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Advisor(s)
Abstract(s)
Este estudo tem como propósito investigar de que modo os alunos utilizam uma
ferramenta tecnológica e reconhecem a sua utilidade na resolução de problemas de Matemática
quando são incentivados a escolherem o seu próprio método de resolução. A investigação envolveu
uma turma do 11º ano e foi conduzida desde Novembro de 2005 até Julho de 2006.
São objectivos deste estudo: (a) compreender o que leva os alunos a recorrerem ao uso das
tecnologias na actividade da resolução de problemas na aula de Matemática; (b) averiguar como se
reflecte na resolução de problemas e nos processos desenvolvidos pelos alunos a sua decisão de
recorrerem ou não a uma ferramenta tecnológica e (c) identificar as vantagens e desvantagens do
recurso às tecnologias, no processo de resolução de problemas.
Em consonância com os focos de investigação, seguiu-se uma metodologia de natureza
qualitativa, com recolha e análise de dados assente na leitura e interpretação de informação obtida
de diversas fontes: questionários, produtos emergentes do trabalho dos alunos, gravação em vídeo
de aulas, registos da observação participante da professora-investigadora.
O trabalho de campo na sala de aula foi dividido em duas etapas. Na 1ª Fase, todos os
alunos resolveram os problemas pelo método computacional, com o The Geometer’s Sketchpad, e
pelo método analítico, podendo utilizar a calculadora gráfica sempre que se justificasse; na Fase
Final os alunos podiam optar entre os dois métodos de resolução. Com base nos respectivos
desempenhos, foram seleccionados para serem entrevistados, quatro grupos que constituíram casos,
percorrendo o espectro desde o extremo dos “analíticos convictos” até ao dos “tecnológicos
convictos”.
O estudo permitiu formular um conjunto de conclusões. Assim, de acordo com os dados,
apesar do gosto e motivação que os alunos têm no trabalho com as tecnologias na resolução de
problemas, todos valorizam mais o método analítico. Acham-no mais exigente comparativamente
com os procedimentos a ter com o auxílio do computador. De certa forma, o computador é visto
como um facilitador e como um atalho, em determinadas etapas. No domínio da resolução de
problemas, nomeadamente no que diz respeito aos modelos conceptuais (como os de George Polya
e de Alan Schoenfeld), podemos considerar que a fase da compreensão é determinante em ambos os
métodos, enquanto que as duas fases seguintes, elaboração do plano e execução do plano, revelam
características distintas nos dois modos de resolução. Com o recurso ao computador, os alunos
oscilam regularmente entre a concepção de uma estratégia e a sua execução, pela capacidade de
experimentação que a ferramenta lhes oferece. Não é, assim, claramente marcada a separação entre
o delinear de uma acção e a sua execução, como acontece analiticamente. Apesar das diversas
preferências reveladas pelos alunos, todos consideram que o computador tem vantagens, entre as
quais destacam o poder de visualização, reconhecendo-lhe até importância para a resolução com
papel e lápis. Por último, tornou-se evidente a influência do computador no modo como a natureza
problemática da situação é sentida pelo aluno. O recurso ao computador altera o problema, podendo
simplificar ou embaraçar a procura da solução.
Este estudo permitiu perceber que é possível encontrar desafios estimulantes nos recursos
diários, como é o caso do manual escolar, bastando para isso um olhar diferente e motivado para a
utilização de uma determinada ferramenta tecnológica. Como recomendação final, é de referir a
importância de dar aos alunos espaço e tempo para irem ultrapassando obstáculos, mesmo que isso
possa parecer um desperdício. Certamente, este investimento acaba por produzir resultados
magníficos na aprendizagem dos alunos.
Description
Dissertação de mest., Matemática, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade do Algarve, 2007
Keywords
Teses Ensino Matemática Resolução de problemas Tecnologias Sketchpad Método computacional Método analítico Aula de matemática