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O HIV possui uma alta taxa de mutação que lhe permite facilmente desenvolver resistências a inibidores de entrada e outros, pelo que se torna importante tentar perceber quais os mecanismos envolvidos na aquisição de resistências.
Estudos anteriores demonstram haver uma grande diferença na susceptibilidade ao inibidor de entrada MAb 2D7 por parte de duas estirpes de HIV-2. Enquanto que uma concentração de 10 μg/mL de MAb 2D7 inibe a actividade viral do HIV-2ALI em 84%, a mesma concentração apenas inibe 4% da actividade viral do HIV-2ABG [Espírito Santo, 2009]. Assim, desenvolveu-se este trabalho numa tentativa de identificar alterações genéticas no gene env que possam estar envolvidas na resistência ao MAb 2D7. Para tal analisaram-se as sequências do gene env das estirpes HIV-2ALI, HIV-2ABG e HIV-2ALIr, a estirpe HIV-2ALI adaptada ao MAb 2D7. Em relação ao HIV-2ALI, o HIV-2ALIr sofreu a perda de um potencial local de N-glicosilação na região V1/V2 que poderá ser importante para a aquisição de resistência ao MAb 2D7. Possui ainda outras alterações aminoacídicas que poderão ser importantes na modulação da resistência. A sequência do HIV-2ABG é bastante diferente da do HIV-2ALI pelo que se torna mais difícil identificar mutações que lhe possam conferir resistência ao MAb 2D7 e não foi possível identificar nenhum padrão nos aminoácidos substituídos. Assim como acontece com o HIV-2ALIr, o padrão dos potenciais locais de glicosilação dependentes da asparagina da região V1/V2 é diferente em relação à mesma região do HIV-2ALI, indicando que esta diferença poderá estar envolvida na aquisição de resistência ao MAb 2D7. A capacidade do HIV-2ALIr e do HIV-2ABG de se ligarem ao co-receptor CCR5 na presença do MAb 2D7 poderá ser devida a uma preferência em ligarem-se ao domínio N-terminal do co-receptor CCR5, ao invés da segunda ansa extracelular como é o caso do HIV-2ALI.
