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- Impacto da utilização de ácido gálhico, ácido ferúlico e eugenol em modo contínuo na suscetibilidade de Pseudomonas aeruginosaPublication . Nunes, Andreia Patrícia Ângelo; Faleiro, Leonor; Miguel, Maria GraçaA bactéria Pseudomonas aeruginosa é responsável por infeções associadas à cateterização de doentes hospitalizados tendo também uma elevada incidência em infeções em queimados. Devido à sua grande capacidade de aquisição de resistência aos antibióticos utilizados no seu tratamento esta tem sido alvo de preocupação por parte da comunidade médica e investigadores. Por este motivo existe uma necessidade de procura de novos compostos com atividade antibacteriana que possam substituir os antibióticos atualmente em uso ou atuar em sinergia com os mesmos. A tendência tem sido procurar/extrair compostos presentes na natureza e utilizá-los no tratamento de infeções bacterianas. O medronheiro (Arbutus unedo L.) é um arbusto com distribuição mediterrânica cujo fruto (medronho) tem sido essencialmente usado na produção de bebidas destiladas (aguardente de medronho). Também as suas folhas têm sido usadas, desde tempos antigos, na medicina tradicional e existem estudos que lhe conferem propriedades biológicas. Contudo são limitados os estudos que se debruçaram sobre a bioatividade do medronho. O principal objetivo deste trabalho consistiu em verificar a eficácia de dois componentes do extrato do medronho, o ácido gálhico e o ácido ferúlico, e de um componente maioritário naturalmente presente no óleo essencial do cravo-da-índia (Syzygium aromaticum (L.) Merrill & Perry), o eugenol, contra três estirpes de P. aeruginosa. Além disso pretendeu-se estudar a aquisição de respostas de tolerância desta bactéria a esses compostos. Os resultados obtidos demonstraram, para os três componentes, um efeito inibitório sobre as estirpes bacterianas estudadas. Verificado o seu efeito sobre o crescimento bacteriano, submeteu-se a bactéria à exposição contínua e sequencial a concentrações sub-letais dos componentes em estudo e avaliou-se o efeito desta adaptação sobre o perfil de suscetibilidade aos antibióticos e aos próprios componentes observando-se que a exposição repetida da bactéria aos componentes não conduziu a nenhum decréscimo na suscetibilidade aos mesmos, o que apoia a hipótese da não aquisição de resistência a componentes naturais. Contudo verificou-se a aquisição de resistência à ciprofloxacina e à eritromicina, após adaptação ao eugenol e ao ácido ferúlico, respetivamente. Avaliou-se também o efeito da adaptação ao eugenol sobre o sistema de perceção de quórum, tendo-se observado que a adaptação ao eugenol inibiu a síntese de homoserina em P. aeruginosa. Por último, estudou-se o efeito da adaptação ao eugenol (1313,6 μg/ml) no potencial de virulência no modelo Galleria mellonella, tendo-se observado que a adaptação ao eugenol não conduziu a alterações na mortalidade das larvas. Com este trabalho conclui-se que o ácido ferúlico e o eugenol são agentes antibacterianos eficazes contra P. aeruginosa e que a exposição contínua aos mesmos não induz resistência nem aos próprios componentes nem aos outros agentes antimicrobianos testados.
