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Authors
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Abstract(s)
Marine recreational fishing has a great diversity of activities which can be linked to one another. Such is the case of shore-based angling and the use and harvest of live bait. The quantity and economic value referring to this activity is unsupervised in many parts of the world, especially in Europe, creating a “parallel economy” difficulting the assess of these characteristics. Most of these resources are marine polychaetes, but significant use and harvest of small crustaceans and sipunculids for their use in marine recreational fishing is observed globally. As several taxonomic groups are used all over the world, this study aimed to explore the preference, perceptions, quantities and expenditures of marine recreational rod shore-based anglers on live bait species, destined to increase the information needed to better understand the ecologic and socioeconomic impacts and help the development of management measures that can ensure the sustainability of harvesting activity. Interviews to rod shore-based anglers in main fishing location around the Algarve were conducted during summer months and was found that anglers preferred the use of both native and exotic live bait in their recreational fishing activity, mainly the Diopatra neapolitana, Perinereis sp., and Solen marginatus mostly obtained through local live bait shops. Extrapolation of direct expenses on live bait was estimated to be approximately 2.2 million €, of which comprised around 1.2 million € of native polychaete marine worms, 354000 € of the exotic Perinereis sp., 290000 € of S. marginatus, and 200000 € ghost shrimps (Upogebia sp.). The results of this study indicate that polychaete harvesting should be given equivalent attention to other fisheries, the need of research on the biology and densities of the most used polychaetes in Ria Formosa lagoon, efforts to provide updated information to recreational anglers and the continuous assessment of the live bait harvesting activity.
A pesca recreativa de mar é uma actividade praticada por milhões de pessoas em todo o mundo. A importância cultural, social e economica desta actividade pode ser observada pela alta participação em certas zonas, proporcionando milhares de postos de trabalho e gastos economicos em diversas categorias entre os quais podem ser mencionados equipamentos, iscos, permissões, embarcações, combustível e acomodação. Devido à sobreexploração de certos stocks de recursos marinhos e com a degradação de seus habitats, conflitos entre a pesca comercial e recreativa são frequentes e sendo a pesca comercial normalmente mais mencionada por estes impactos negativos sobre as espécies alvo. Contudo, estudos que têm como foco a pesca recreativa começam a emergir com indicações que esta também pode ter impactos que ajudam à depleção de stocks de espécies de interesse comercial. No entanto, os impactos economicos e biológicos da pesca recreativa ainda não são integrados na gestão dos recursos. Das diferentes actividades referidas como pesca recreativa, a apanha de poliquetas encontra-se intrissicamente ligada a vários modos de pesca como a pesca costeira marinha, em que vários organismos como os poliquetas anelídeos, pequenos crustáceos e bivalves são usados como isco. Apesar de ser uma das categorias significativas no total gasto dos pescadores recreatvios nesta actividade, em muitas partes do globo a avaliação económica destes recursos é dificil de ser averiguada por raramente se encontrarem declarados com IVA, criando assim uma “economia paralela”. O mesmo acontece em Portugal, e desde 2000 foram implementadas legislações que procuram regular a apanha de isco, mas devido à reduzida informação relativa à sua biologia e ecologia, estes recursos podem presentemente não ser regulados sustentavelmente. O aumento da procura de poliquetas para utilização de isco ou como ração em aquacultura levantou preocupações na comunidade científica e gestores de recursos devido ao risco de sobreexploração e impactos que a actividade de apanha e a utilização de iscos exóticos pode criar nos ecossistemas. Para uma melhor compreensão dos impactos ecologicos e socioeconomicos da apanha de isco vivo para a utilização na pesca recreativa de mar e para o desenvolvimento de medidas necessárias para assegurar a exploração sustentável desta actividade, este estudo teve como objectivo identificar as preferências, percepções de uso, gastos e quantidades usadas por pescadores recreativos em isco vivo na região do Algarve. Para obtenção de dados, foram realizadas entrevistas pessoais a pescadores recreativos usando cana nas regiões de Faro, Albufeira, Quarteira, Vilamoura e Vila Real de Santo António, durante os meses de Verão de 2019 (inicio de Junho a final de Agosto) e foram obtidos 140 questionários válidos com informações relativas à pesca realizada em 2018. Dos dados obtidos foi realizada posteriormente uma extrapolação para a região do Algarve utilizando registos na literatura para o número de pescadores recreativos existentes nesta região. O questionário incluíu três temas principais: (i) experiência dos pescador, (ii) percepção da utilização e potenciais impactos de isco vivo, (iii) informação sociodemográfica do pescador. A população de pescadores amostrada mostrou permanecer com as características sociodemograficas registadas em estudos passados sendo ainda caracterizada por ser maioritariamente constituída por pescadores masculinos (94.3%) com idade média de 51.6 anos. Pescam durante todo o ano e são profissionalmente activos com rendimento familiar mensal relativamente baixo. Praticam na sua grande maioria apenas pesca recreativa costeira de cana. Relativamente à preferência de isco, o uso de poliquetas anelídeos ambos nativo e exótico foi o mais utilizado em conjunto com bivalves, maioritariamente obtido através de lojas de isco. As espécies mais utilizadas foram as poliquetas denominadas por Casulo (Diopatra neapolitana), a Koreana (Perinereis sp.) e o bivalve Lingueirão (Solen marginatus). Ente outros iscos usados podem ser realçados as poliquetas como o Parchal (Marphysa sp.), a Minhoca Branca (Nephthys sp.) e o pequeno crustáceo Ralo (Upogebia pusilla). De todas as espécies mencionadas pelos pescadores apenas as poliquetas Koreana, Americana (Glycera dibranchiata) e o sinpunculídeo denominado por Bibis ou Titas (Sinpunculus sp. 2) não são nativos de Portugal continental. Os pescadores amostrados preferem o uso de isco vivo comparativamento a isco morto ou artificial sendo o principal motivo mencionado para esta escolha devido a melhores resultados na pesca, ou seja, maior eficácia na apanha do pescado. No entanto, os pescadores argumentam que a utilização dos diversos tipos de isco varia conforme a estação do ano, modalidade de pesca, espécies alvo da pescaria e os diferentes estados do seu ciclo de vida. A falta de conhecimento relacionado com a utilização de espécies exóticas de isco vivo é notório assim como o hábito de descartar isco não usado para o local de pesca e, por estes motivos, este estudo considera a população amostrada como um potencial vector de introdução de espécies exóticas e organismos ou patogénicos por estes associados. A importância de uma comunidade de pescadores bem informada deve ser realçada, dado que proporciona aos pescadores a oportunidade de tomar decisões sustentáveis que podem simultaneamente beneficiar e salvaguradar a sua experiência de pesca recreativa. O valor médio gasto anual em isco vivo pelos pescadores amostrados foi de 208.3 €, que realizam em média 52.1 saidas de pesca por ano, corresponedendo a uma valor médio gasto de 4 € por saída de pesca. Estes valores são semelhantes aos observados na Europa Ocidental variando em média entre 100 a 350 € anuais gastos em isco vivo. As espécies de isco vivo onde os pescadores do Algarve referiram gastar monetariamente mais foram o Casulo (D. neapolitana), a Koreana (Perinereis sp.) e o Lingueirão (S. marginatus), que quando extrapolados para a região do Algarve utilizando o preço de venda em lojas de isco Algarvias, correspondem a 432000 €, 354000 € e 290000 € em despesas directas anuais respectivamente. Outras espécies com valores significativos foram as poliquetas Minhoca Branca (Nephthys sp.) e Parchal (Marphysa sp.), e o pequeno crustáceo Ralo (U. pusilla) correspondendo a 318000 €, 256000 €, 200000 € em despesas directas anuais respectivamente. Foi calculado que aproximadamente 11.2 toneladas anuais de poliquetas nativas (D.neapolitana, Marphysa sp., Nephthys sp., Hediste diversicolor e Halla parthnopeia) foram utilizadas pelos pescadores recreativo da região do Algarve. Este estudo conclui que a apanha de isco vivo e o seu uso na pesca recreativa de mar é uma actividade social e economicamente relevantes e que apesar dos esforços nos últimos 20 anos que levaram à caracterização desta actividade, informação relativa à biologia, ecologia e densidade das espécies usadas como isco vivo, assim como os impactos de apanha nas principais zonas de apanha como é o caso da Ria Formosa ainda são escassos. De modo a assegurar a exploração sustentada destes recursos, é sugerida a consideração de implementação de períodos de defeso rotativos em áreas de intensa apanha, esforços para informar os pescadores recreativos sobre potenciais impactos da utilização de isco vivo exótico e a contínua avaliação de dados relativos à pesca recreativa de mar assim como da actividade de apanha uma vez que o isco vivo são recursos que podem sofrer flutuações biológicas.
A pesca recreativa de mar é uma actividade praticada por milhões de pessoas em todo o mundo. A importância cultural, social e economica desta actividade pode ser observada pela alta participação em certas zonas, proporcionando milhares de postos de trabalho e gastos economicos em diversas categorias entre os quais podem ser mencionados equipamentos, iscos, permissões, embarcações, combustível e acomodação. Devido à sobreexploração de certos stocks de recursos marinhos e com a degradação de seus habitats, conflitos entre a pesca comercial e recreativa são frequentes e sendo a pesca comercial normalmente mais mencionada por estes impactos negativos sobre as espécies alvo. Contudo, estudos que têm como foco a pesca recreativa começam a emergir com indicações que esta também pode ter impactos que ajudam à depleção de stocks de espécies de interesse comercial. No entanto, os impactos economicos e biológicos da pesca recreativa ainda não são integrados na gestão dos recursos. Das diferentes actividades referidas como pesca recreativa, a apanha de poliquetas encontra-se intrissicamente ligada a vários modos de pesca como a pesca costeira marinha, em que vários organismos como os poliquetas anelídeos, pequenos crustáceos e bivalves são usados como isco. Apesar de ser uma das categorias significativas no total gasto dos pescadores recreatvios nesta actividade, em muitas partes do globo a avaliação económica destes recursos é dificil de ser averiguada por raramente se encontrarem declarados com IVA, criando assim uma “economia paralela”. O mesmo acontece em Portugal, e desde 2000 foram implementadas legislações que procuram regular a apanha de isco, mas devido à reduzida informação relativa à sua biologia e ecologia, estes recursos podem presentemente não ser regulados sustentavelmente. O aumento da procura de poliquetas para utilização de isco ou como ração em aquacultura levantou preocupações na comunidade científica e gestores de recursos devido ao risco de sobreexploração e impactos que a actividade de apanha e a utilização de iscos exóticos pode criar nos ecossistemas. Para uma melhor compreensão dos impactos ecologicos e socioeconomicos da apanha de isco vivo para a utilização na pesca recreativa de mar e para o desenvolvimento de medidas necessárias para assegurar a exploração sustentável desta actividade, este estudo teve como objectivo identificar as preferências, percepções de uso, gastos e quantidades usadas por pescadores recreativos em isco vivo na região do Algarve. Para obtenção de dados, foram realizadas entrevistas pessoais a pescadores recreativos usando cana nas regiões de Faro, Albufeira, Quarteira, Vilamoura e Vila Real de Santo António, durante os meses de Verão de 2019 (inicio de Junho a final de Agosto) e foram obtidos 140 questionários válidos com informações relativas à pesca realizada em 2018. Dos dados obtidos foi realizada posteriormente uma extrapolação para a região do Algarve utilizando registos na literatura para o número de pescadores recreativos existentes nesta região. O questionário incluíu três temas principais: (i) experiência dos pescador, (ii) percepção da utilização e potenciais impactos de isco vivo, (iii) informação sociodemográfica do pescador. A população de pescadores amostrada mostrou permanecer com as características sociodemograficas registadas em estudos passados sendo ainda caracterizada por ser maioritariamente constituída por pescadores masculinos (94.3%) com idade média de 51.6 anos. Pescam durante todo o ano e são profissionalmente activos com rendimento familiar mensal relativamente baixo. Praticam na sua grande maioria apenas pesca recreativa costeira de cana. Relativamente à preferência de isco, o uso de poliquetas anelídeos ambos nativo e exótico foi o mais utilizado em conjunto com bivalves, maioritariamente obtido através de lojas de isco. As espécies mais utilizadas foram as poliquetas denominadas por Casulo (Diopatra neapolitana), a Koreana (Perinereis sp.) e o bivalve Lingueirão (Solen marginatus). Ente outros iscos usados podem ser realçados as poliquetas como o Parchal (Marphysa sp.), a Minhoca Branca (Nephthys sp.) e o pequeno crustáceo Ralo (Upogebia pusilla). De todas as espécies mencionadas pelos pescadores apenas as poliquetas Koreana, Americana (Glycera dibranchiata) e o sinpunculídeo denominado por Bibis ou Titas (Sinpunculus sp. 2) não são nativos de Portugal continental. Os pescadores amostrados preferem o uso de isco vivo comparativamento a isco morto ou artificial sendo o principal motivo mencionado para esta escolha devido a melhores resultados na pesca, ou seja, maior eficácia na apanha do pescado. No entanto, os pescadores argumentam que a utilização dos diversos tipos de isco varia conforme a estação do ano, modalidade de pesca, espécies alvo da pescaria e os diferentes estados do seu ciclo de vida. A falta de conhecimento relacionado com a utilização de espécies exóticas de isco vivo é notório assim como o hábito de descartar isco não usado para o local de pesca e, por estes motivos, este estudo considera a população amostrada como um potencial vector de introdução de espécies exóticas e organismos ou patogénicos por estes associados. A importância de uma comunidade de pescadores bem informada deve ser realçada, dado que proporciona aos pescadores a oportunidade de tomar decisões sustentáveis que podem simultaneamente beneficiar e salvaguradar a sua experiência de pesca recreativa. O valor médio gasto anual em isco vivo pelos pescadores amostrados foi de 208.3 €, que realizam em média 52.1 saidas de pesca por ano, corresponedendo a uma valor médio gasto de 4 € por saída de pesca. Estes valores são semelhantes aos observados na Europa Ocidental variando em média entre 100 a 350 € anuais gastos em isco vivo. As espécies de isco vivo onde os pescadores do Algarve referiram gastar monetariamente mais foram o Casulo (D. neapolitana), a Koreana (Perinereis sp.) e o Lingueirão (S. marginatus), que quando extrapolados para a região do Algarve utilizando o preço de venda em lojas de isco Algarvias, correspondem a 432000 €, 354000 € e 290000 € em despesas directas anuais respectivamente. Outras espécies com valores significativos foram as poliquetas Minhoca Branca (Nephthys sp.) e Parchal (Marphysa sp.), e o pequeno crustáceo Ralo (U. pusilla) correspondendo a 318000 €, 256000 €, 200000 € em despesas directas anuais respectivamente. Foi calculado que aproximadamente 11.2 toneladas anuais de poliquetas nativas (D.neapolitana, Marphysa sp., Nephthys sp., Hediste diversicolor e Halla parthnopeia) foram utilizadas pelos pescadores recreativo da região do Algarve. Este estudo conclui que a apanha de isco vivo e o seu uso na pesca recreativa de mar é uma actividade social e economicamente relevantes e que apesar dos esforços nos últimos 20 anos que levaram à caracterização desta actividade, informação relativa à biologia, ecologia e densidade das espécies usadas como isco vivo, assim como os impactos de apanha nas principais zonas de apanha como é o caso da Ria Formosa ainda são escassos. De modo a assegurar a exploração sustentada destes recursos, é sugerida a consideração de implementação de períodos de defeso rotativos em áreas de intensa apanha, esforços para informar os pescadores recreativos sobre potenciais impactos da utilização de isco vivo exótico e a contínua avaliação de dados relativos à pesca recreativa de mar assim como da actividade de apanha uma vez que o isco vivo são recursos que podem sofrer flutuações biológicas.
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Keywords
Marine recreational fishing Live bait Polychaete worms Shore-based angling Live bait harvesting Direct expenditure