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Mapping fishing grounds of the multigear coastal fleet in southern Portugal

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Abstract(s)

Managing and monitoring fishing activities has been a major concern in recent years as overfishing and other negative impacts on the environment become increasingly known. The identification of fishing grounds is, therefore, a necessity, that can inform not only the fishing sector but also other maritime sectors. In this work, the fishing practices of the multigear coastal fleet in the southern coast of Portugal are analysed. A series of in-person interviews were performed on a sample of 40 vessels to identify core variables such as the vessel characteristics, fishing gear, species captured and fishing grounds. The fishing grounds indicated by the fishers were aggregated and a fishing intensity map was created. Observational and GPS data was further collected through on-board trips on a set of fishing vessels, which was used to compare with data collected in the interviews. GPS data was processed to identify events of searching, setting and hauling, as well as establish the average velocities for these events. According to one of the main objectives, it was possible to identify the main fishing grounds, which are located generically between one and eight nautical miles at 50 meters deep, highlighting an area between Lagos and Quarteira with greater fishing intensity. The fishing areas indicated by the fishers and those identified through GPS data display some agreement, as do the hauling and setting velocities and times. The same did not happened with the soaking duration in which there were differences between the soaking durations indicated on the interviews and those verified on-board. Evidence of a discrepancy between reported and real practices regarding gear, captures and fishing activities is also discussed, with an emphasis on the negative effects of such practices in fisheries and the environment. Some of the current issues being faced in fisheries are by-catch and discarding, Illegal, Unreported and Unregulated (IUU) fishing, and ghost-fishing. When these are not assessed and remain unknown, they contribute to lack of proper management and sustainability solutions. In the end, the main purpose is to create a clearer picture of what is occurring in the local environment and within the fisheries to produce valuable information (like maps of fishing grounds) and consistent sets of data that can be used for future management decisions.
A gestão e monitorização da atividade piscatória é uma questão que tem vindo a tornar-se cada vez mais relevante nos últimos anos. Fatores como a sobrepesca, a perda ou descarte de equipamento em alto mar, a interação com os fundos marinhos e a pesca de espécies acessórias e as rejeições têm impactes negativos nos stocks e no meio ambiente. Como tal, a identificação dos bancos de pesca é um passo fundamental para alcançar esse objetivo, sendo que os resultados da mesma poderão informar não só o sector pesqueiro (e.g. administração, academia, associações de pescadores e armadores), mas também outros sectores marítimos no plano socioeconómico (e.g. aquacultura offshore, operações marítimo-turísticas) e de conservação e planeamento (e.g. estabelecimento e gestão de Áreas Marinhas Protegidas e Ordenamento do Espaço Marinho). No contexto desta necessidade, o presente estudo teve como objetivo prioritário a elaboração de mapas dos bancos de pesca da frota costeira polivalente e como objetivos secundários: (1) o conhecimento do modus operandi das embarcações, (2) a caracterização dos eventos de pesca usando dados de inquéritos, de observações feitas a bordo e de GPS e (3) a verificação de associações entre as espécies capturadas e os métiers usados. Para isso, foram avaliadas as práticas piscatórias da frota polivalente portuguesa na costa sul de Portugal, entre os portos de Sagres e Vila Real de Santo António. Com este objetivo, foram realizados inquéritos junto de 40 embarcações nas quais foram identificadas as características gerais das mesmas (tais como comprimento, peso bruto, tripulação, etc.), as artes de pesca utilizadas, as espécies capturadas, os bancos de pesca utilizados, as velocidades e duração dos processos de calagem, alagem e tempo de imersão. A frota foi caracterizada em função das variáveis (licenças, artes de pesca utilizadas por região, espécies alvo por arte e aspetos técnicos como o comprimento e potencia das embarcações) obtidas nos inquéritos feitos nos portos de pesca. Estas variáveis foram comparadas com informação presente em bases de dados oficiais (e.g. EU Fleet Register Database) e foi avaliada a representatividade das embarcações incluídas nas entrevistas feitas aos pescadores. As artes de pesca foram relacionadas com as espécies capturadas e com a localização das zonas de pesca através de análise estatística (CCA, ANOVA, etc.). As zonas de pesca indicadas pelos pescadores foram agregadas e foram criados mapas de intensidade de pesca, tanto para o conjunto das artes como, em separado para as redes e armadilhas. Para além dos inquéritos, foram também recolhidas informações de observações feitas a bordo das embarcações estudadas e registaram-se as variáveis chave identificadas anteriormente. Adicionalmente foram recolhidos dados GPS, sendo registadas a posição, tempo, direção e velocidade ao longo de todo o percurso. Os dados recolhidos a bordo foram por sua vez caracterizados e foram realizadas análises estatísticas sobre os mesmos, de maneira semelhante ao feito anteriormente. Adicionalmente, foi feito um caso de estudo dos barcos a operar com redes, no qual os dados GPS foram processados para identificação dos eventos de procura, alagem e calagem, bem como as velocidades a que os mesmos se processaram. Os dados dos embarques foram usados para validar os dados dos inquéritos. Relativamente aos principais resultados e conclusões, as entrevistas feitas permitiram concluir que existem relações significativas entre espécies alvo e as técnicas de pesca utilizadas. De acordo com um dos principais objetivos estabelecidos para este estudo, foi possível identificar os principais bancos de pesca que se localizam genericamente entre a uma e as oito milhas náuticas a 50 metros de profundidade, destacando-se claramente uma área entre Lagos e Quarteira com maior intensidade de pesca. Também foi possível concluir que existe variabilidade espacial em função da arte de pesca utilizada, sendo que as redes são maioritariamente usadas entre Sages e Quarteira, enquanto as embarcações que usam armadilhas têm, de modo geral, uma área de pesca na mais extensa e são usadas ao longo de toda a costa Algarvia. Comparando as áreas identificadas nos inquéritos com aquelas identificadas nas saídas de pesca, verificou-se que existe alguma sobreposição. A descrição dos métiers ajuda a entender a importância destas questões numa determinada frota. Relacionar as espécies desembarcadas com as características técnicas da arte de pesca, procedimentos da operação de pesca, o conhecimento dos pescadores e a informação recolhida a bordo permite a análise de potenciais métiers e a sua validação. Para saber as espécies associadas às diferentes embarcações, comparou-se as espécies quantificadas a bordo e as desembarcadas por arte de pesca. Em Sagres, redes de tresmalho com malhagens superiores a 100 mm capturaram principalmente tamboril, lagosta e sapateira. Já as redes de emalhar pescaram essencialmente pata-roxa. Em Portimão, foram utilizadas sacadas de longas dimensões que combinava redes de emalhar e de tresmalho que tem como alvo cherne, pargos, abróteas e faneca. Em Olhão, os pescadores utilizaram diferentes conjuntos de redes de emalhar, com malhagens superiores a 100 mm, destinadas a tamboril e malhagens de 80 a 90 mm que capturaram pescada. Em relação às espécies desembarcadas, deve-se realçar também que essas informações não representam o cenário das pescas na totalidade, uma vez que existem muitas espécies rejeitadas por não estarem em bom estado ou subdimensionadas (abaixo do tamanho mínimo de desembarque). Combinando as operações de pesca com áreas de marcadas nos computadores de bordo e GPS, os pescadores revisitam as áreas que consideram locais produtivos, o que significa que várias áreas específicas estão sujeitas a pesca intensa. Os pescadores fazem o que podem para otimizar sua captura, apesar de alguns deles revelarem que veem uma mudança óbvia no tamanho e abundância de espécies, com uma diminuição destas variáveis desde a sua infância até agora. Qualquer informação desconhecida sobre uma frota diminui a possibilidade de uma gestão adequada e eficaz. Por isso, é importante descrever as diferentes frotas de um país como Portugal, onde a indústria pesqueira tem uma elevada importância socioeconómica e impulsiona o turismo. Alguns dos atuais problemas da indústria pesqueira são a captura de espécies acessórias, a rejeição de pescado, a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada e a pesca fantasma. O desconhecimento destes por falta de estudos contribui para a escassez de soluções adequadas de gestão e sustentabilidade. Sendo que, variáveis como as características das artes e das viagens de pesca e a descrição dos métiers pode ajudar a melhor compreender estes problemas numa determinada frota. Existem grandes desafios para a governabilidade da pesca polivalente costeira, relacionada com o sistema de governo em vigor. Estes incluem a falta de monitorização e avaliação, o baixo controlo e a fiscalização, o incumprimento das regras e regulamentos pelos pescadores e a falta de confiança dos pescadores nos órgãos de gestão. Este tipo de trabalhos pretende ajudar na criação de uma imagem mais clara do que se passa no ambiente local e dentro das pescas, para produzir informações valiosas (como mapas dos bancos de pesca) e conjuntos consistentes de dados que possam ser usados para futuras decisões de gestão.

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Target species Fishing grounds Gillnets Gps data Mapping Management Surveys Trammel nets

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