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Abstract(s)
As alterações ambientais registadas com a transição para o Holocénico tiveram um impacto importante na paisagem e consequentemente nos recursos disponíveis. É sobretudo durante o Mesolítico que se testemunha alterações culturais nas sociedades de caçadores-recoletores, refletindo uma diferente adaptação ao meio. A economia e gestão dos recursos por parte das últimas comunidades de caçadores-recoletores do Mesolítico é uma questão fulcral para caracterizar a relação entre estas sociedades e o meio ambiente. A presente tese tem como objetivo caracterizar a economia das comunidades mesolíticas do Cabeço da Amoreira e Cabeço da Arruda, com base nas modalidades de aquisição da madeira para combustível. O estudo antracológico realizado em carvões arqueológicos exumados em ambos os concheiros, com análise taxonómica e de alterações tafonómicas permite identificar as espécies utilizadas como combustível (Pinus pinaster, Pinus pinea/pinaster, Pinus tp. sylvestris, Pinus sp., Quercus subg. Quercus, Quercus ilex/Q. coccifera, Quercus sp., cf. Salix, Arbutus unedo, Pistacia lentiscus, Erica arborea, Calluna vulgaris), e o estado da madeira (madeira em bom estado). Os resultados demonstram que a variedade taxonómica disponível na paisagem não estava a ser explorada na maioria da ocupação mesolítica, sendo Pinus o taxa mais representado em todos os contextos, seguidamente de Quercus, sendo que as outras espécies representam percentagens diminutas, denotando-se uma clara preferência de madeira arbórea. As alterações tafonómicas nos carvões indicam utilização de madeira em bom estado. Este estudo aponta para critérios de seleção da madeira com base na espécie (sobretudo Pinus), pela sua disponibilidade, facilidade de aquisição, porte e características taxonómicas.
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Keywords
Antracologia Mesolítico Concheiros Portugal