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Branca de Neve é um dos contos mais conhecidos, graças aos irmãos Grimm e depois
a Walt Disney. Além disso, o tipo Branca de Neve é representado por um abrangente
corpus internacional de contos tradicionais com traços independentes.
Desde a primeira versão manuscrita (1808) até à segunda edição dos seus
Contos (1819), os irmãos Grimm fizeram modificações significativas no seu conto,
especialmente no que respeita à figura do antagonista, o episódio da expulsão e a
ressurreição. Se a heroína que apresentaram ao público, a menina “branca como a
neve, vermelha como o sangue e negra como o ébano” não é uma criação inteiramente
nova, foi sob o impacto da colecção dos Grimm que este tipo de beleza se tornou
numa figura recorrente no imaginário dos contos de fadas.
Por outro lado, tendo em conta o sucesso esmagador da Branca de Neve dos Grimm,
é notável como tantas versões populares permaneceram fora do alcance da tradição
criada pelos Grimm. Um exemplo surpreendente é o episódio do luto do príncipe
pela bela donzela, que se manteve um traço típico das versões populares, embora
os Grimm, que o haviam adoptado na sua primeira edição (1812), o omitissem na
segunda, introduzindo em vez dele a solução rápida do acidente.
A Branca de Neve também oferece uma oportunidade de reconsiderar o efeito
de auto-correcção de Walter Andersen, formulada na década de 1920, sob uma
perspectiva de longo prazo: segundo ela, concepções inerentes vão sendo corrigidas
sempre que são alteradas, como acontece com o episódio da casa na floresta das
versões populares e nas mais recentes derivações da tradição do conto escrito (e/ou
Disney), em anedotas, filmes, paródias. Traços que parecem ser inovadores são de
facto tradicionais.