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Literatura e filosofia: uma leitura dos romances de Gonçalo M. Tavares

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A presente dissertação reflecte a forma como os romances Um Homem: Klaus Klump, A Máquina de Joseph Walser e Jerusalém da autoria de Gonçalo M. Tavares medeiam a relação entre literatura e filosofia, nomeadamente com a doutrina niilista, e, ainda, o modo como as obras em causa reflectem a estética literária alusiva ao Holocausto. Numa componente teórica do nosso ensaio são explicitadas as características permissivas e impeditivas do encontro entre literatura e filosofia e discorre-se a filosofia niilista numa perspectiva cronológica e genealógica, onde se referem as várias formas que esta doutrina pode assumir. A estética holocaustiana é exposta com assento particular na óptica adorniana da impossibilidade da literatura lírica e ornamentada no pós-Holocusto. No intuito de comprovar a relação entre a componente teórica e os romances tavarianos, procedemos a uma secção de análise textual onde é adoptada toda uma terminologia filosófica que pretende explanar as matérias em causa com recurso a conceitos como vontade de poder, força, tirania, alienação, opressão, aniquilação ou nadificação. A ideia central da tese é apresentar uma literatura de preocupação filosófica, embora não engajada, que, acima de tudo, reflecte a contemporaneidade de uma perspectiva humana sem incorrer em qualquer tentativa de edificação de um discurso moral. Gonçalo M. Tavares remete a sua obra romanesca para o período do Holocausto sem, no entanto, proceder a qualquer embelezamento estilístico.

Descrição

Dissertação de mest., Literatura comparada, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade do Algarve, 2007

Palavras-chave

Literatura comparada Filosofia

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