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Abstract(s)
O presente estudo centra-se no tema do recreio florestal, enquadrado num contexto social de crescente procura e num quadro político de multifuncionalidade e de desenvolvimento sustentável da floresta que impõe o seu planeamento eficiente. Contudo, o caráter informal e o acesso livre ao público de grande parte das experiências de recreio florestal coloca alguns entraves à eficiência da atividade de planeamento, uma vez que dificulta a obtenção de dados completos e consistentes que permitam quantificar e qualificar o recreio florestal. Com efeito, apresenta-se difícil perceber qual a sua dimensão (quantidade e diversidade de utilizadores e de usos de recreio), importância (bem estar proporcionado) e valor económico dos bens e serviços disponibilizados, que frequentemente não são transacionados. É neste contexto que se recorre à economia ambiental, nomeadamente ao conceito de eficiência na afetação de recursos de base natural, às medidas de bem-estar e às técnicas de avaliação económica desses recursos e usos implícitos, mesmo os não transacionáveis, como o recreio florestal. Como tal, o principal objectivo desta investigação visa identificar como é que a economia ambiental, por via dos métodos de avaliação económica, poderá contribuir para um planeamento mais eficiente do recreio florestal.
A componente empírica deste trabalho recai sobre a Mata Nacional de Leiria, enquanto espaço de recreio florestal e recorre ao método de avaliação contingente para obter o valor económico associado a um cenário de melhorias de recreio na Mata, decorrente da criação futura do Museu Nacional da Floresta. Para o efeito, a questão de avaliação assume o formato de escolha dicotómica com follow-up para estimar a disponibilidade para pagar (DPP), medida de bem-estar que se mostrou mais adequada ao cenário contingente. Com o intuito de materializar a perspetiva participada da atividade de planeamento foram incluídas questões que visam obter contributos (opiniões, gostos e preferências) dos utilizadores de recreio da Mata. A parte empírica inclui um segundo questionário que permite reunir informação necessária ao cálculo da DPP agregada.
Os resultados obtidos permitem caracterizar os utilizadores e os usos de recreio da Mata, indicando, por exemplo, que os piqueniques são a principal atividade de recreio (32,28%) e que a mancha de árvores e arbustos é o aspeto mais valorizado (70,41%) nas visitas de recreio à Mata. Trata-se sobretudo de um recreio de proximidade, uma vez que cerca de 70% dos inquiridos residem nos concelhos mais próximos (Leiria e Marinha Grande). A importância da Mata é demonstrada pelas opiniões e preocupações individuais apontadas quanto à sua gestão. Além disso, o bem-estar proporcionado ao nível do recreio ficou patente no processo de avaliação económica, com 84% dos inquiridos a apresentarem uma DPP positiva para o cenário de melhorias de recreio previstas pelo projeto do Museu Nacional da Floresta, sendo o valor médio individual mensal de 2,68€. Os resultados da análise CHAID (Chi Squared Automatic Interaction Detector) indicam que o “Voluntariado e causas ambientais” é a principal variável que segmenta os utilizadores da Mata quanto à DPP. Este estudo apresenta ainda resultados no que respeita ao número de utilizadores de recreio da Mata (128 313), valor que permitiu calcular o valor agregado da DPP mensal (344 494€) e o correspondente valor agregado anual (4 133 929€).
Estes resultados apresentam contributos no campo da economia ambiental (para lidar com a ineficiência no uso de recursos naturais e ambientais e para desenvolver análises custo-benefício de projetos futuros para a Mata), ao nível de um planeamento para a sustentabilidade (identificando as preferências das populações mais afetadas pelo desenvolvimento na Mata e quantificando os seus benefícios de recreio) e na perspetiva política da multifuncionalidade da Mata (permitindo ao planeador identificar as opções de desenvolvimento que mais utilidade propiciam), servindo também de suporte a uma tomada de decisão política que conhece a importância individual e social da função recreio na Mata.
As conclusões apuradas destacam a necessidade de se desenvolverem mais estudos de avaliação económica que permitam aprofundar o conhecimento sobre o recreio florestal em Portugal, bem como consolidar a aplicação das técnicas de avaliação económica a estes contextos naturais. Desse modo, fortalecer-se-ia o conhecimento científico para estimar o valor de recreio de outros espaços de floresta em Portugal, e também do valor económico total da floresta, a nível nacional. Consequentemente, permitiria reunir informação mais alargada e participada, essencial para um planeamento mais eficiente da floresta e do recreio florestal.
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Tese de dout., Turismo, Faculdade de Economia, Univ. do Algarve, 2012