholith and the South Portuguese Zone. This evidences a long‑distance copper trade between the Portuguese Estremadura and the Southern Iberian Peninsula and implies multiple trade connections of Chalcolithic communities inhabiting this region.
- Os primeiros metalurgistas no sul peninsularPublication . Soares, António M. Monge; Cardoso, João LuisCopper was the first metal to be intentionally obtained, with the first manifestations of its metallurgy appearing in the archaeological record in contexts of the Portuguese territory dating back to the beginning of the 3rd millennium BC. On the other hand, taking into account the sets of artefacts and contexts associated with these remains, it becomes possible to determine the function and use of copper. It is thus possible to infer and/or interpret, on solid grounds, the impact of metallurgy on the development of human communities, since the earliest times of the emergence and use of the metal.
- Variabilidade do "upwelling" costeiro durante o holocénico nas margens atlânticas ocidental e meridional da Península IbéricaPublication . Soares, António M. Monge; Dias, João Manuel AlveirinhoO estudo levado a cabo permitiu, pela primeira vez, identificar os eventos de frio 5 e 4 de Bond e o de 0,8 ka cal BP de deMenocal nos teores em radiocarbono das conchas e confirmá-los como fenómenos à escala global (circum-atlântico norte). Esses eventos revelam-se por valores positivos muito elevados de ΔR e são precursores de reorganizações climáticas. Os dois primeiros, datados de 7810±90 BP e de 5640±100 BP, respectivamente, foram apenas detectados na série de valores de ΔR (e de 13) determinados para a costa portuguesa, uma vez que as séries para a costa andaluza e para a costa galega se iniciam em 4580±110 BP, a primeira, e em 2440±29 BP, a segunda. O evento de frio de 0,8 ka foi determinado quer para a costa portuguesa quer para a costa galega com datas estatisticamente idênticas – costa portuguesa: 870±90 BP; costa galega: 860±90 BP. Além dos picos de ΔR correspondentes a estes três eventos, dois outros picos foram obtidos: um, datado por volta de 4000 BP e um outro cerca de 1100 BP. O primeiro, detectado quer para a costa portuguesa quer para a orla oriental do Golfo de Cádiz, deverá ser a tradução de um “upwelling” costeiro muito intenso, uma vez que o 13C das conchas analisadas apresenta valores positivos ao contrário do que sucede com os outros picos. Além disso, entre 4000 e 3200 BP terá havido uma época de secura, com expansão de espécies termomediterrâneas no noroeste alentejano, enquanto que no sudeste e, possivelmente, também no sudoeste espanhol, o intervalo de 4500 e 4000 BP, corresponderá a uma época de aridez e, por conseguinte, a uma insolação intensa, que se traduziu no aparecimento e intensificação do fenómeno do “upwelling” costeiro, como os valores positivos de ΔR que acompanham o pico de ca. 4000 BP da série andaluza sugerem. Então os dois picos aparentemente síncronos não o serão, tendo lugar, entre eles, uma reorganização climática cujo mecanismo forçador terá sido o evento 3 de Bond. O outro pico, em 1140±45 BP, foi só detectado na costa portuguesa, possivelmente ligado à reorganização climática que originou o Pequeno Óptimo Climático e o seu valor não resultará de qualquer intensificação do “upwelling” nesse momento. A análise das séries de valores de ΔR em função do tempo, conjugada com outros indicadores paleoclimáticos e paleoceanográficos, permitem ainda as seguintes conclusões: i) Entre o evento 8 de Bond (ca. 11100 cal BP) e o final do Pré-Boreal (até ao evento 7, ca. 10300 cal BP) terá existido na costa portuguesa um regime de “upwelling” costeiro, cuja intensidade terá aumentado ao longo desse período. ii) Durante o Boreal, a que corresponde um clima frio, terá ocorrido entre o evento 6 (ca. 9,4 ka cal BP) e o 5 (ca. 8,2 ka cal BP) um “upwelling” costeiro pouco activo ou mesmo inexistente, como os valores negativos para ΔR indiciam. iii) Os intervalos de tempo entre os eventos 5 e 4 (ca. 5,9 ka cal BP) e entre este e o 3 (ca. 4,2 ka cal BP ou ca. 4000 BP) encontram-se muito mal amostrados, pelo que quaisquer inferências deverão ser posteriormente validadas com mais dados. No entanto, com a reorganização climática associada ao evento “8,2 ka”, assiste-se a uma modificação no padrão de povoamento mesolítico na faixa costeira portuguesa, provavelmente relacionada com uma melhoria do clima (um aquecimento climático), pelo que será expectável um “upwelling” costeiro activo, embora fraco, como os dois únicos valores de ΔR determinados para o primeiro intervalo também sugerem. Para o segundo intervalo, para a costa portuguesa, para um momento próximo do seu final (4530-4830 cal BP), foi obtido um valor de ΔR negativo, ao contrário do que se obteve para o Golfo de Cádiz, o que sugere condições climáticas diferentes entre a fachada atlântica ocidental da Península (diminuição da temperatura, menor insolação das massas continentais) e o sudoeste espanhol (aridez, maior insolação). De qualquer modo, após a reorganização climática que o evento 3 terá provocado, num momento muito próximo, não possível de distinguir com as datas de radiocarbono obtidas, ter-se-á verificado uma intensificação do “upwelling” na costa portuguesa, que se traduziu por um máximo na série de ΔRs, enquanto que, com essa reorganização climática, terminou o período de cerca de 500 anos de existência de um “upwelling” activo na costa andaluza do Golfo de Cádiz, para não mais esse fenómeno voltar a ocorrer de um modo activo naquela orla costeira. iv) O período entre 4000 e 3000 BP, a que corresponderá um clima mais quente e seco do que o anterior para a costa portuguesa, com expansão de taxa termomediterrâneos, deverá caracterizar-se por um “upwelling” costeiro intenso e, por conseguinte, por valores altos de ΔR. No entanto, a inexistência da determinação de qualquer valor de ΔR para este intervalo de tempo, quer para a costa portuguesa, quer para a costa andaluza do Golfo de Cádiz, quer para a costa ocidental galega, torna impossível corroborar as inferências anteriores. v) Pelo contrário, a partir de 3000 BP dispôe-se de uma boa amostragem para a costa portuguesa e razoável para os outros troços de costa investigados. Verifica-se que, na costa galega, ao contrário do que sucede para a costa portuguesa, os valores de ΔR são todos negativos até ca. 1000 cal AD, o que sugere um “upwelling” inexistente ou, quando muito, de fraca intensidade. O mesmo acontecerá para a costa andaluza, embora aqui essa situação ocorra muito provavelmente desde 4000 BP e se prolongue até à actualidade. Para a costa portuguesa, a partir de 3000 BP terá existido um “upwelling” activo, mas menos intenso que o actual, excepto durante o Pequeno Óptimo Climático, quando se terá aproximado dos valores modernos. Por seu lado, na costa galega, a partir do pico de ca. 1000 cal AD, isto é, a partir da reorganização climática desencadeada por esse evento, observa-se o aparecimento e intensificação do “upwelling” costeiro, embora dentro de uma certa variabilidade como os valores positivos e negativos determinados para ΔR sugerem. A grande variabilidade climática do Holocénico, com uma dimensão insuspeitada até à poucos anos atrás (por ex., os eventos de frio foram apenas identificados e estudados a partir dos meados dos anos noventa), tem, como este estudo demonstra, reflexos profundos na intensidade do “upwelling” costeiro nas margens atlânticas ocidental e meridional da Península Ibérica. Deverá sublinhar-se que esta dissertação constitui o estudo mais completo até hoje efectuado sobre o efeito de reservatório oceânico e que este é o “proxy” que proporciona o sinal mais directo sobre a actividade do “upwelling” costeiro.
