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Abstract(s)
Marine litter is present throughout the world's oceans, representing a significant threat to marine ecosystems. While most efforts have focused on assessing ecological impacts, information on the socio-economic dimension of marine litter is scarce. Here we provide a detailed assessment of the direct economic costs of marine litter for a remote region of the North-East Atlantic, the Azores archipelago. Face-to-face interviews were performed to quantify and characterise the costs of marine litter-related incidents and coastal clean-ups to259 sea-users (fishermen, tourist operators and transport companies) and the costs of coastal clean-ups to 21 local authorities (parish councils, municipalities and harbours). We provide a detail characterisation of the frequency, type and costs of marine litter-related incidents and clean-ups along with an evaluation of the perceptions and opinions of different stakeholders on this issue. The average cost of a marine litter-related incident was €1618 (±401, SE), while the average cost associated with cleaning a coastal site was €10233 (±3597, SE) per local authority and year. Overall, marine litter pollution was estimated to cost a total of €710,698 (±195,181; SD) per year, which is the equivalent to 0.02% of the Gross Domestic Product of the Azores archipelago. Our results demonstrate that marine litter can significantly impact the activity of sea-users and represent an important economic burden for local authorities, thus, marine litter creates costs and inconveniences for a range of stakeholders engaged in marine activities and also increases the waste clean-up budgets of small communities living on remote islands. Quantifying the socio-economic implication of marine litter is crucial to further raise public awareness on this issue and demonstrate that the impacts are wide-ranging.
O lixo marinho é qualquer material duradouro, fabricado ou processado que é descartado, eliminado ou abandonado na costa ou no mar. Dos diferentes tipos de lixo marinho, os plásticos são sem dúvida, os mais abundantes e que causam mais impactos. É por isto que atualmente a poluição do meio marinho por este material é reconhecida como um problema que afeta ecossistemas e espécies globalmente, apesar de que a produção de plásticos em grande escala só começou na década dos anos 50. Cada ano, as deficiências no sistema de tratamento de resíduos e na reciclagem provocam grandes descargas de plásticos no meio marinho, tanto acidentais como intencionais. Uma vez no oceano, estes plásticos concentram-se à volta das grandes cidades e nos cinco Giros Subtropicais de correntes oceânicas, acabando por afetar regiões remotas localizadas longe das zonas principais de poluição. A poluição por plásticos é uma questão social séria para a qual os impactos estão apenas a começar a ser avaliados. Apesar de que nas últimas duas décadas houve um aumento dos estudos focados na quantificação dos impactos ecológicos desta problemática no ambiente marinho, ainda existe muito desconhecimento em várias áreas. Assim por exemplo, até agora dedicou-se pouca atenção às implicações económicas que o lixo marinho causa em diferentes sectores. Neste sentido, poucos investigadores têem aprofundado este tema apesar de evidências que demostram que uma ampla gama de setores económicos pode estar potencialmente afetados pelo lixo marinho, o qual atua como um fardo económico significativo para as comunidades costeiras e ataca diretamente as indústrias de turismo, pesca e transporte marítimo. Por exemplo, um estudo que usou dados das estatísticas de seguros do Sistema Nacional das Pescas no Japão mostrou que os custos associados a incidentes relacionados com lixo marinho, incluindo colisões, emaranhamentos das hélices em lixo e entupimentos nas bombas de água, correspondia a um custo para a indústria pesqueira de US $18,450 milhões anuais em 1985. Da mesma forma, em 21 economias da região da Ásia-Pacífico, os custos de danos causados por lixo marinho nas hélices de barcos e sistemas de refrigeração de pequenos navios foram estimados em US $1.26 bilhões por ano. Mas, além destes problemas causados aos utilizadores do mar, a limpeza da orla costeira pode representar outros custos significativos para comunidades costeiras. Um estudo realizado na UE em 1998 mostrou que as limpezas de praias representavam um total de 2.9 milhões de libras por ano, incluindo a recolha e o transporte de lixo marinho, taxas de descarte, força de trabalho e equipamentos. Na Holanda, o município turístico de Den Haag estimou gastar aproximadamente 0.5 milhões de euros por ano para remover lixo marinho das áreas costeiras. Portanto, os gastos relacionados com o lixo marinho podem ser significativos, mesmo quando consideramos pequenas comunidades. O arquipélago dos Açores, um grupo remoto de ilhas vulcânicas localizadas no extremo Nordeste do Oceano Atlântico, é particularmente afetado pelo lixo marinho. Mais especificamente, um estudo realizado nesta região reportou que 83% das tartarugas marinhas analisadas tinham ingerido itens de plástico. Além disso, outros estudos nos Açores demostraram que grandes quantidades de itens da pesca, especialmente equipamentos de pesca perdidos ou descartados intencionalmente, estão presentes no fundo do mar perto de áreas costeiras, nas montanhas submarinas, mas também a flutuar na superfície da água. O objetivo deste trabalho de tese foi quantificar o impacto económico direto e os custos associados ao lixo marinho para a economia do arquipélago dos Açores. Os Açores têm um grande território marinho, onde atividades como a pesca e o turismo são alguns dos setores mais importantes para a economia do arquipélago. Através do uso de entrevistas pessoais, este estudo fornece uma caracterização detalhada da frequência e do tipo de incidentes causados pelo lixo marinho aos principais usuários do mar. Com o objetivo de ter uma avaliação económica abrangente para esta questão, também foram entrevistadas autoridades locais que permitissem estimar o custo das limpezas costeiras. Por fim, foram exploradas as perceções e opiniões das partes interessadas em relação a esta problemática. Esta avaliação socioeconómica contribui para um maior esforço de investigação nesta área com o objetivo de estabelecer uma base que quantifique e caracterize toda a gama de impactos causados pela poluição por plásticos na região dos Açores. Neste estudo foram entrevistados 259 utilizadores do mar (pescadores profissionais e recreativos, empresas marítimas turísticas e empresas de transportes de mercadorias) e 21 autoridades locais gestoras de zonas costeiras (Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, Portos e Marinas). Dos 327 barcos avaliados, um total de 95 barcos reportou incidentes, o que dá uma frequência percentual de ocorrência (%FO) de incidentes relacionados a lixo marinho de 29%. O emaranhado de lixo marinho foi o incidente mais comumente relatado (92%), geralmente associado à hélice do barco (68%; n = 76), mas também as artes de pesca ativas (24%; n = 27) de ambos, tanto pescadores profissionais como pescadores recreativos. Outros tipos de incidentes incluem aqueles onde itens de lixo entopem a bomba de água (4%; n = 5), um problema que afetou a todos os usuários do mar a exceção dos pescadores recreativos. Também foram reportadas colisões com lixo marinho (4%; n = 4), mas apenas por pescadores profissionais e operadores marítimo turísticos. Os resultados obtidos demostram que o custo médio que os utilizadores do mar devem suportar após um incidente relacionado com o lixo marinho é de €1617 (±400, SE), enquanto que o custo médio associado à limpeza de um local costeiro é de €10,233 (± 3597, SE) por ano. Finalmente, a extrapolação destes resultados a todo o Arquipélago dos Açores demostra que o lixo marinho tem um impacto económico estimado de €710,698 (±195,181, SD) por ano. Este valor corresponde a 0.02% do Produto Interno Bruto (PIB) total para os Açores no mesmo ano (PIB: €3,962,000,000, SREA). Em todo o mundo ainda existe um entendimento limitado das implicações económicas do lixo marinho para as comunidades costeiras, principalmente para as regiões remotas. O fato de este estudo mostrar como este problema também está presente num arquipélago oceânico, pode-se incentivar outros investigadores a realizar avaliações económicas semelhantes sobre os impactos económicos do lixo marinho em novos locais. Sendo que nossa sociedade é predominantemente impulsionada por interesses económicos, essas avaliações económicas podem aumentar a conscientização e ajudar a direcionar esforços futuros para controlar a entrada de lixo no meio marinho, e paralelamente, disparar o alarme sobre as consequências de nosso consumo crescente de plásticos.
O lixo marinho é qualquer material duradouro, fabricado ou processado que é descartado, eliminado ou abandonado na costa ou no mar. Dos diferentes tipos de lixo marinho, os plásticos são sem dúvida, os mais abundantes e que causam mais impactos. É por isto que atualmente a poluição do meio marinho por este material é reconhecida como um problema que afeta ecossistemas e espécies globalmente, apesar de que a produção de plásticos em grande escala só começou na década dos anos 50. Cada ano, as deficiências no sistema de tratamento de resíduos e na reciclagem provocam grandes descargas de plásticos no meio marinho, tanto acidentais como intencionais. Uma vez no oceano, estes plásticos concentram-se à volta das grandes cidades e nos cinco Giros Subtropicais de correntes oceânicas, acabando por afetar regiões remotas localizadas longe das zonas principais de poluição. A poluição por plásticos é uma questão social séria para a qual os impactos estão apenas a começar a ser avaliados. Apesar de que nas últimas duas décadas houve um aumento dos estudos focados na quantificação dos impactos ecológicos desta problemática no ambiente marinho, ainda existe muito desconhecimento em várias áreas. Assim por exemplo, até agora dedicou-se pouca atenção às implicações económicas que o lixo marinho causa em diferentes sectores. Neste sentido, poucos investigadores têem aprofundado este tema apesar de evidências que demostram que uma ampla gama de setores económicos pode estar potencialmente afetados pelo lixo marinho, o qual atua como um fardo económico significativo para as comunidades costeiras e ataca diretamente as indústrias de turismo, pesca e transporte marítimo. Por exemplo, um estudo que usou dados das estatísticas de seguros do Sistema Nacional das Pescas no Japão mostrou que os custos associados a incidentes relacionados com lixo marinho, incluindo colisões, emaranhamentos das hélices em lixo e entupimentos nas bombas de água, correspondia a um custo para a indústria pesqueira de US $18,450 milhões anuais em 1985. Da mesma forma, em 21 economias da região da Ásia-Pacífico, os custos de danos causados por lixo marinho nas hélices de barcos e sistemas de refrigeração de pequenos navios foram estimados em US $1.26 bilhões por ano. Mas, além destes problemas causados aos utilizadores do mar, a limpeza da orla costeira pode representar outros custos significativos para comunidades costeiras. Um estudo realizado na UE em 1998 mostrou que as limpezas de praias representavam um total de 2.9 milhões de libras por ano, incluindo a recolha e o transporte de lixo marinho, taxas de descarte, força de trabalho e equipamentos. Na Holanda, o município turístico de Den Haag estimou gastar aproximadamente 0.5 milhões de euros por ano para remover lixo marinho das áreas costeiras. Portanto, os gastos relacionados com o lixo marinho podem ser significativos, mesmo quando consideramos pequenas comunidades. O arquipélago dos Açores, um grupo remoto de ilhas vulcânicas localizadas no extremo Nordeste do Oceano Atlântico, é particularmente afetado pelo lixo marinho. Mais especificamente, um estudo realizado nesta região reportou que 83% das tartarugas marinhas analisadas tinham ingerido itens de plástico. Além disso, outros estudos nos Açores demostraram que grandes quantidades de itens da pesca, especialmente equipamentos de pesca perdidos ou descartados intencionalmente, estão presentes no fundo do mar perto de áreas costeiras, nas montanhas submarinas, mas também a flutuar na superfície da água. O objetivo deste trabalho de tese foi quantificar o impacto económico direto e os custos associados ao lixo marinho para a economia do arquipélago dos Açores. Os Açores têm um grande território marinho, onde atividades como a pesca e o turismo são alguns dos setores mais importantes para a economia do arquipélago. Através do uso de entrevistas pessoais, este estudo fornece uma caracterização detalhada da frequência e do tipo de incidentes causados pelo lixo marinho aos principais usuários do mar. Com o objetivo de ter uma avaliação económica abrangente para esta questão, também foram entrevistadas autoridades locais que permitissem estimar o custo das limpezas costeiras. Por fim, foram exploradas as perceções e opiniões das partes interessadas em relação a esta problemática. Esta avaliação socioeconómica contribui para um maior esforço de investigação nesta área com o objetivo de estabelecer uma base que quantifique e caracterize toda a gama de impactos causados pela poluição por plásticos na região dos Açores. Neste estudo foram entrevistados 259 utilizadores do mar (pescadores profissionais e recreativos, empresas marítimas turísticas e empresas de transportes de mercadorias) e 21 autoridades locais gestoras de zonas costeiras (Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, Portos e Marinas). Dos 327 barcos avaliados, um total de 95 barcos reportou incidentes, o que dá uma frequência percentual de ocorrência (%FO) de incidentes relacionados a lixo marinho de 29%. O emaranhado de lixo marinho foi o incidente mais comumente relatado (92%), geralmente associado à hélice do barco (68%; n = 76), mas também as artes de pesca ativas (24%; n = 27) de ambos, tanto pescadores profissionais como pescadores recreativos. Outros tipos de incidentes incluem aqueles onde itens de lixo entopem a bomba de água (4%; n = 5), um problema que afetou a todos os usuários do mar a exceção dos pescadores recreativos. Também foram reportadas colisões com lixo marinho (4%; n = 4), mas apenas por pescadores profissionais e operadores marítimo turísticos. Os resultados obtidos demostram que o custo médio que os utilizadores do mar devem suportar após um incidente relacionado com o lixo marinho é de €1617 (±400, SE), enquanto que o custo médio associado à limpeza de um local costeiro é de €10,233 (± 3597, SE) por ano. Finalmente, a extrapolação destes resultados a todo o Arquipélago dos Açores demostra que o lixo marinho tem um impacto económico estimado de €710,698 (±195,181, SD) por ano. Este valor corresponde a 0.02% do Produto Interno Bruto (PIB) total para os Açores no mesmo ano (PIB: €3,962,000,000, SREA). Em todo o mundo ainda existe um entendimento limitado das implicações económicas do lixo marinho para as comunidades costeiras, principalmente para as regiões remotas. O fato de este estudo mostrar como este problema também está presente num arquipélago oceânico, pode-se incentivar outros investigadores a realizar avaliações económicas semelhantes sobre os impactos económicos do lixo marinho em novos locais. Sendo que nossa sociedade é predominantemente impulsionada por interesses económicos, essas avaliações económicas podem aumentar a conscientização e ajudar a direcionar esforços futuros para controlar a entrada de lixo no meio marinho, e paralelamente, disparar o alarme sobre as consequências de nosso consumo crescente de plásticos.
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Plastic pollution Economic assessment Stakeholders Outermost regions Atlantic ocean