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Authors
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Abstract(s)
Gorgónias são organismos coloniais da classe Anthozoa, subclasse Octocorallia
e ordem Alcyonacea, caracterizados pelo seu lento crescimento, pela sua longevidade e
por possuírem um esqueleto interno como suporte. Os seus pólipos são geralmente
pequenos, uniformes e simples, e conhecidos por possuírem oito tentáculos
monomórficos que é um aspeto característico destes organismos. Estes encontram-se
unidos por um tecido designado de cenênquima, que consiste numa camada de
mesogeleia constituída por cálices e espículas. A sua distribuição pode ser aleatória,
uniforme ou bilateral que varia consoante a espécie. As gorgónias são um grupo de
organismos cnidários bênticos, mundialmente conhecidos pela sua importância para os
fundos marinhos e para as comunidades bênticas. A sua estrutura tridimensional possui
a capacidade de alterar o habitat físico que as rodeia, interferindo com a velocidade das
correntes e processos de sedimentação. Deste modo, são frequentemente abundantes em
locais de baixo relevo e de substrato compacto (duro) com fluxo de água relativamente
abundante. Estas podem ser simbióticas, ou seja, apresentam simbiose com
zooxanthellae (dinoflagelados do género Symbiodiunium) ou no caso contrário,
assimbióticas, sendo que a maioria das espécies do Mediterrâneo é assimbiótica. Em
Portugal continental, existem oito espécies conhecidas pertencentes a quatro géneros,
nomeadamente (Eunicella (4 espécies), Ellisella (1 espécie), Leptogorgia (2 espécies),
Paramuricea (1 espécie), encontradas a profundidades entre cinco e mais de cem
metros.
Comparando com as espécies do Mediterrâneo, as espécies de gorgónias da
costa Sul de Portugal, ainda estão pouco estudadas. Atualmente, as comunidades de
gorgónias encontram-se vulneráveis a impactos naturais e de índole humana e
encontram-se pouco protegidas. O aquecimento global, a acidificação dos oceanos e o
aumento da temperatura dos oceanos são dos principais impactos naturais que afetam as
comunidades de gorgónias a nível mundial. Por outro lado, relativamente aos impactos
antropogénicos, estes podem ter origem na poluição, pesca excessiva ou pesca de
arrasto e mergulho recreativo, por exemplo. Como consequência, verifica-se um
declínio de comunidades de corais a nível mundial, culminando com perda de
biodiversidade, perda de estrutura dos recifes, função e crescimento. Durante as últimas
duas décadas, têm-se verificado danos nas populações costeiras de gorgónias ao largo
da costa de Portugal continental. Consequentemente este estudo aborda experiências de termotolerância face aos impactos naturais acima referidos bem como medidas de
restauração das comunidades de gorgónias da costa Sul de Portugal continental,
nomeadamente através da transplantação de gorgónias para efeitos de repopulação.
Deste modo, foi efetuado um estudo de longa exposição com quatro espécies de
gorgónias (Eunicella verrucosa, Eunicella labiata, Leptogorgia sarmentosa and
Paramuricea clavata) capturadas a baixas profundidades (12-16 m) no Porto da
Baleeira em Sagres, Sul de Portugal, com o objetivo de compreender a resposta
fisiológica das gorgónias ao aumento da temperatura dos oceanos. Foram realizadas
experiências de termotolerância em aquários, onde as amostras foram sujeitas a quatro
regimes de temperatura, nomeadamente, 18ºC (controlo), 22ºC, 24ºC e temperatura
ambiente da Ria Formosa ao longo de 134 dias. Foram quantificadas três variáveis:
atividade dos pólipos, necrose dos tecidos e crescimento dos fragmentos. Com base em
estudos anteriores e semelhantes com espécies de gorgónias temperadas, estabelecemos
as seguintes hipóteses: (1) Como a temperatura e o metabolismo estão relacionados,
previmos que elevadas temperaturas terão um impacto negativo, resultando no
decréscimo da atividade dos pólipos e um aumento de necrose dos tecidos a elevadas
temperaturas; (2) As taxas de crescimento serão mais elevadas nos tratamentos de mais
baixas temperaturas (18ºC) e menos elevadas nos tratamentos de temperaturas mais
elevadas, e (3) as respostas à temperatura diferem entre espécies. Tentámos ainda
responder a outras questões relacionadas com a resposta fisiológica dos fragmentos em
estudo ao aumento da temperatura. Os resultados demonstraram que a atividade dos
pólipos era dependente da temperatura e diferia consoante a espécie, demonstrando
maior atividade ao tratamento de temperatura ambiente da Ria Formosa para a espécie
Paramuricea clavata. Também se verificaram diferenças interespecíficas com o
aumento da temperatura. Relativamente ao grau de necrose, a espécie mais afetada foi a
Leptogorgia sarmentosa com cerca de 21% de necrose. Considerando o crescimento
dos fragmentos, este não foi afetado pela temperatura e não diferiu entre espécies.
Como consequência, verificou-se que amostras provenientes de baixas profundidades
apresentam maior termotolerância a elevadas temperaturas e menor grau de stress. Este
trabalho teve ainda como objetivo testar métodos de restauração de gorgónias, pois
devido à sua relativamente recente aplicação, as práticas de restauração ainda
necessitam de ser melhoradas de modo a obter resultados eficientes e positivos. Apesar
das ameaças conhecidas, praticamente ainda não tinham sido aplicadas medidas de
restauração às populações de gorgónias em Portugal. Deste modo, foram testados procedimentos de transplantação de gorgónias no Parque Marinho Professor Luiz
Saldanha, no Parque Natural da Arrábida, Setúbal. Os fragmentos utilizados foram os
mesmos utilizados nas experiências de termotolerância, acima referidos. O objetivo
global da transplantação consiste na repopulação de zonas degradadas do Parque
Marinho Professor Luiz Saldanha mas neste trabalho apenas se pretendeu testar a
técnica de transplantação denominada “Raw technique”, que consiste em colar o
fragmento diretamente ao substrato. Deste modo, sessenta e sete fragmentos saudáveis
de gorgónias foram transplantados (14 Paramuricea clavata, 13 Leptogorgia
sarmentosa, 21 Eunicella verrucosa and 19 Eunicella labiata) numa nova localização
no Parque Marinho Professor Luis Saldanha. Com base em estudos anteriores e
semelhantes formulámos a seguinte hipótese: com a técnica de transplante escolhida,
espera-se observar sobrevivência e crescimento dos fragmentos nas novas condições do
local de transplante. Os resultados demonstraram o sucesso do método de transplante,
pois as colónias que permaneceram agarradas ao substrato sobreviveram saudáveis por
4 meses. Houve o desaparecimento de algumas colónias devido a eventos naturais, que
não refletem falha de sobrevivência ou de condição fisiológica mas apenas
descolamento do substrato. Não foi possível quantificar crescimento dos fragmentos
devido a este ser lento para registar nos primeiros meses e devido a eventos naturais
que resultaram no desaparecimento total dos fragmentos no ano seguinte por
competição com macroalgas que recrutaram massivamente na zona de estudo.
Currently, coral communities are exposed to both environmental and human pressures and are poorly protected. The major natural events responsible for negatively impact the coral assemblages are global climate change, ocean acidification and rising sea surface temperatures. Gorgonians are colonial organisms which have slow growth, long life span, and the structural support of a skeleton. This group of benthic cnidarians is recognized worldwide by its ecological role for marine rocky bottoms and benthic assemblages. During the last two decades, there has been an increased awareness of damages induced on coastal gorgonian populations along the Portuguese continental coastline. To understand the physiological response to increasing seawater temperature, a long-time exposure study was conducted with four gorgonian species (Eunicella verrucosa, Eunicella labiata, Leptogorgia sarmentosa and Paramuricea clavata) collected from shallow depths (12-16 m) at Sagres on the South Coast of Portugal. Thermotolerance experiments were carried out in aquaria where samples were subjected to four temperature regimes for a duration of 134 days. The results showed that polyp activity was temperature dependent and differed among species, with higher activity at ambient seawater temperatures for P. clavata. Interspecific differences in polyp activity increased with increasing temperature. L. sarmentosa was the species with higher percentage (21%) of necrosis. Fragment growth was not affected by temperature and did not differ among species. The response variable results indicate that samples from shallow depths had greater thermotolerance of elevated seawater temperatures and less stress. After the thermotolerance experiments, transplantation procedures were carried out in Marine Park Luiz Saldanha (MPLS) with the aim to repopulate the area and to test the “Raw technique” of transplantation from Linares et al., (2008). Sixty-seven healthy fragments of gorgonians were transplanted on a new location site in MPLS. The results showed high success of transplantation in the initial four months, although some colonies got dislodged. However, after one year no colonies were left on the site due to a novel recruitment of a canopy of seaweeds that outcompeted the slow growing gorgonians.
Currently, coral communities are exposed to both environmental and human pressures and are poorly protected. The major natural events responsible for negatively impact the coral assemblages are global climate change, ocean acidification and rising sea surface temperatures. Gorgonians are colonial organisms which have slow growth, long life span, and the structural support of a skeleton. This group of benthic cnidarians is recognized worldwide by its ecological role for marine rocky bottoms and benthic assemblages. During the last two decades, there has been an increased awareness of damages induced on coastal gorgonian populations along the Portuguese continental coastline. To understand the physiological response to increasing seawater temperature, a long-time exposure study was conducted with four gorgonian species (Eunicella verrucosa, Eunicella labiata, Leptogorgia sarmentosa and Paramuricea clavata) collected from shallow depths (12-16 m) at Sagres on the South Coast of Portugal. Thermotolerance experiments were carried out in aquaria where samples were subjected to four temperature regimes for a duration of 134 days. The results showed that polyp activity was temperature dependent and differed among species, with higher activity at ambient seawater temperatures for P. clavata. Interspecific differences in polyp activity increased with increasing temperature. L. sarmentosa was the species with higher percentage (21%) of necrosis. Fragment growth was not affected by temperature and did not differ among species. The response variable results indicate that samples from shallow depths had greater thermotolerance of elevated seawater temperatures and less stress. After the thermotolerance experiments, transplantation procedures were carried out in Marine Park Luiz Saldanha (MPLS) with the aim to repopulate the area and to test the “Raw technique” of transplantation from Linares et al., (2008). Sixty-seven healthy fragments of gorgonians were transplanted on a new location site in MPLS. The results showed high success of transplantation in the initial four months, although some colonies got dislodged. However, after one year no colonies were left on the site due to a novel recruitment of a canopy of seaweeds that outcompeted the slow growing gorgonians.
Description
Keywords
Gorgónias Aumento da temperatura dos oceanos Experiências de termotolerância Métodos de transplantação de gorgónias