A carregar...
18 resultados
Resultados da pesquisa
A mostrar 1 - 10 de 18
- Linking worlds: a theoretical reflection on some preconditions for ethnographic collaborations in personalized medicinePublication . Pinto da Costa, José CarlosPrecision, or personalized, medicine (PM) is a ground-breaking approach to medical care which aims to predict, prevent and treat diseases by studying, on an individual scale, the pathogenic potential of the association between genetic and environmental factors. As one of the most important outcomes of biotechnological research, PM is generated in the lab. Nonetheless, the impacts of PM will be observed outside of the lab, namely, on the modification of population’s patterns of use and access to healthcare. Taking PM as object of study, anthropologists are challenged to make a double reflection. The first consists in understanding which peculiarities an ethnography should have to grasp engineers’ and other experts’ underlying modes of knowing and doing inside de lab. The second, more analytical, consists in identifying the indicators revealed by that ethnography which may promote an interpretation of how these modes simultaneously mirror and resonate a given cultural will located both upstream and downstream the lab — from and to outside of it. The purpose of this paper is to reflect on the hypothesis stressing that an ethnographic collaboration might configure an effective way of doing this.
- Reimagining Portuguese digital healthcare: Future-makers’ insights and concernsPublication . Pinto da Costa, José CarlosHealthcare in Portugal is undergoing significant change, shaped by the ongoing integration of digital technologies and evolving expectations about care. This presentation explores how this transformation is taking place—not as a top-down directive, but through the day-to-day practices, decisions, and interactions of various actors embedded in the system. Through close engagement with professionals, designers, policymakers, and patients involved in digital health initiatives, the work traces how different logics, constraints, and aspirations come into play. Rather than presenting a singular vision of what healthcare should become, the focus is on mapping how diverse actors engage with, interpret, and respond to unfolding changes. These responses range from enthusiastic adoption to cautious experimentation or quiet resistance, and often involve navigating uncertainties, adapting existing roles, and reconfiguring routines. The presentation also looks at how future-oriented thinking—through prototypes, pilot programs, and strategic frameworks—is being used to test possibilities and explore alternatives. In these settings, speculation becomes a practical tool for managing complexity and making decisions in the present. By foregrounding the situated experiences and insights of those involved, this exploration sheds light on the multiplicity of healthcare futures currently in the making in Portugal. It highlights not a definitive path, but a dynamic process shaped by negotiation, context, and collective improvisation. Reimagining healthcare is not just about better tools—it’s about better futures
- A tradução do discurso global sobre a saúde digital para a realidade portuguesa - elementos para uma reflexãoPublication . Pinto da Costa, José CarlosA saúde digital, ou eHealth, consiste no uso das tecnologias de comunicação e informação em saúde e tem vindo a ser implementada um pouco por todo o mundo. Perpassando os diversos níveis de funcionamento dos sistemas de saúde, desde a reestruturação organizacional dos serviços até ao acesso dos utentes aos cuidados, a saúde digital apresenta-se como um elemento importante para atacar os problemas de sustentabilidade experimentados pelos sistemas públicos de saúde. Em Portugal, a implementação da saúde digital tem mesmo sido entendida como uma estratégia fundamental para a reforma do sistema de saúde, a qual foi recomendada no âmbito do programa de assistência económica e financeira que o Governo se comprometeu a cumprir e que esteve em vigor de 2011 a 2014. De instrumento técnico, a saúde digital passou a assumir a qualidade de instrumento económico-político. O objetivo deste ensaio é promover uma reflexão crítica sobre as assemblagens globais da saúde digital, partindo-se da caracterização da discursividade global sobre a saúde dos indivíduos e das populações associada às novas tecnologias de comunicação e informação e analisando-se as formas que a sua tradução tem vindo a assumir na realidade portuguesa. Em última análise, pretende-se perceber como o ecossistema da saúde digital está a ser coproduzido em Portugal e identificar os efeitos dessa coprodução no desenho do sistema de saúde e na reconfiguração dos comportamentos de procura de ajuda em saúde adotados pelos indivíduos e pelas populações.
- Localizar e intervir: Para uma etnografia das capacidades críticas no processo de implementação do modelo de cuidados de saúde baseados em valorPublication . Pinto da Costa, José CarlosO modelo dos cuidados de saúde baseados em valor (CSBV) é um instrumento que promete trazer eficiência ao sistema de saúde público nacional e a sua tão esperada sustentabilidade. O modelo redesenha toda a lógica de funcionamento do sistema, e propõe, como aspeto central, que os orçamentos sejam canalizados para as instituições que mais valor produzirem para o paciente. Para o efeito, o valor é entendido como a relação entre a qualidade dos cuidados recebidos pelo paciente e o dinheiro gasto para deles beneficiar. No presente artigo aborda-se o assunto da implementação do modelo CSBV partindo do argumento segundo o qual os desenhadores do modelo construíram este tendo em mente a conceptualização de “valor” com um significado que é mais fácil de compreender pela ótica do economista e dos stakeholders formais do que pela do paciente, tendo operado uma separação de sentido característica do processo de purificação discursiva da ciência moderna. O artigo acaba com a proposta de realização de uma etnografia das capacidades críticas durante o processo de implementação do modelo de cuidados de saúde baseados em valor em Portugal que poderá ajudar a fazer convergir os sentidos do valor que os stakeholders atribuem aos cuidados de saúde.
- Maldito contágio: Uma twitetnografia do confinamento provocado pela COVID-19Publication . Pinto da Costa, José CarlosNeste ensaio, proponho uma reflexão sobre os produtos da pandemia da COVID-19. Apoiando-me em depoimentos e expressões recolhidas durante uma etnografia que desenvolvi no Twitter, arrumei esses produtos em duas categorias: as teorizações sobre o SARS-CoV-2 e a subversão da estrutura. Recorrendo à teoria da classificação dos eventos, de Leonard Schatzman e Anselm Strauss, e aos conceitos de significante maior e de excesso, de Gilles Deleuze, e de communitas, de Victor Turner, identifiquei e articulei elementos construídos por diversos agentes para pensar e agir sobre a pandemia da COVID-19 e para exprimir os modos como o primeiro período de confinamento, decorrido em Portugal entre março e abril de 2020, foi vivido. Experienciando a sobreposição das suas rotinas e das datas especiais pela permanência do evento da pandemia, os participantes exprimiram as suas inquietações e os seus temores e foram sentindo e testemunhando a irreversibilidade da mudança do mundo devido ao contágio.
- Toward an ethnography of critical capacities about healthcare value for patientsPublication . Pinto da Costa, José CarlosThe implementation of value-based healthcare (VBHC) model promises to bring efficiency and sustainability to the national health systems. The model redraws the whole logic of the systems’ operability and proposes that budgets positively discriminate those institutions that most produce value for patients. For this purpose, the authors of the model understand 'value' as the relationship between the quality of care received by the patient and the money spent by him to benefit from healthcare services. In this article, I critically analyse the process of value standardization throughout the VBHC model implementations starting from the argument that the model is focused on conceptualization of 'value' that is more easily accepted by formal stakeholders than by patients. I further argue that such conceptualization reflects an epistemological cleavage which may be solved through an anthropological approach on value. The article ends proposing to carry out an ethnography on stakeholders’ critical capacities to map and eventually remap the boundaries that separate the diverse perceptions about what does it mean 'value for patients'.
- A autoetnografia como opção metodológica no estudo antropológico das situações de vulnerabilidade: exemplo de um caso de hipotiroidismoPublication . Pinto da Costa, José CarlosO antropólogo confronta-se, desde sempre, com a incapacidade de participar da condição das pessoas que vivem situações de vulnerabilidade, concretamente, devidas a problemas de saúde, ao sofrimento de situações de violência ou mesmo à experiência da clausura. Neste artigo argumenta-se que este ângulo morto da análise antropológica pode ser relativamente superado através de uma abordagem autoetnográfica. Descrevendo a sua experiência pessoal num caso de falência da função tiroideia, o autor fornece indicadores que poderão ajudar a analisar em profundidade as experiências das pessoas que vivem situações de vulnerabilidade.
- As Representações biomédicas da saúde e da doença tidas pelos enfermeiros no contexto multicultural da prestação de cuidados da UCCI da Santa Casa da Misericórdia de PortimãoPublication . ; Pinto da Costa, José CarlosEste trabalho resulta de uma investigação antropológica cuja finalidade consiste em encontrar a resposta para a pergunta: como é que os enfermeiros representam a saúde e a doença no contexto multicultural de prestação de cuidados da Unidade de Cuidados Continuados Integrados da Santa Casa da Misericórdia de Portimão? Para atingir este fim caracterizou-se o contexto multicultural da prestação de cuidados de enfermagem na Unidade e levantaram-se as representações que os enfermeiros possuem sobre a saúde e a doença, através de uma metodologia apoiada na observação participante e na realização de entrevistas semi-directivas aos enfermeiros. Observou-se que, apesar de acolher doentes estrangeiros, a Unidade não dispõe de qualquer forma de informação nos seus idiomas. As respostas dos enfermeiros às entrevistas mostraram que eles se apoiam na definição de saúde proposta em 1946 pela OMS para objectivarem a saúde e a doença, respectivamente, como bem-estar e como mal-estar. Desta definição, os enfermeiros reforçam a natureza orgânica da manifestação de doença, salientando a dimensão física do indivíduo em relação às psicológica e social. Este pendor traduz-se numa visão biomédica apoiada em constelações etiológico-terapêuticas que relevam a objectividade da doença e a centralidade do organismo como balizas para a interpretação da realidade do cuidado. Por força desta perspectiva, os enfermeiros têm tendência a olhar para o doente indistintamente, sem reconhecerem a diversidade psicológica e cultural das interpretações sobre a saúde e a doença. Daqui resulta que os enfermeiros não realizam um trabalho de adaptação do cuidado à nacionalidade dos doentes, impondo uma visão ética pretensamente universal às diferentes realidades émicas que encontram. Esta atitude traduz-se em desadequações ao nível do cuidado e da comunicação com os doentes, onde, a incompreensão da linguagem do doente estrangeiro e a presunção do consentimento emergem como principais problemas, que podem mesmo questionar a legitimidade do princípio de beneficência. Estes dados suportam o argumento de que as desadequações entre as representações da saúde e da doença tidas pelos enfermeiros e a multiculturalidade do contexto de prestação de cuidados da Unidade resultam da proximidade da enfermagem ao modelo biomédico, que interpreta a estrutura da realidade clínica como um cenário regulado pela objectividade e pelo reducionismo da vida à existência orgânica. Com efeito, os dados mostram que as representações da saúde e da doença tidas pelos enfermeiros são moldadas pelas instituições onde eles se fazem e se realizam e que são concebidas como lugares de produção da verdade absoluta, associando o saber à sua vontade de poder dentro de uma lógica de governalidade aparentemente exterior à biopolítica do Estado, transformando as suas políticas neoliberais multiculturalistas em práticas autoritárias assimilacionistas.
- O futuro como objeto de estudo antropológico: Ensaio sobre o caso da implementação da saúde digital em PortugalPublication . Pinto da Costa, José CarlosTradicionalmente, o foco dos estudos antropológicos tem colocado a ênfase nas tradições, nos costumes e no património cultural, muitas vezes descurando a ligação entre as ações presentes e as aspirações futuras. Reconhecendo a influência recíproca das ações presentes na modelação do futuro e o impacto das visões sobre o futuro na formação das ações presentes, este artigo procura contribuir para contrariar a negligência das implicações do futuro nas práticas sociais presentes denotada nos estudos antropológicos. Através de uma investigação sobre a implementação da saúde digital em Portugal, utilizando a análise de discurso e a reflexão crítica, este estudo ensaia a introdução de conceitos pertinentes à antropologia do futuro e propõe estratégias metodológicas para estudar o futuro no contexto presente. Invocando as principais linhas da filosofia do tempo histórico de Koselleck, explora-se a interação essencial entre as ações presentes e as suas consequências futuras, defendendo-se a introdução de uma abordagem antecipatória em antropologia. As estratégias metodológicas propostas partem da integração das imaginações do futuro na realização das práticas presentes, promovendo uma compreensão mais profunda das dinâmicas sociais e fomentando uma perspetiva orientada para o futuro. Esta perspetiva é particularmente valiosa para escrutinar as intrincadas economias políticas das promessas tecnocientíficas que impulsionam a inovação e marcam o espírito do nosso tempo. A análise, conduzida em três dimensões — utilização, reconfiguração e evolução do sistema de saúde através da digitalização — destaca a relação complexa entre as práticas de saúde atuais, as aspirações futuras e o impacto transformador da digitalização da saúde.
- One health e antropologia biológica: Uma perspetiva pós-fenomenológica sobre a co-constituição humanoambientePublication . Pinto da Costa, José CarlosNos últimos anos, a abordagem pós-fenomenológica tem destacado os efeitos recursivos das realizações humanas no devir humano. Esta perspetiva sublinha a primazia ontológica do envolvimento material na co-constituição do género humano e dos ambientes que o rodeiam, contestando a validade epistemológica da separação entre humanos e outros domínios biológicos e materiais. A consciência desta co-constituição esteve na origem do conceito One Health, criado pela Wildlife Conservation Society, que propõe uma abordagem interdisciplinar e intersectorial para prevenir doenças infeciosas e manter a integridade dos ecossistemas. Este conceito foi formalizado no quadro estratégico “Contributing to One World, One Health”, que visa reduzir a propagação de doenças no interface animal-humano-ambiente e mobiliza as principais organizações internacionais neste esforço. A partir da abordagem pós-fenomenológica de Don Ihde e Lambros Malafouris, esta comunicação propõe-se realizar uma leitura crítica dos doze princípios que sustentam o quadro estratégico One Health. O objetivo é avaliar as implicações destes princípios para a antropologia biológica e explorar como esta pode contribuir para a coprodução de soluções adaptativas e antecipatórias que mitiguem a desintegração dos ecossistemas e reduzam o risco de crises epidémicas.
