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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A presente dissertação teve como âmbito de trabalho as bacias de retenção existentes na região do Algarve Estas bacias são importantes estruturas para a mitigação dos efeitos das cheias, tendo como propósito a gestão do escoamento de origem pluvial, reduzindo os valores de ponta causados nomeadamente pelas alterações nas condições de ocupação das bacias de drenagem, e evitando assim a degradação do meio recetor a jusante. As cheias são um fenómeno natural que não pode ser evitado, e que pode pôr em causa a segurança de pessoas e bens. Porém, é possível e desejável reduzir a sua perigosidade e consequências que lhes estão associadas.
A existência de cadastro contendo as características das bacias de retenção em operação possibilita, através da posterior monitorização do funcionamento das mesmas, aferir do seu real desempenho hidrológico e hidráulico, permitido estabelecer ou definir critérios de dimensionamento, construção e manutenção mais adequados no futuro. Os dados recolhidos possibilitam também desenvolver análises custo-benefício mais rigorosas para que se considerem, ou não, as bacias de retenção como medida de remediação válida em cenários de alteração do tecido urbano.
Na realização deste trabalho analisaram-se todos os processos de autorização e licenciamento entre 2005 e 2015 que potencialmente pudessem exigir a construção de bacias de retenção no Algarve. A não existência de uma figura de licenciamento específica para as bacias de retenção implicou a análise sumária de um vasto número de casos, concretamente, 403. No final desse trabalho, triaram-se 28 situações que contemplavam efetivamente bacias de retenção. A recolha de informação sobre estas bacias fez-se segundo os moldes de uma matriz multicritério elaborada para o efeito, que procurou caracterizar o essencial da informação de projeto e obra destas estruturas.
A dissertação teve assim por objetivo o estudo e caracterização das bacias de retenção existentes na região do Algarve. Quantas são, de que tipo, qual o rigor no seu dimensionamento e execução, quais as suas funcionalidades, o porquê de apesar de previstas em projeto ou em sede de licenciamento não terem sido executadas, quais os materiais e processos construtivos utilizados, entre outras, são questões para as quais se procurou dar resposta.
Da recolha de informação é claro um predomínio das bacias secas a céu aberto em termos de tipologia, sendo que na maioria dos casos os processos construtivos são relativamente simples, onde a mobilização de terras para modelação do terreno representa a maior parte dos trabalhos. O método mais comum em projeto para determinar o caudal de ponta é a Fórmula Racional. Em 35% dos casos o dimensionamento do volume das bacias de retenção não é descrito. Quando a informação existe, nota-se um peso significativo da utilização da fórmula que consta no Decreto Regulamentar n.º 23/95 para determinação do volume (29%). Somente em situações pontuais foram utilizados modelos de simulação hidrológica. A opção sobre o tipo de descarga recaiu quase sempre em descarregadores de soleira espessa (43%) ou orifícios (36%). Como a maioria das bacias sujeitas a licenciamento não foi construída, as conclusões que se poderiam retirar em relação à adequação do tipo de bacia ou forma de cálculo da mesma ficaram limitadas.
Descrição
Dissertação de mestrado, Engenharia Civil, Instituto Superior de Engenharia, Universidade do Algarve, 2017
Palavras-chave
Bacias de retenção Cheias Cadastro de infraestruturas Algarve
