Browsing by Author "Fontes, Manuel da Costa"
Now showing 1 - 8 of 8
Results Per Page
Sort Options
- Afuera, afuera, Rodrigo: uma reinterpretaçãoPublication . Fontes, Manuel da CostaNo romance Afuera, afuera, Rodrigo, a infanta D. Urraca, do alto das muralhas de Zamora, ralha com o Cid por ele participar no cerco que o rei D. Sancho lhe tinha posto à cidade. Este romance tem sido interpretado como uma simples briga entre ex-amantes, mas a má reputação da princesa e a utilização de palavras cujo duplo sentido era corrente na época sugerem a possibilidade de outro significado. A princesa é colocada numa torre deliberamente sexualizada, visto que se trata duma “torre mocha” (sem espiral), lembra ao Cid que tinha ajudado a armá-lo “cavaleiro”, calçando-lhe as “esporas”, e acusa-o de se ter esquecido de que ela o amava, preferindo casar-se com Ximena Gómez. A versão de Timoneda intercala aqui dois versos que demonstram como estas palavras incomodam o herói, o qual responde à princesa que, se lhe parece bem, está pronto para desfazer o casamento, ou seja, para se deitar com ela. Urraca aceita logo a proposta. Na referida versão de Timoneda, o Cid, com grande angústia, manda aos homens do destacamento que o acompanha que se retirem imediatamente. Embora sem ferro na ponta, a seta disparada contra ele tinha-lhe trespassado o coração, de modo que não tinha remédio senão viver sempre “penado”. Por outras palavras, tinha necessidade urgente de ficar sozinho com a princesa (note-se que o termo “pena” era frequentemente usada com um sentido fálico).
- Alcoforado, Doralice Fernandes Xavier, e Maria del Rosário Suárez Albán, Romanceiro Ibérico na Bahia, Salvador-Bahia, Livraria Universitária, 1996, 279 pp.Publication . Fontes, Manuel da CostaEsta obra apresenta os romances recolhidos como parte do Projecto de Estudo e Pesquisa da Literatura Popular do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia, o qual segundo me explicou pessoalmente Doralice Fernandes Xavier Alcofarado em Aracaju, Sergipe, durante a 3ª. Jornada de Estudos Medievais realizada naquela cidade (Janeiro, 1998, reuniu, aliás, também uma riquíssima coleção de contos populares.
- Canções da gesta, romanceiro e pressupostos teóricos: um livro sobre D. GaifeirosPublication . Fontes, Manuel da CostaNum livro recente,Victor Millet, recorrendo a modernas teorias, propõe-se rever e actualizar velhas ideias referentes à canção de gesta germânica sobre Walther da Aquitânia e ao romance pan-ibérico de Gaifeiros e Melissenda.1 O livro consta duma introdução teórica(11-28), estudos da canção de Walther(31-96)e de Gaifeiros(97-207), e dum apêndice onde se juntam e organizam todas as versões conhecidas do romance(208-322), concluindo com uma extensa bibliografia(323-357) e um “Indice de autores y obras”(361-364). Como o autor se apoia em teoria, o livro situa-se na mesma linha, geralmente útil, que tem analizado o romanceiro desde um ponto de vista semiótico, socio-linguístico, antropológico e feminista.2 Embora se trate duma contribuição importante, um livro complexo e rico de ideias, é também um livro controverso, visto que o autor se baseia em postulados bastante frágeis, e ataca de maneira injusta e desnecessária a melhor crítica anterior.
- Diego Catalán, El archivo del romancero, Patrimonio de la Humanidad: historia documentada de um siglo de historia, Madrid, Fundación Menéndez Pidal - Seminario Menéndez Pidal, Universidad Complutense, 2001, 2 vols., 678 pp. + 431 ilustraçõesPublication . Fontes, Manuel da CostaEste magnífico livro é uma história pormenorizada, rica, íntima e carinhosa do grande arquivo romancístico fundado por Ramón Menéndez Pidal, e da sua continuação e ampliação sob a guia de Diego Catalán, neto e herdeiro intelectual do fundador. Ramón Menéndez Pidal (1869–1968), pai da Filologia Românica em Espanha, deixou uma vasta obra de carácter histórico, linguístico e literário que continua a ser um ponto de partida indispensável para quem se interesse pelo estudo da Idade Média Peninsular.
- A morte de D. Beltrão: as origens épicas, Garrett e a tradição brasileiraPublication . Fontes, Manuel da CostaNa Chanson de Roland (c. 1100), canção de gesta sobre a grande derrota da retaguarda do exército de Carlos Magno em Roncesvales, a 15 de Agosto de 778, o imperador faz um grande pranto ao encontrar o corpo do sobrinho, Roldão. A redacção espanhola dessa canção, Roncesvalles (séc. XIII), da qual sobrevive um fragmento de cem versos, adiciona um novo pranto, o do duque Aymon, perante o corpo de Reinaldos, seu filho. Isto corresponde ao romance da Morte de D. Beltrão, onde um pai parte à procura do filho que faltava entre os cavaleiros que o imperador tinha mandado contar,encontrando-o morto. Este romance, raríssimo em Espanha e entre os Sefarditas, continua a ser muito popular em Trás-os-Montes, graças à sua utilização como cantiga da segada. Na primeira versão moderna publicada (1851), Almeida Garrett modifica muito o texto tradicional. O romance português passou ao Brasil, tendo sido recolhido por Celso de Magalhães no Maranhão. Os dois fragmentos que publicou em 1873 são copiados de Garrett, talvez pelo facto de o investigador não ter à mão o seu caderno de recolha, visto que se encontrava em Sergipe. Embora o caderno se tenha perdido, O Famanaz, poema recolhido por Antônio Lopes em 1916, também no Maranhão, comprova que o velho romance se tinha de facto tradicionalizado no Brasil, que é o único país das Américas a conservá-lo, embora com modificações que o actualizam segundo o gosto moderno e o aclimatizam, transformando-o, assim, num poema essencialmente brasileiro.
- Uma nova versão do romance A morte do Rei D. FernandoPublication . Fontes, Manuel da CostaEm 1869, Teófilo Braga publicou um extraordinário romance da ilha de S. Jorge, Açores (Cantos , nº 4; reimpresso no seu Romanceiro Geral, I: 475-77), que terminava com versos de Doliente estaba e Morir os queredes, padre, dois velhos romances épicos que ainda não tinham sido descobertos na tradição oral. O poema começa com Silvana (“í-a”; vv. 1-34)romance em que o pai, que também é frequentemente rei, pede à filha para ela se deitar com ele. A moça queixa-se à mãe, que toma o seu lugar junto ao marido, fingindo ser Silvana. .
- Pressupostos teóricos: resposta a Victor MilletPublication . Fontes, Manuel da CostaComo escrevi no fim da minha recensão ao livro de Victor Millet, o seu trabalho “constitui uma contribuição importante para o estudo das relações entre a canção de Walther e o romance de Gaifeiros” (56).
- Sete novos romances da Ilha da MadeiraPublication . Fontes, Manuel da Costa; Fontes, Maria-João CâmaraEste artigo apresenta 7 das 54 versões de romances recolhidas por Maria-João Câmara Fontes em três aldeias madeirenses em Julho de 1990. Estas versões representam um total de 11 romances: 1. O Parto em Terras Alheias (trata-se da segunda versão deste romance descoberta na Madeira); 2. Frei João; 3. Bernal Francês + Claralinda + A Aparição; 4. Conde da Alemanha; 5. A Infanta Seduzida + Conde Alarcos + Flérida; 6. A Confissão de Nossa Senhora; 7. Vida de Freira. Cada texto é acompanhado por uma bibliografia das versões portuguesas publicadas, a qual inclui uma secção dedicada às versões recolhidas entre os emigrantes radicados na Nova Inglaterra, Califórnia e Canadá, a fim de destacar a sua importância. Quando apropriado, a bibliografia inclui também listas de versões brasileiras, galegas, castelhanas, catalãs, sefarditas, hispano-americanas e da tradição antiga (especialmente do século XVI). A última lista, que devemos ao trabalho de Samuel G. Armistead, proporciona uma correlação com as baladas pan-europeias.
