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Percorrer ESS1-Teses por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "04:Educação de Qualidade"
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- As Representações biomédicas da saúde e da doença tidas pelos enfermeiros no contexto multicultural da prestação de cuidados da UCCI da Santa Casa da Misericórdia de PortimãoPublication . ; Pinto da Costa, José CarlosEste trabalho resulta de uma investigação antropológica cuja finalidade consiste em encontrar a resposta para a pergunta: como é que os enfermeiros representam a saúde e a doença no contexto multicultural de prestação de cuidados da Unidade de Cuidados Continuados Integrados da Santa Casa da Misericórdia de Portimão? Para atingir este fim caracterizou-se o contexto multicultural da prestação de cuidados de enfermagem na Unidade e levantaram-se as representações que os enfermeiros possuem sobre a saúde e a doença, através de uma metodologia apoiada na observação participante e na realização de entrevistas semi-directivas aos enfermeiros. Observou-se que, apesar de acolher doentes estrangeiros, a Unidade não dispõe de qualquer forma de informação nos seus idiomas. As respostas dos enfermeiros às entrevistas mostraram que eles se apoiam na definição de saúde proposta em 1946 pela OMS para objectivarem a saúde e a doença, respectivamente, como bem-estar e como mal-estar. Desta definição, os enfermeiros reforçam a natureza orgânica da manifestação de doença, salientando a dimensão física do indivíduo em relação às psicológica e social. Este pendor traduz-se numa visão biomédica apoiada em constelações etiológico-terapêuticas que relevam a objectividade da doença e a centralidade do organismo como balizas para a interpretação da realidade do cuidado. Por força desta perspectiva, os enfermeiros têm tendência a olhar para o doente indistintamente, sem reconhecerem a diversidade psicológica e cultural das interpretações sobre a saúde e a doença. Daqui resulta que os enfermeiros não realizam um trabalho de adaptação do cuidado à nacionalidade dos doentes, impondo uma visão ética pretensamente universal às diferentes realidades émicas que encontram. Esta atitude traduz-se em desadequações ao nível do cuidado e da comunicação com os doentes, onde, a incompreensão da linguagem do doente estrangeiro e a presunção do consentimento emergem como principais problemas, que podem mesmo questionar a legitimidade do princípio de beneficência. Estes dados suportam o argumento de que as desadequações entre as representações da saúde e da doença tidas pelos enfermeiros e a multiculturalidade do contexto de prestação de cuidados da Unidade resultam da proximidade da enfermagem ao modelo biomédico, que interpreta a estrutura da realidade clínica como um cenário regulado pela objectividade e pelo reducionismo da vida à existência orgânica. Com efeito, os dados mostram que as representações da saúde e da doença tidas pelos enfermeiros são moldadas pelas instituições onde eles se fazem e se realizam e que são concebidas como lugares de produção da verdade absoluta, associando o saber à sua vontade de poder dentro de uma lógica de governalidade aparentemente exterior à biopolítica do Estado, transformando as suas políticas neoliberais multiculturalistas em práticas autoritárias assimilacionistas.
- Densidade dos Côndilos Mandibulares medidos por Tomografia Computorizada - estimativa da Idade à MortePublication . Pinheiro, João Pedro Alexandre; Godinho, RicardoA estimativa da idade à morte (IM) representa um foco central da análise antropológica e arqueológica dos remanescentes esqueléticos humanos. Vários fatores confundidores e especificidades atuam sob o ambiente em que estes foram depositados. O presente trabalho testa a possibilidade de estimar a IM de espécimes arqueológicos usando uma amostra populacional contemporânea de dados biométricos conhecidos como referência, com recurso a um equipamento de tomografia computadorizada para medição de indicadores ósseos. A amostra conhecida tem correlação estatisticamente significativa entre o aumento da idade e a diminuição da densidade mineral óssea (p<0.05), para a densidade dos côndilos mandibulares no plano axial e coronal, bem como a densidade cortical na base e tuberosidade (sig. 0.002 e 0.009 para p<0.05). No entanto, a amostra apresenta também grande variabilidade de densidade para as várias faixas etárias. Quando comparada, a amostra arqueológica, interseta vários valores de densidade óssea para indivíduos entre os 25 e os 75 anos de idade. O osso cortical apresenta os valores de densidade óssea mais próximos da amostra de referência e poderá ser uma via de investigação futura noutros locais do esqueleto. Apesar de existir correlação entre a densidade óssea e a idade para regiões específicas dos côndilos mandibulares não foi possível predizer com fiabilidade a IM das amostras a arqueológicas.
- Intervenções de segurança na prevenção de quedas na construção civil - uma revisão sistemáticaPublication . Silva, Ingrid Polyana Gomes da; Costa, Rui Carlos Gonçalves Graça eA construção civil é um dos setores com maior incidência de acidentes de trabalho, sendo as quedas uma das principais causas de lesões graves e fatalidades. Esta revisão sistemática teve como objetivo identificar os fatores de risco mais comuns associados aos acidentes por quedas no setor da construção civil, e avaliar as estratégias mais eficazes para sua prevenção. A pesquisa seguiu as diretrizes do PRISMA 2020 e utilizou o modelo PICO para a formulação das perguntas de pesquisa. Foram incluídos seis estudos primários (quantitativos e mistos), publicados entre 2020 e 2024, em idioma inglês ou português, extraídos das bases de dados: B-On, Web of Science e PubMed. A análise qualitativa revelou que os principais fatores associados às quedas são: comportamentos inseguros dos trabalhadores, condições inseguras no local de trabalho, falhas na gestão e supervisão, além de barreiras de comunicação. As intervenções mais eficazes incluem treino contínuo, uso e fiscalização de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e EPCs (Equipamentos de Proteção Coletiva), planeamento seguro das atividades e promoção de uma cultura organizacional de segurança. Conclui-se que a prevenção de quedas exige uma abordagem integrada que vá além das normas técnicas, incorporando gestão eficiente, formação constante e compromisso coletivo com a segurança.
- Traços de personalidade, formação e perceção de risco: determinantes dos comportamentos de segurança no ambiente de trabalhoPublication . Coelho, Anne Mary Tavares; Sousa, Cátia Andreia Vera Veríssimo deA segurança no trabalho é um fenómeno complexo e multidimensional, influenciado por fatores individuais, cognitivos e contextuais. O presente estudo quantitativo teve como objetivo analisar de que forma os traços de personalidade (conscienciosidade, neuroticismo, propensão ao risco e procura de sensações), a perceção de risco e a formação em segurança influenciam os comportamentos de segurança no contexto laboral. A partir de um modelo teórico integrativo, foram examinadas relações diretas entre variáveis, bem como efeitos de mediação e de moderação. A amostra, obtida por conveniência, foi composta por 268 trabalhadores com idades entre os 18 e os 77 anos (M = 39.5; DP = 12.4), maioritariamente do género feminino (65.1%). Os resultados evidenciaram que a conscienciosidade prediz positivamente os comportamentos de segurança, enquanto o neuroticismo os influencia negativamente. A formação em segurança revelou-se um mediador significativo entre estes traços de personalidade e os comportamentos seguros, além de predizer diretamente a perceção de risco. Por outro lado, a propensão ao risco e a procura de sensações não apresentaram efeitos significativos, e a perceção de risco não moderou as relações entre personalidade e comportamentos de segurança. Estes resultados sublinham a relevância de integrar fatores individuais e formativos na promoção de comportamentos seguros no trabalho. São discutidas implicações práticas para a gestão da segurança organizacional, nomeadamente no desenho de programas de formação e na identificação de perfis de risco, bem como direções para investigação futura.
