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First record of the intertidal mussel perna perna along the European coast: long overlooked or a recent range expansion?

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Em habitats heterogéneos, a variabilidade de condições ecológicas estrutura as distribuições das espécies. Sugere-se que as espécies apresentem maior abundância no centro da sua distribuição por ai se encontrarem as condições ecológicas mais favoráveis à sua sobrevivência. Pelo contrário, junto dos limites da distribuição das espécies as condições ecológicas são desfavoráveis comprometendo, em parte, a persistência das mesmas. As condições climáticas afetam fortemente as distribuições e os limites distribucionais das espécies, podendo causar expansões mas também contrações das áreas pelas quais as espécies se distribuem. Para além disso, prevê-se que as futuras alterações climáticas afetem com maior intensidade os padrões biogeográficos dos organismos, provocando diversas mudanças nas expansões das espécies em direção aos polos, nas mais variadas regiões do mundo. Estas alterações podem levar à sobreposição da distribuição de espécies que antes não coexistiam no mesmo espaço, ou ainda promover a substituição de espécies de água fria por outras de água quente. O aumento da temperatura da superfície do mar tem vindo a ser observado globalmente e, em particular na Península Ibérica, esta tendência tem sido associada a mudanças de distribuição de espécies intertidais. Estas são espécies ideais para se investigar os efeitos das alterações climáticas, já que são expostas diariamente a uma gama de condições ecológicas extremas, e a área de distribuição onde se encontram é normalmente bastante restrita. Após a descoberta da espécie subtropical de mexilhão castanho Perna perna ao longo da costa Europeia Atlântica, procedeu-se à investigação da distribuição e causas de distribuição da mesma. Pretende-se assim compreender se a presença desta espécie originária do continente Africano resulta de uma expansão recente ou se, pelo contrário, não foi simplesmente detetada apesar do imenso número de estudos nas zonas costeiras da Península Ibérica. No sentido de compreender a expansão da distribuição da espécie, diversas campanhas de amostragem decorreram ao longo das zonas costeiras do sudoeste da Península Ibérica abrangendo tanto locais expostos à ação das ondas como locais protegidos. Em cada um dos locais amostrados a presença do mexilhão Mediterrânico Mytilus galloprovincialis foi considerada um indicador de condições ecológicas favoráveis à presença de P. perna. A estrutura genética (DNA mitocondrial) dos indivíduos da espécie P. perna amostrados na Península Ibérica foi comparada com indivíduos da região de Marrocos onde a distribuição da espécie é estável. O limite da distribuição de P. perna foi encontrado na zona oeste do sul de Portugal, em Sagres, presumivelmente devido às baixas temperaturas da superfície do mar que aí se fazem sentir. Uma vez que a espécie M. galloprovincialis coexiste com a espécie de mexilhão castanho em ambas as regiões, a sua presença e estrutura genética foram usadas como controlo. Desta forma, e por se tratar de uma espécie subtropical agora em zonas temperadas, a variação da temperatura da superfície do mar dos últimos 10 anos foi investigada fornecendo, assim, uma estimativa aproximada do processo de aquecimento. Os resultados mostram que a espécie de mexilhão castanho P. perna se expandiu ao longo das zonas costeiras Atlânticas no sudoeste da Península Ibérica. Esta expansão foi acompanhada pelo aquecimento da temperatura da superfície do mar e, em particular, por um aumento das temperaturas mínimas. Estimativas de densidade e abundância quantificadas através de quadrantes colocados ao longo da zona intertidal revelaram diferenças marcantes entre as duas regiões, principalmente para a espécie P. perna. Em Marrocos a coexistência das duas espécies apresenta-se estratificada ao longo do intertidal. A espécie de mexilhão Mediterrânico M. galloprovincialis domina as zonas superiores do intertidal enquanto a espécie P. perna domina as zonas mais baixas. A zona central da faixa intertidal é partilhada pelas duas espécies. Ao longo das zonas costeiras da Península Ibérica a espécie P. perna encontra-se dispersa por entre aglomerados de M. galloprovincialis exclusivamente em ambientes expostos à ação das ondas, sem qualquer estratificação e com densidades e abundâncias consideravelmente inferiores às observadas em Marrocos. Como era previsto pela elevada dispersão larval e pelas características oceanográficas que favorecem a homogeneização entre diferentes locais, as análises genéticas revelaram uma fraca estrutura genética para as duas espécies (panmixia), realçando uma única população dispersa pelas duas regiões. Como seria de esperar, a presença de P. perna ao longo das zonas costeiras Ibéricas revelou-se mais recente relativamente à região de Marrocos. O mesmo não pôde ser observado para a espécie M. galloprovincialis, já que a comparação das duas regiões não permitiu inferir qual delas é mais antiga. Um fator de extrema importância para a expansão da espécie P. perna ao longo da costa sudoeste da Península Ibérica terá sido, sem dúvida, a disponibilidade de substrato. A hipótese alternativa a uma expansão recente da espécie de mexilhão castanho P. perna é a de uma antiga distribuição que só agora foi detetada. Porém, a ausência de substrato rochoso natural favorável ao estabelecimento da espécie rejeita esta hipótese. Aqui eu reporto um caso de expansão de distribuição de uma espécie subtropical que terá sido favorecida por o recente aumento das temperaturas mínimas. O impacto das atividades humanas no ambiente, a importância de fatores ecológicos e biológicos e a importância de espécies intertidais como modelos para detetar mudanças climáticas são discutidos.

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Mexilhão castanho Perna perna Distribuição marginal Expansão geográfica Costa Atlântica Europeia

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