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Abstract(s)
A intervenção com programas baseados em mindfulness, em contexto prisional, tem sido associada, nas últimas décadas, a um aumento do bem-estar físico e psicológico e a uma maior capacidade de regulação emocional nos reclusos (Kabat-Zinn, 1993). Também as evidências têm vindo a demonstrar outros benefícios da prática de meditação mindfulness, tais como diminuição dos níveis de ansiedade (Xu, Jia, Liu, & Hoffmann, 2016) e distresse (Samuelson, Carmody, Kabat-Zinn, & Bratt, 2007), e aumento da autoestima (Himelstein, Saul, & Garcia-Romeu, 2015), na população reclusa. Apesar do aumento de estudos empíricos neste contexto específico, os resultados são pouco significativos, inconclusivos e apresentam algumas limitações metodológicas.
Este estudo teve como principal objetivo testar a eficácia de um programa baseado em mindfulness na diminuição de sintomas depressivos, ansiedade e afetos negativos e no aumento de afetos positivos, autoestima e capacidade mindfulness, numa amostra de reclusos do sexo masculino.
A amostra foi constituída por 30 reclusos de um estabelecimento prisional português (NGrupo Experimental = 14; NGrupo de Controlo = 16). O programa teve a duração de 16 semanas (sessões semanais de 90 minutos). Todos os participantes completaram o mesmo protocolo nos dois momentos de avaliação (pré e pós-programa): Escala de Ansiedade, Depressão e Stresse (EADS-21 - Lovibond & Lovibond, 1995); Escala de Afeto Positivo e Afeto Negativo (PANAS-VRP - Watson, Clark & Tellegen, 1988); Escala de Autoestima de Rosenberg (EAR - Rosenberg, 1965); Questionário das Cinco Facetas Mindfulness (FFMQ - Baer, Hopkins, Krietemeyer, & Toney, 2006); Inventário de Mindfulness de Freiburg (FMI - Walach, Buchheld, Buttenmüller, Kleinknecht, & Schmidt, 2006). O grupo experimental no final da intervenção respondeu ainda a um questionário de avaliação qualitativa sobre a perceção da utilidade e interesse do programa.
Registaram-se diferenças significativas, entre os dois grupos, na capacidade de Observação (FFMQ), apresentando o grupo experimental uma média superior. No grupo experimental, observou-se também um aumento significativo, do momento pré para o momento pós-programa, dos valores da subescala Agir com Consciência (FFMQ). A análise qualitativa mostrou que a maioria dos reclusos que participaram no programa mindfulness avaliaram a intervenção como sendo útil, no dia-a-dia do contexto prisional e no futuro, em contexto não-prisional.
Por último, discutem-se as implicações dos resultados da prática de mindfulness em contexto prisional e apresentam-se algumas limitações deste estudo a ser consideradas em futuros desenvolvimentos da investigação.
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Keywords
Mindfulness Reclusos Estabelecimento prisional