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TRANSPORTE E DEPOSIÇÃO DE SUSPENÇÕES ESTUARINAS NA PLATAFORMA CONTINENTAL PORTUGUESA
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Dinâmica da matéria particulada em suspensão na plataforma continental minhota e sua relação com a cobertura sedimentar
Publication . Oliveira, Anabela Tavares Campos; Dias, Alveirinho
O objectivo principal do presente trabalho consiste na caracterização dos processos que
determinam e controlam a dispersão do material particulado em suspensão (MPS) na
plataforma e bordo continentais portugueses a norte de 41ºN, com a elaboração de um modelo
conceptual de dinâmica sedimentar da MPS.
Para a prossecução deste objectivo foram realizados diversos cruzeiros científicos com
aquisição de dados in situ, nomeadamente, hidrológicos, meteorológicos, correntométricos e
sedimentológicos em épocas contrastadas.
Pretendeu-se efectuar a caracterização composicional e dimensional da MPS presente nas
massas de águas tipicamente oceânica e costeira, com identificação das possíveis fontes quer
continentais, quer orgânicas ou com origem na cobertura sedimentar da plataforma.
A dinâmica dos níveis nefelóides na plataforma e bordo continental, são controladas
principalmente pelos seguintes factores: a) a hidrologia das águas da plataforma e bordo, isto
é, os níveis nefelóides geralmente acompanham as isopícnicas; b) circulação prevalecente na
plataforma em situação de upwelling ou downwelling; c) dispersão do material dos rios
(sobretudo o rio Douro); d) ressuspensão dos depósitos finos da plataforma média induzida
pela ondulação; e) existência de uma morfologia peculiar com a presença do canhão do Porto e
de afloramentos rochosos na plataforma externa.
Foram identificados dois níveis nefelóides de superfície (CNS) e de fundo (CNF) que se
definem a partir dos 25-30m de profundidade, coalescendo a profundidades inferiores. A
circulação geral controla a extensão e desenvolvimento dos nefelóides apresentando
comportamentos distinto em situação de upwelling e downwelling. No Inverno, em condições de
downwelling, foi observada uma CNF intensa devido ao fornecimento dos rios e remobilização
pela onda dos depósitos finos da plataforma média (100m de profundidade) que se estende
até ao bordo seguindo as isopícnicas. No bordo da plataforma destaca-se dando origem a
camadas nefelóides intermédias (CNI). A CNS encontra-se muito limitada à plataforma
interna, sendo essencialmente formada por partículas terrígenas. O transporte de partículas
para zonas profundas é feito essencialmente na CNF e através do canhão submarino do Porto.
Em situações de upwelling, desenvolve-se uma CNS na plataforma e bordo bem evidente e
separada da CNF por águas com baixa turbidez. A estratificação da coluna de água e a
circulação para o largo à superfície favorece a dispersão das partículas na CNS que é
essencialmente formada por partículas de origem orgânica.
No bordo da plataforma foram identificadas CNI, com origens diversas. Podem resultar do
destacamento da CNF, desenvolvem-se no bordo por acção conjunta da corrente da vertente e
marés ou pelo efeito das ondas internas.
O estudo de amostras seleccionadas de MPS ao microscópio electrónico de varrimento
revelou que o material pode ocorrer em agregados que usualmente incluem cocólitos. A
componente terrígena da MPS geralmente tem maior expressão na CNF, sendo a CNS formada
maioritariamente por partículas orgânicas. A componente terrígena determinada por
difractometria de raios X (DRX) é composta essencialmente por minerais das argilas (ilite,
caulinite, clorite e esmectite) com outros minerais em quantidades menores, como quartzo,
micas, feldspatos potássicos e plagioclases
O estudo da componente orgânica da MPS durante o Inverno, nomeadamente o nanoplâncton
calcário (cocolitóforos), permitiu a identificação de espécies típicas de regiões subtropicais e
temperadas, que se aproximam do offshore ibérico em períodos de downwelling. A espécie G.
oceanica parece preferir áreas com turbidez elevada mas salinidade normal, tendo sido
detectada a bordejar as plumas dos rios. Perto do fundo, foi reconhecido a importância destas
pequenas partículas orgânicas para a identificação de processos de ressuspensão.
A mineralogia da fracção fina dos sedimentos de fundo, determinada por DRX, foi usada como
indicadora da dinâmica sedimentar. Este estudo permitiu confirmar a circulação predominante
para norte que se verifica sobretudo de inverno em condições de downwelling. Os sedimentos a
sul do paralelo 42ºN são mais imaturos e consequentemente mais próximos à fonte, sendo
evidente um aumento da maturidade do sedimento para norte do rio Minho, expresso pelo
conteúdo de feldspatos e micas nos sedimentos finos. O padrão de distribuição dos minerais
das argilas depende essencialmente da descarga dos rios, sendo a composição do material que
sai dos mesmos muito semelhante à composição mineralógica da fracção argilosa da cobertura
sedimentar formada essencialmente por ilite (70-85%), caulinite (15-25%), clorite (5%) e
esmectite (vestigial). Os dados disponíveis (mineralogia e cristalinidade) parecem também
indicar uma rede de transporte para norte e para o largo dos sedimentos silto-argilosos.
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Fundação para a Ciência e a Tecnologia
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PRAXIS XXI/BD/5667/95