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A figura de Nuno Álvares Pereira, fixada nas crónicas medievais, foi, ao longo
dos séculos, recuperada e apropriada por diversos autores que, face ao contexto
histórico em que viviam, viam na Literatura um meio de intervenção ideológica e na
figura do herói medieval um exemplo eficaz.
Deste modo, foi mantida sempre viva a imagem desta personagem, sendo que a
sua apresentação foi sendo condicionada pelos factores contextuais que levavam à sua
invocação. Para efectuar o estudo às várias recuperações da figura, foram seleccionados
momentos da História de Portugal em que, numa situação de crise nacional, foram
produzidas obras que recuperaram a vida de Nuno Álvares.
Assim, podemos verificar que no século XVII, durante o período dos Filipes, a
construção da figura de Nuno Álvares teve como objectivo fortalecer a imagem da Casa
de Bragança e apelar aos ideais de liberdade e autonomia. Já no século XIX,
condicionado pelo Romantismo, é-nos apresentado um Nuno Álvares da nobreza, que é
adúltero e fraco, física e espiritualmente. Como reacção ao Ultimato inglês, foram
produzidas obras que veiculam a imagem de um homem psicologicamente mais
complexo, relativamente ao que fora fixado nas crónicas medievais. Finalmente, no
século XX é feito um investimento muito grande na vertente religiosa do herói,
condicionado pelo processo de canonização e pela ideologia do Estado Novo.
Posto isto, torna-se evidente a relação estreita e indissociável entre a época em
que as obras foram escritas, a crise então vivida, as intenções do autor e a imagem que
resultou da apropriação efectuada.
Description
Dissertação de mest., Literatura Portuguesa, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Univ. do Algarve, 2004
Keywords
Nuno Álvares Pereira Crónica do Condestável Crónica de D. João I Apropriação ideológica Nacionalismo Crise