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Authors
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Abstract(s)
Este trabalho teve como objetivo principal a avaliação das atividades antioxidantes e
antidiabéticas de sete plantas do Algarve. Para tal foram usadas infusões aquosas a quatro
temperaturas diferentes (25, 50, 75 e 95°C), de forma a determinar qual a melhor planta e qual
a melhor temperatura.
As plantas testadas, selecionadas pela sua relevância na medicina tradicional e usadas
comumente pelas populações, foram a Centaurium erythraea Rafn. (CE) ou fel-da-terra, a
Cistus ladanifer L. (CL) ou esteva, a Myrtus communis L. (MC) ou murta, a Rosmarinus
officinalis L. (RO) ou alecrim, e três tipos de tomilhos: Thymbra capitata (L.) Cav. (TC),
Thymus albicans Hoffmanns & Link (TA) e o Thymus lotocephalus G. López & R. Morales
(TL).
As infusões foram feitas usando as partes aéreas das plantas secas (inicialmente
reduzidas a um pó grosseiro). Destas 0,5 g foram adicionadas a 20 mL de água, previamente
aquecida em banho-maria à temperatura desejada. Após 15 min (sem agitação) as infusões
foram filtradas e devidamente armazenadas a - 20°C no congelador até à realização dos testes.
No teor em conteúdo de fenólicos totais a infusão MC apresentou de um modo geral os
valores mais elevados para as quatro temperaturas testadas (25, 50, 75 e 95°C) variando entre
os valores médios de 356 e 383 mg GAE/g dw. A infusão CE por sua vez apresentou valores
inferiores variando entre 43 e 50 mg GAE/g dw. No conteúdo de flavonoides totais a infusão
CL obteve valores superiores às restantes plantas ao variar entre os 46 e 29 mg QE/g dw
enquato na TC foram obtidos os valores inferiores, entre os 5 e os 8 mg QE/g dw. Na
atividade antioxidante total ambas as infusões de CL e MC voltaram a apresentar os maiores
valores e muitos próximos entre si, variando entre 404 e 615 mg AAE/g dw para a CL e entre
465 e 531 mg AAE/g dw para a MC. Os menores valores obtidos foram os da infusão CE que
variaram entre 216 e 255 mg AAE/g dw.
Quanto aos métodos redutores avaliados, RP e FRAP, a infusão MC demonstrou, mais
uma vez, ter maior atividade do que as restantes variando entre 200 e 317 e 848 e 943 mg
TE/g dw, respectivamente. Novamente a infusão de CE apresentou os valores inferiores em
ambos os métodos variando entre 28 e 35 e 53 e 72 mg TE/g dw para o RP e FRAP,
respetivamente.
Relativamente à captura de radicais livres, nomeadamente no DPPH e no ABTS, a
infusão MC foi uma vez mais a que apresentou melhores resultados, ou seja, valores de IC50 (concentração de extrato para a qual 50% dos radicais livres são capturados) mais baixos
variando entre os 11 e os 15 μg/mL, enquanto a CE foi novamente a planta com os piores
resultados, e neste caso com o IC50 mais elevado variando entre os 331 e os 446 μg/mL.
Todas as infusões apresentaram valores menores de IC50 no método do DPPH quando
comparados com os valores obtidos pelo método do ABTS.
Foi seguidamente quantificada a proporção de amarelos, vermelhos e azuis das infusões
obtidas a 25 e a 75°C, através de um método de análise de cor, sendo o amarelo a cor em
maior proporção. Em simultâneo a atividade antidiabética foi avaliada pelo método da α-
amilase sendo possível obter resultados nas infusões de MC, CL e CE. Para tal foi usada uma
reta de calibração com acarbose e para a temperatura de 25ºC. A infusão CE apresentou o
valor de 192, a CL obteve 674 e a MC obteve um valor de 2004 μg AcE/g dw. A 75ºC todas
as infusões exceto a CE e a TC apresentaram actividade antidiabética, sendo que a CL obteve
o maior valor com 946 μg AcE/g dw e a TA o menor valor com 154 μg AcE/g dw. O método
da α-glucosidase foi testado para as infusões a 25ºC e mais uma vez a CL e MC foram as que
apresentaram melhores valores (acima de 4000 mg AcE/g dw) e CE foi novamente a que
obteve um valor inferior de 16 mg AcE/g dw.
De toda a avaliação realizada neste estudo de um modo geral os melhores resultados
foram obtidos nas infusões feitas a 75°C e, por outro lado, a 50°C os piores. As infusões
obtidas a partir das plantas RO, TC, TA e TL (as aromáticas) apresentaram um
comportamento semelhante em todos os métodos.
Verificou-se também que as plantas aromáticas (RO, TC, TA e TL) foram ao longo dos
métodos realizados as que sofreram uma maior variação de valores em cada temperatura de
infusão, sugerindo que estas são mais influenciadas pela temperatura do que as restantes. O
oposto foi verificado para as infusões de CE, CL e MC, sugerindo que mesmo variando a
temperatura de extração, os compostos bioativos presentes prevalecem.
Por fim, com o auxílio do programa SPSS® 22 foi possível fazer as correlações entre os
diferentes métodos e verificou-se que as correlações eram significativas entre todos eles.
Apesar de serem significativas, quando se correlaciona o TFC com os restantes métodos estas
são menores e as melhores são do RP com o TPC e FRAP.
Fizeram-se ainda três dendrogramas a partir dos quais é possível verificar as diferenças
entre os métodos testados e as infusões. Para os métodos foram identificados três clusters, um
com o TFC, outro com o TAA e os restantes constituem o terceiro cluster. Relativamente à
análise por plantas outros três clusters foram identificados, um correspondente às infusões das
plantas aromáticas, outro para as infusões MC e CL e finalmente a CE. No terceiro dendrograma são apresentadas todas as infusões a cada temperatura de extração e cinco
clusters foram identificados, três deles com uma única infusão cada (CE, MC e CL), os outros
dois correspondem, no geral, às infusões das plantas aromáticas mas agrupadas por
temperaturas (25 e 50°C; 75 e 95°C).
É possível concluir que, ao contrário da fel-da-terra (CE) que apresentou os piores
resultados, plantas como a murta (MC) e a esteva (CL) têm um forte potencial antioxidante e
antidiabético (ainda subaproveitado), essenciais para a prevenção e tratamento de muitas
doenças inflamatórias, degenerativas e vários distúrbios, resultantes em grande parte do stress
oxidativo.
Description
Dissertação de mestrado, Engenharia Biológica, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade do Algarve, 2016
Keywords
Plantas medicinais Atividade antioxidante Atividade antidiabética Compostos fitoquímicos