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Age and growth of the blue shark (Prionace glauca) in the Indian Ocean

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Abstract(s)

The blue shark, Prionace glauca, is a cosmopolitan species considered to be the most abundant pelagic shark in the world. It is frequently caught in pelagic fisheries, being the most captured shark by the Portuguese pelagic longline fishery targeting swordfish. The biology of blue sharks has been relatively well studied in the Atlantic and Pacific oceans. However, high levels of uncertainty still persist regarding many of its biological aspects in the Indian Ocean, specifically in terms of age estimation and growth modelling. For this study, a total of 818 vertebral samples were collected from blue sharks captured by pelagic longliners in the Indian Ocean, between March 2013 and September 2016, with sizes ranging from 82 to 301 cm fork length (FL). The age of individuals was estimated through counting growth band pairs in sectioned vertebrae, assuming annual deposition. Two growth models were fitted to the age data, a three-parameter von Bertalanffy growth function (VBGF) re-parameterized to calculate L0 (size at birth) and a two-parameter VBGF with a fixed L0. The latter was considered the most adequate to describe the growth of the species, with the estimated parameters being Linf = 272.2 cm FL, k = 0.15 year-1 for males and Linf = 283.2 cm FL, k = 0.13 year-1 for females. These results suggest that females have a slower growth than males. The maximum age estimated was 25 years, representing the oldest attributed age to this species so far. Further work is needed regarding blue sharks in the Indian Ocean, but this study adds important life-history information that can contribute for the management and conservation of the species.
Os tubarões oceânicos permanecem menos estudados que os tubarões costeiros, e estão entre os menos estudados de todos os elasmobrânquios, que incluem raias e tubarões. A sua natureza altamente migratória dificulta o estudo destes organismos, e a falta de fiabilidade por vezes existente em termos de registos de capturas e rejeições limita as projeções em termos dos impactos de atividades pesqueiras. No entanto, a biologia destes organismos, incluindo características como crescimento lento, ciclo de vida longo, maturação sexual tardia, entre outras, torna-os mais vulneráveis em termos de sobreexploração. Neste sentido, a importância destes predadores de topo nas cadeias alimentares oceânicas impõe a necessidade de aumentar o nível de conhecimento sobre os mesmos. A tintureira, ou tubarão azul, como é conhecida a espécie Prionace glauca, é um tubarão pelágico e oceânico com uma distribuição cosmopolita, que inclui águas temperadas e tropicais. Além da distribuição abrangente, esta é considerada a espécie de tubarão pelágico mais abundante em todo o mundo, assumindo, portanto, grande importância nestes ecossistemas a nível global. Apesar de ser uma espécie oceânica, pode ser ocasionalmente encontrada em ambientes costeiros, nomeadamente no caso de juvenis. Grandes migrações são também uma característica desta espécie, podendo os seus movimentos migratórios estar relacionados com o seu ciclo reprodutor, distribuição de presas, correntes oceânicas ou mesmo com a temperatura da água. Relativamente à distribuição da tintureira no Oceano Índico, dados recentes apontam para uma maior abundância de tintureiras de maior dimensão em zonas equatoriais e tropicais, enquanto os indivíduos mais pequenos demonstram uma preferência por zonas temperadas nas latitudes mais altas. A nível de tamanhos, a tintureira ultrapassa os 300 cm, podendo chegar até aos 380 cm. São tubarões vivíparos, com um período de gestação que poderá prolongar-se por 9 ou 12 meses, após os quais as fêmeas dão à luz entre 4 a 135 crias, durante a Primavera e o Verão. Ambos os sexos atingem maturação com um comprimento corporal e idades semelhantes, sendo a idade de maturação para machos entre os 4 e 6 anos, e entre os 5 e 7 anos para fêmeas. Em termos de longevidade, pensa-se que esta espécie possa viver até aos 20 ou 23 anos de idade. A tintureira é uma das espécies de tubarão pelágico mais frequentemente capturada como presa acessória (bycatch) pelas frotas pesqueiras em todo o mundo, principalmente por palangres de superfície. A nível de pesca desportiva, esta espécie é uma das preferidas por parte de quem pratica esta atividade e frequentemente um dos alvos principais. Em termos de pesca comercial, a tintureira tradicionalmente era uma espécie de baixo valor comercial, no entanto o interesse nestes organismos tem vindo a aumentar. No Oceano Índico, esta é a espécie de tubarão mais capturada pela frota Portuguesa de palangre de superfície dirigida ao espadarte, sendo a segunda mais capturada além da espécie alvo. A tintureira encontra-se atualmente listada como uma espécie quase ameaçada (Near Threatened) pela IUCN a nível global, assim como no Nordeste Atlântico, sendo já considerada como criticamente ameaçada (Critically Endangered) no Mediterrâneo. A idade de um organismo é considerada um dos parâmetros biológicos mais importantes, sendo que é necessário por exemplo para o cálculo de taxas de crescimento, taxas de mortalidade, produtividade e longevidade. Em termos de avaliação de stocks em biologia pesqueira, a idade e crescimento são muito relevantes, dado que são utilizados para calcular parâmetros como abundancia e mortalidade, que estão na base do estabelecimento de medidas reguladoras da atividade pesqueira. Os estudos de idade e crescimento em elasmobrânquios são feitos através da análise de deposição de bandas de crescimento em estruturas calcificadas destes organismos, sendo que as suas vértebras são as mais utilizadas para tal. Uma vez que a tintureira é uma espécie muito comum nos ecossistemas pelágicos de todo o mundo, a sua biologia tem sido muito estudada ao longo dos anos, incluindo estudos de idade e crescimento. No entanto, estes estudos têm-se focado em regiões dos Oceanos Atlântico e Pacífico, existindo atualmente apenas dois estudos de idade e crescimento desta espécie no Oceano Índico. Dadas as lacunas no conhecimento da biologia de tintureira no Oceano Indico, especificamente em termos de idade e crescimento, este trabalho tem como objetivos: 1) estimar a idade de indivíduos da espécie em estudo através da leitura das bandas de crescimento depositadas nas vértebras dos mesmos; 2) obter modelos de crescimento para ambos os sexos na região do Índico Sul e finalmente 3) fornecer os dados de idade e crescimento obtidos à IOTC (Indian Ocean Tuna Commission), sendo esta a organização inter-governamental internacional responsável pela gestão desta espécie no Oceano Índico. Para tal, um total de 818 vértebras foram recolhidas por observadores de pesca do IPMA abordo de navios de pesca comercial dirigida ao espadarte, com arte de palangre de superfície. As amostras recolhidas foram submetidas a um processo de limpeza e posteriormente de seccionamento. Uma vez obtidas as secções das vértebras, estas foram utilizadas para a contagem de bandas de crescimento. Tendo como base estudos prévios de validação da idade desta espécie, uma deposição anual das bandas de crescimento foi assumida. Após as leituras de idade efetuadas às amostras, foi atribuída uma idade final a um total de 679, tendo estas sido usadas para os modelos de crescimento. Dois modelos foram utilizados, a função de crescimento de von Bertalanffy com três parâmetros re-parametrizado para calcular L0 (tamanho à nascença), e a função de crescimento de von Bertalanffy com dois parâmetros, mantendo o L0 fixo. Ambos os modelos foram ajustados para machos e fêmeas em separado, e para ambos simultaneamente. O modelo final recomendado por este estudo é o modelo com dois parâmetros, mantendo o L0 fixo, para cada sexo separadamente visto que se verificaram diferenças significativas entre sexos. Os valores estimados para cada parâmetro com este modelo sugerem que as fêmeas atingem um tamanho máximo assimptótico maior e que os machos têm um coeficiente de crescimento mais elevado, o que indica que as fêmeas têm um crescimento mais lento (machos: Linf = 272.2 cm FL, k = 0.15 year-1; fêmeas: Linf = 283.2 cm FL, k = 0.13 year-1). A idade máxima atribuída foi 25 anos. No geral, os resultados obtidos neste estudo enquadram-se nos intervalos de valores previamente obtidos por outros estudos. No entanto, a idade máxima estimada no presente estudo foi a maior até agora descrita para esta espécie. Estes resultados vão de encontro ao facto de a tintureira ser uma espécie com um crescimento lento e elevada longevidade, representado uma nova e importante fonte de informação acerca da biologia desta espécie no Oceano Índico. Mais concretamente, estes resultados foram já fornecidos à IOTC, para serem considerados aquando a próxima avaliação desta espécie em Setembro desde ano.

Description

Dissertação de mestrado, Biologia Marinha, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade do Algarve, 2017

Keywords

Elasmobrânquios Capturas acessórias Modelação de crescimento Pescas Palangre de superfície

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