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Abstract(s)
A Cavala da Índia (Acanthocybium solandri) e o Atum albacora (Thunnus albacares) são
hoje em dia as principais espécies alvo da pescaria comercial nas Bermudas, capturadas
principalmente nos bancos submarinos Challenger e Argus. Ambas são espécies migradoras da
família Scombridae que ocorrem em águas tropicais e subtropicais nos oceanos Atlântico,
Pacífico e Índico, incluindo no Mar das Caraíbas e também Mediterrâneo no caso da Cavala.
Embora os seus movimentos e padrões migratórios ainda nao sejam totalmente
compreendidos, pensa-se que ambas as espécies utilizam os montes submarinos das Bermudas
como áreas de alimentação durante as suas migrações sazonais no oceano Atlântico. Enquanto
a Cavala da Índia migra sazonalmente no Atlântico Central Oeste, deslocando-se para águas
mais frias nos meses mais quentes, utilizando a Corrente do Golfo para o efeito, o Atum
albacora apresenta o mesmo padrão geral de movimentos na região, mas também efectua
migrações trans-Atlânticas. Estes movimentos foram detectados sobretudo entre a costa Este
dos Estados Unidos e Golfo do México para o Golfo da Guiné na costa ocidental Africana. O
facto de ser uma espécie endotérmica confere-lhes vantagens na procura de presas e fuga a
predadores, por serem nadadores rápidos e contínuos, e permite-lhes ainda transpor as
barreiras físicas impostas pela temperatura.
O objectivo da pesquisa foi, primáriamente, perceber a influência da variabilidade da
temperatura e da concentração de clorofila (aqui utilizada como um proxy para a
disponibilidade de alimento na região) nas variações das capturas da Cavala da Índia e Atum
albacora nas Bermudas, entre 1990 e 2006, através da decomposição e cruzamento das
respectivas series temporais. Considerando ainda a influência já descrita que a variabilidade dos
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fenómenos atmosféricos exercem sobre as populações de peixes, e tendo em conta que a
Oscilação do Atlântico Norte (NAO) afecta tanto as águas do Mar dos Sargassos como da
Corrente do Golfo, as potênciais relações entre a NAO e as capturas tambem foram exploradas.
Os resultados indicam que tanto a temperatura da água do mar como a concentração
de clorofila fazem variar as capturas de ambas as espécies na área, o que suporta a teoria
anteriormente postulada de que os montes submarinos das Bermudas são utilizados como área
de alimentação sazonal. Enquanto as variações da temperatura da água parecem ser o gatilho
que potencia a dinâmica dos os seus movimentos migratórios, a concentração de clorofila
determinante do tempo que os indivíduos de ambas as espécies permanecem na área das
Bermudas e em que números. No que diz respeito à concentração de clorofila, as melhores
correlações com as capturas foram detectadas com lags de 3 e 6 meses para a Cavala e 4 meses para o
Atum. A Cavala da Índia revelou-se no entanto mais dependente do bloom de primavera, que
até certo ponto é influênciado pela NAO. O aumento da intesidade das tempestades de inverno
na área é potênciado por fases negativas da NAO. Embora as tempestades não sejam tão fortes
como na fase positiva, elas ocorrem a uma latitude mais baixa e por isso influênciam o mar dos
Sargassos. Ocorre então uma mistura mais profunda da coluna de água com a consequente
subida de nutrientes para a zona fótica, o que promove blooms de primavera mais intensos,
proporciona mais alimento para os níveis tróficos intermédios e como tal mais capturas. O
Atum albacora tambem é dependente do bloom de primavera, mas as capturas efectuadas
durante o verão e outono seguem de modo mais fiel os níveis de clorofila de maio e junho. A
espécie poderá usar a ilha e os bancos submarinos como pontos de orientação para as suas
migrações no final da primavera (maio/junho), uma vez que detecta padrões em campos
magnéticos, e movimentar-se à procura de alimento numa região mais vasta durante o verão e
o outono, se a produção primária local não os encorajar a ficar. Esta possível diferenca de
comportamento entre as duas especies poderá estar relacionada com as características
fisiológicas e capacidade de natação do Atum albacora.
A NAO revela tambem um impacto nas populações locais através da sua influência na
latitude da parede norte da Corrente do Golfo. As capturas totais sao geralmente mais elevados
quando uma fase negativa prolongada da NAO resulta numa latitude mais Sul da parede norte
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da Corrente do Golfo. Estes resultados podem simplesmente indicar que os indivíduos são
dirigidos para as Bermudas pela corrente, ou que a posição relativa da latitude da Corrente do
Golfo desempenha um papel importante na determinação das suas áreas de alimentação
preferidas. O Atum albacora apresentou uma correlação um pouco mais elevada com o Índice
da Corrente do Golfo do que a Cavala, o que apoia a teoria de que se desloca numa área mais
vasta do que a última para procurar alimento.
Embora tanto a abundâcia das populações como as suas capturas sejam dependentes
de um grande número de variáveis, os quatro factores aqui investigados parecem enquadrar-se
entre os mais importantes, contribuindo para uma proporção considerável da variabilidade nas
capturas locais de Cavala da Índia e Atum albacora. É no entanto importante ter em mente que
os de dados de capturas comerciais confudem variabilidade climática, de forças ambientais, da
dinânima das populações e de métodos de exploração variáveis, e ainda que a co-ocurrência de
eventos na comparação de séries temporais não prova necessariamente a sua causalidade, e
por esse motivo este estudo deve ser considerado uma análise exploratória inicial.
Description
Dissertação de mest., Biologia Marinha, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade do Algarve, 2009
Keywords
Teses Pescas Temperatura Clorofila Cavala da Índia Atum albacora Correntes marinhas
