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Propostas para uma ficção viva

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Resumo(s)

Em escrever é muito perigoso (2023), a escritora polonesa Olga Tokarczuk, ao falar sobre seu processo de criação, lembra-nos de que o mecanismo do tempo é carne (matéria viva) – e faz questão de colocar isso entre parênteses, como um aparte, um memo, para que não esqueçamos que afinal é este o assunto. Este número da rotura, que dedicou um Dossier ao pensamento ficcional e à urgência de refletir sobre a matéria viva da ficção, reuniu uma coleção de textos que contribuem com essa visão. Tokarczuk acredita que “só a ficção, com seu potencial para construir uma pessoa inteira, tem vantagem sobre os argumentos da razão”. Não discordamos da escritora e, neste Dossier, buscamos somar aos argumentos da razão a observação atenta de experiências – um feixe amplo delas – de diferentes gestos de ficcionar (entre o audiovisual, a poesia, a música, a performance, as artes visuais etc.), em estreito diálogo com os estudos dos processos de criação, como modos de resistir ao adormecimento dos sentidos e às histórias sem viço que a sociedade, cada dia mais automatizada, ofecere-nos. Compõem este acervo uma confluência de diferentes géneros textuais e artísticos, alguns deles a estrear, como o Relato de Processo e o Ensaio Visual, que se juntam a outros já recorrentes na revista, como o Artigo, o Ensaio, a Entrevista e a Crónica de Arte.

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Palavras-chave

Contexto Educativo

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Centro de Investigação em Artes e Comunicação

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