Percorrer por data de Publicação, começado por "2024-03-08"
A mostrar 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de ordenação
- Documentos das provas de agregação de João Miguel Mico Cascalheira. Titulo da Lição: Dinâmicas culturais na transição Gravetense-Solutrense no sudoeste da Península IbéricaPublication . Cascalheira, JoãoRelatório apresentado no âmbito das provas de habilitação para o título de Agregado no ramo de conhecimento de Arqueologia pela Universidade do Algarve, de acordo com o Art.º 8.º do Decreto-Lei n.º 239/2007, de 19 de junho, e com o Art.º 4.º do Despacho n.º 2251/2020, de 17 de fevereiro. Em termos gerais, a Arqueologia pré-década de 1960 estava maioritariamente baseada numa descrição empírica da cultura material, o que incluía acreditar que uma grande quantidade de dados “falariam” sempre por si próprios. Os padrões emergiriam do estudo descritivo de coleções de dados, permitindo que cerâmicas, ferramentas em pedra ou estruturas arqueológicas fizessem sentido quando agrupadas segundo determinadas características, às quais depois eram atribuídos limites espaciais e temporais por meio do conceito normativo Childeano de “Cultura Arqueológica” (Johnson, 2019). Devido a este contexto teórico, os dados eram tidos como adquiridos pela maior parte dos arqueólogos e o processo de observação, registo e interpretação necessitava de pouca, se não mesmo nenhuma, justificação (Lock, 2003). As mudanças com a Nova Arqueologia, iniciadas na década de 1960 e intensificadas na década seguinte, marcaram a introdução do método científico e a rejeição da percepção subjetiva do empirismo arqueológico (Johnson, 2019; Trigger, 1989). No centro desta nova corrente estava a crença na objetividade por meio da observação sistemática, medição e registo de dados através da adoção dos denominados métodos quantitativos. Acreditava-se que a objetividade seria alcançada ao separar a teoria da prática, permitindo que os dados fossem medidos de forma independente por qualquer sujeito observador (Lock, 2003). Assim, enquanto a ligação anterior entre dados e teoria era indutiva, i.e. , uma recolha imparcial de "todos" os dados iria produzir teoria, o novo paradigma da arqueologia processual tinha como ponto central um raciocínio hipotético-dedutivo em que o conhecimento é acumulado através do teste de hipóteses explícitas (muitas vezes através do uso de testes estatísticos de significância) sobre dados recolhidos na base do que seria relevante para a análise (Trigger, 1989). A grande implicação do método científico para a Arqueologia tornou-se, assim, na possibilidade de criar uma Arqueologia global, unida por métodos padronizados de análise (Clarke, 1968), aplicáveis a qualquer conjunto de dados para estabelecer generalizações interculturais ou até mesmo "leis" do conhecimento arqueológico. (...)
