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Orientador(es)
Resumo(s)
Os processos actuantes sobre as arribas rochosas são variados, incluindo
processos continentais, marinhos e intrínsecos ao próprio substrato rochoso. Por
exemplo, a vulnerabilidade das rochas ao ataque directo das ondas, é directamente
proporcional ao seu grau de alteração e inversamente proporcional à sua dureza. Por sua
vez, a intensidade do ataque às arribas rochosas pelas ondas depende de características
das ondas, batimetria, topografia das praias e plataformas de abrasão, orientação da
linha de costa, existência de sobreelevação do nível do mar e amplitude das marés
(Emery e Kuhn, 1982; Sunamura, 1983, 1992).
O sector costeiro de arribas rochosas do Algarve central (Galé a Olhos de Água),
proposto para estudo, expõe principalmente a Formação Carbonatada de Lagos-
Portimão do Miocénico (Pais, 1982). Constitui excepção o sector entre as praias de S.
Rafael e da Baleeira, onde as arribas litorais expõem margas do Cretácico e calcários do
Jurássico (Marques, 1997; Albardeiro, 2004; Moura et al., 2006).
Perceber a interacção entre todos os processos actuantes sobre as arribas
rochosas, conjugado com o conhecimento da modelação de propagação da agitação
marítima predominante, que consiste no objectivo principal deste trabalho, poderá ser a
chave para definir qual o factor de primeira ordem na evolução das costas rochosas.
Tendo em atenção o objectivo proposto, conjugou-se modelação numérica (propagação
e incidência de ondas junto à costa) com a avaliação qualitativa de movimentos de
massa e geoformas. No contexto de modelação numérica, foi usado o programa ArcGIS
9.2 como ferramenta de pré-processamento de dados, de forma a rearranjar os dados de
entrada de acordo com os requisitos do programa de modelação da agitação marítima
utilizado – SMS 9.2, com domínio de aplicação tipo STWAVE. Posteriormente à
obtenção dos dados de saída das simulações, numa fase de pós-processamento de dados,
foi utilizado o programa MATLAB R2007a, de forma a obter linhas de alturas
significativas na rebentação e respectivos valores de energia das ondas, ao longo do
troço costeiro em estudo. Uma vez que a linha de costa da área de estudo mostra uma
forte variação longilitoral em relação à sua exposição às ondas, foram definidos cinco
sectores com diferentes orientações. Dado a esta definição de troços de orientação
diferenciada e à variabilidade longilitoral nas geoformas que os constituem, foi possível
analisar a frequência de ocorrência de uma dada geoforma ao longo de troços com igual
litologia mas diferente orientação à ondulação dominante.
Os resultados deste trabalho apontam para uma clara diferenciação energética
III
entre troços costeiros, em função da sua orientação e do rumo de agitação (ex. SW
versus SE). Sendo o sector II, um dos mais energéticos, e os sectores I e V, os menos
energéticos. Foi ainda possível comprovar que existe uma correlação positiva entre os
sectores energéticos e a percentagem de plataformas de abrasão, bem visível para as
condições de onda mais severas/tempestade. Comprovando assim que a energia das
ondas é determinante para a formação de plataformas de abrasão. Promontórios e
plataformas de abrasão ocorrem maioritariamente nos sectores mais expostos à agitação
tanto de SW (232º) como de SE (128º), enquanto as baías e praias encastradas se
correlacionam positivamente com os sectores menos energéticos.
Descrição
Dissertação mest., Oceanografia, Universidade do Algarve, 2008
Palavras-chave
Teses Morfologia da costa Zona costeira Costas rochosas Modelação Ondas Dieta mediterrânica
