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- Unravelling the biotechnological potential of halophyte species from the Algarve coastPublication . Rodrigues, Maria João da Silva; Custódio, Luísa; Barreira, Luísa; Nogueira, José Manuel FlorêncioThis work explored the potential of halophyte plants from the Algarve coast as sources of bioactive compounds with biotechnological applications in the pharmaceutical, food and cosmetic areas. Halophytes are salt-tolerant plants that survive in extreme environments and are equipped with powerful defence mechanisms to manage environmental stress, including the production of bioactive molecules. Despite their enormous potential, halophytes are still quite underexplored regarding their biotechnological applications. This study focused on Frankenia laevis L. (sea-heath), Halopeplis amplexicaulis (Vahl) Ces., Pass. & Gibelli, Juncus acutus L. (spiny rush), J. inflexus L. (wire rush), J. maritimus L. (seaside rush), Limonium algarvense Erben (sea lavender), and Polygonum maritimum L. (sea knotgrass). Methanol and dichloromethane extracts from different plant organs were prepared, evaluated for in vitro antioxidant, antidiabetic, anti-hyperpigmentation and neuroprotective activities, and chemically characterized. Sea lavender and sea knotgrass were selected for their high in vitro antioxidant, neuroprotective, anti-hyperpigmentation and antidiabetic properties, and Juncus species for their in vitro antioxidant and neuroprotective capacities. Sea lavender and sea knotgrass had a high phenolics content, presenting a broad diversity of phenolic acids and flavonoids, respectively. The sea knotgrass had the highest in vitro antioxidant, anti-inflammatory, antidiabetic, neuroprotective and anti-hyperpigmentation properties, closely followed by the sea lavender. Hence, sea lavender and sea knotgrass were selected for experimental production in a greenhouse using different irrigation salinities; freshwater-irrigated plants had the best growth performance and biological properties. Juncunol, a compound isolated from the spiny rush, had in vitro neuroprotective properties, as well as apoptosis-inducing capacity towards hepatocellular carcinoma cells. In conclusion, the halophytes sea lavender, sea knotgrass and spiny rush can be useful sources of bioactive molecules that can potentially help to prevent oxidative stress-related diseases, delay neurodegeneration and hyperpigmentation. The spiny rush is also a promising source of compounds, namely juncunol, with in vitro antihepatocellular carcinoma activity.
- Weakfish cynoscion regalis (pisces: sciaenidae) (Bloch & Schneider, 1801) ecology in its non-indigenous range and its potential as a new fishing resourcePublication . Cerveira, Inês Maria Ferreira de Morais; Teodósio, Maria A.; Morais, PedroAs espécies invasoras podem interferir em processos ecológicos previamente estabelecidos num ecossistema, existindo assim uma preocupação acrescida com as espécies que possam prejudicar populações de espécies nativas com valor comercial. É o caso da corvinata-real Cynoscion regalis (Pisces: Sciaenidae), também conhecida por corvina americana ou rainha, uma espécie nativa da costa NE da América do Norte, que estabeleceu uma população invasora no estuário do Sado, tendo já sido registada em vários pontos da Península Ibérica. Os pescadores manifestaram a sua preocupação com a competição que possa existir entre a corvinata-real e os peixes nativos com valor comercial, contudo, não há evidências científicas que demonstrem que a corvinata-real está a competir com espécies nativas por alimento e espaço. Assim, o principal objetivo deste trabalho é fornecer as primeiras informações relativas à ecologia da população de corvinata-real no estuário do Sado, enquanto os seus objetivos específicos são: i) determinar a dieta e estratégia alimentar usada pela corvinata-real, através da análise de conteúdos estomacais, bem como de três espécies nativas com valor comercial – corvina-legítima Argyrosomus regius, robalo Dicentrarchus labrax e sargo Diplodus sargus; ii) inferir a sua posição trófica e a sobreposição de nicho trófico com estas três espécies nativas, através da análises de isótopos estáveis de carbono e azoto; iii) inferir o uso do habitat da corvinata-real através da análise da química de otólitos e averiguar a sobreposição de habitat com as três espécies nativas; iv) discutir os potenciais impactos desta invasão nos recursos pesqueiros do estuário do Sado, tendo em consideração a dieta e o habitat usado pela espécie ao longo do ciclo de vida; v) avaliar o potencial da corvinata-real como um novo recurso pesqueiro, através de inquéritos realizados a consumidores voluntários, e acções de sensibilização (parceria com chefs locais e publicação de dois comunicados de imprensa). Os resultados dos conteúdos estomacais apontam que no estuário do Sado, a corvinata-real é predadora de crustáceos (53%) (principalmente mysidaceos, carídeos, isópodes e caranguejos), peixes (45%) (principalmente peixe-rei Atherina sp. e anchova Engraulis encrasicolus e cefalópodes (2%). Um caso de canibalismo foi verificado. Assim, esta espécie parece alimentar-se dos mesmos grupos de presas e em proporção semelhante ao que acontece na região nativa. A estratégia alimentar é generalista e a população aparenta ser composta por indivíduos especialistas, ou seja, indivíduos que têm preferência por diferentes presas, havendo assim uma baixa sobreposição de presas entre indivíduos. Este foi certamente um fator importante que influenciou esta espécie a estabelecer-se nesta região. Os resultados da análise de isótopos estáveis revelaram que a corvinata-real, a corvina-legítima e o robalo estão a alimentar-se no mesmo nível trófico, enquanto que o sargo está um nível trófico abaixo, uma indicação de que o sargo está a consumir presas diferentes ou em diferente proporção. Não houve uma sobreposição significativa de nicho isotópico, ou índice de Pianka (calculado com base no número e tipos de presas consumidas), entre a corvinata-real e as outras três espécies, rejeitando a hipótese de que a corvinata-real está a competir por alimento com estas espécies nativas. No entanto, a probabilidade de sobreposição de nicho foi maior com a corvina-legítima, indicando uma maior probabilidade de competição por alimento, possivelmente por serem espécies taxonomicamente próximas. A análise química dos otólitos revelou que identicamente à região nativa, a corvinata-real realiza um padrão anual de migrações, usando o estuário (até à zona de água doce) na primavera e no verão, e as áreas costeiras no inverno. Confirma-se, assim, a utilização simultânea do estuário pela corvinata-real, corvina-legitima, robalo e sargo, evidenciando a competição pelo uso do habitat. Em relação aos potenciais impactos desta espécie noutros recursos pesqueiros, a corvinata-real poderá afectar a demografia das suas presas, algumas com valor comercial na região do estuário do Sado (ex: carapau Trachurus trachurus, anchova Engraulis encrasicolus, lula comum Loligo vulgaris, e choco comum Sepia officinalis. Poderá também competir com espécies nativas através da competição por alimento, uma vez que outras espécies também se alimentam das mesmas presas (ex: dourada Sparus aurata, sargo-do-senegal Diplodus bellottii, a anchova Engraulis encrasicolus, o carapau Trahurus trachurus, o choco comum Sepia officinalis, lula comum Loligo vulgaris, polvo comum Octopus vulgaris, golfinho-roaz Tursiops truncatus). Contudo é difícil responsabilizar a corvinata-real por algum impacto, uma vez que outros factores podem prejudicar espécies nativas, como a perda de habitat ou pesca excessiva. Há também a possibilidade de espécies nativas usarem a corvinata-real como alimento, uma questão que deverá ser abordada em estudos futuros com maiores amostragens de espécies nativas. Os resultados dos inquéritos revelaram que esta espécie tem um grande potencial para ser bem aceite no mercado: grande parte dos consumidores demonstrou interesse em adquirir o peixe posteriormente; a maioria prefere peixe selvagem e por isso muitos optariam por adquirir a corvinata-real em vez de peixes nativos provenientes de aquacultura; reconhecem que a espécie está subvalorizada (5€ kg-1) e estão dispostos a pagar em média mais 3€ kg-1 que o preço médio actual. Verificamos também que o principal motivo que levou os consumidores a preferirem outras espécies de peixes nativos (ex: corvina-legítima, dourada, sardinha) é a falta de informação sobre a espécie e o hábito de consumo. Assim, uma opção para contornar este conservacionismo dos consumidores será criar acções de divulgação que os informem sobre os benefícios de consumir uma espécie invasora, destacar a sua proveniência (mar), e promover o seu uso em pratos que melhorem o seu sabor e textura, nomeadamente pratos que envolvam o peixe partido, como caldeiradas ou massadas. As acções de sensibilização criadas neste trabalho (parceria com chefs locais e publicação de comunicados de imprensa) demonstraram que existe interesse na corvinata-real e na temática das espécies invasoras, permitindo assim a promoção deste novo recurso-pesqueiro e a consciencialização dos portugueses sobre o aparecimento de espécies invasoras. Assim, a comercialização da corvinata-real tem potencial para ser optimizada e poderá vir a contribuir para a redução da população no estuário do Sado e minimizar os seus possíveis impactos. Contudo, é importante considerar os riscos e benefícios desta abordagem e incluir acções de monitorização e de divulgação que clarifiquem que os benefícios da sua comercialização não superam os benefícios do controlo da população a longo prazo.