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Percorrer Faculdade de Ciências e Tecnologia por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "04:Educação de Qualidade"
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- A abordagem terapêutica na Perturbação do Espetro do AutismoPublication . Carvoeiras, Inês Martins; Serralheiro, Ana Isabel AzevedoA Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) é uma perturbação complexa do neurodesenvolvimento, que se caracteriza por défices na comunicação e na interação social e por comportamentos restritivos e repetitivos, que afetam de forma significativa a qualidade de vida dos indivíduos. De igual modo, é comum a presença de comorbilidades, sendo as mais frequentes, a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção, Ansiedade, Perturbação Obsessiva-compulsiva, Depressão, Alterações Comportamentais, Labilidade Emocional e Alterações do Sono. Até à data, a sua etiologia exata permanece desconhecida, sendo, no entanto, sugerido que esta perturbação seja resultado de uma interação complexa entre diversos fatores, principalmente, fatores genéticos e ambientais. Durante as últimas décadas, a literatura tem vindo a apontar para uma mudança alarmante no padrão epidemiológico da PEA, sendo observado globalmente um aumento da sua prevalência desde o século XXI. Posto isto, e dado que atualmente não existe cura para a PEA, o tratamento centra-se no controlo das manifestações clínicas, através de terapia que envolvam componentes terapêuticas e educativas, que assentem no treino de autonomia e de socialização, e no tratamento das comorbilidades mediante o uso de estimulantes do sistema nervoso central, antipsicóticos atípicos, antiepiléticos, antidepressivos e agonistas do recetor da melatonina.
- A infeção pelo HIV, a terapêutica farmacológica e o papel do farmacêutico no seu rastreio e prevençãoPublication . Palma, João Rafael Gonçalves Martins; Marques, Natália TomásA infeção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) continua a ser um problema global de saúde pública, exigindo estratégias terapêuticas eficazes e intervenções preventivas contínuas. Esta revisão bibliográfica teve como objetivo analisar a evolução da terapêutica farmacológica no tratamento da infeção por HIV, bem como destacar o papel do farmacêutico no rastreio, acompanhamento e prevenção da doença. Para tal, foi efetuada uma revisão bibliográfica sobre a relevância clinica da atual terapêutica na prática farmacêutica, para além do enquadramento feito sobre o modo de infeção do HIV e das características moleculares do virião. Os resultados evidenciam avanços significativos na terapia antirretroviral combinada, que permitiram limitar uma condição fatal associada ao HIV numa doença crónica controlável, aumentando a qualidade e a expectativa de vida dos pacientes. No entanto, desafios persistem, como a aceitação da terapêutica pelo organismo, os efeitos adversos e o surgimento de resistências à terapêutica convencional. Neste contexto, o farmacêutico destaca-se como um profissional-chave, não apenas no aconselhamento sobre a gestão da farmacoterapia, mas também no rastreio precoce, na educação em saúde e na promoção de medidas preventivas, como a profilaxia pré e pós-exposição. Conclui-se que o HIV, por apresentar uma elevada variabilidade genómica e por se construir como provirus nas células hospedeiras, constitui um grande desafio no desenvolvimento de uma terapia eficiente que elimine o vírus do corpo humano. A integração do farmacêutico em equipas multidisciplinares contribui de forma relevante para o controlo da infeção pelo HIV na população, reforçando a importância da sua atuação na prevenção e acompanhamento dos doentes. São necessárias estratégias inovadoras de intervenção farmacêutica, de modo a otimizar os resultados clínicos e reduzir a propagação da infeção.
- Abordagem farmacológica da doença de huntingtonPublication . Paquim, Diana Malho; Serralheiro, Ana IsabelA Doença de Huntington é uma doença neurodegenerativa autossómica dominante que resulta da expansão da repetição trinucleotídica CAG no gene huntingtina. Esta mutação conduz à produção da proteína huntingtina mutada cujo processo de folding é anómalo. A proteína acumula-se nos neurónios desencadeando processos de disfunção mitocondrial, excitotoxicidade, alterações na reparação do DNA, desregulação transcricional, comprometimento da autofagia e do sistema do proteossoma. Esta patologia manifesta-se clinicamente através de sintomas motores, cognitivos e psiquiátricos que vão piorando progressivamente. O diagnóstico baseia-se no histórico familiar, em testes genéticos e exames de imagem cerebral que permitem a deteção de alterações estruturais e funcionais anteriores ao desenvolvimento dos sintomas. Apesar de não existir um tratamento curativo, existe uma grande diversidade farmacológica que permite um controlo sintomático através de, por exemplo, inibidores do transportador vesicular de monoamina 2 (ex.: tetrabenazina), antipsicóticos, antidepressivos e moduladores dos recetores de glutamato. A abordagem farmacológica deve ser complementada com medidas não farmacológicas como, fisioterapia, terapia ocupacional e terapia da fala para promover a qualidade de vida do doente. Nos últimos anos, têm sido estudadas novas estratégias terapêuticas como oligonucleótidos antissentido, RNA de interferência, edição genética, terapia celular e anticorpos monoclonais que demonstraram potencial no atraso da progressão da doença e, possivelmente, na modificação do seu curso natural. Esta dissertação apresenta uma revisão abrangente da fisiopatologia, diagnóstico, terapêutica atual e perspetivas terapêuticas futuras, salientando a importância da investigação e dos ensaios clínicos em curso para o desenvolvimento de tratamentos modificadores da doença.
- Abordagens químio-terapêuticas para neoplasias pancreáticasPublication . Francisco, Bernardo Miguel Vieira; Cristiano, Maria de Lurdes dos SantosAs neoplasias pancreáticas estão entre as neoplasias mais desafiantes do ponto de vista clínico, sendo o adenocarcinoma ductal pancreático (ADP) a sua forma mais prevalente e agressiva. A abordagem terapêutica depende essencialmente da localização e do estádio do tumor. Nos casos em que a neoplasia se encontra na região da cabeça do pâncreas, o procedimento cirúrgico de eleição é a pancreatoduodenectomia (procedimento de Whipple). Já quando o tumor está localizado no corpo ou na cauda pancreática, a opção preferencial é a pancreatectomia distal. Estas abordagens cirúrgicas constituem a única possibilidade de cura, embora apenas uma pequena percentagem de doentes seja diagnosticada em fase ressecável. Perante este cenário, a quimioterapia assume um papel central, tanto em contexto adjuvante como paliativo. Um dos principais esquemas utilizados é o FOLFIRINOX, uma combinação de 5-fluorouracilo, leucovorina, irinotecano e oxaliplatina, que tem demonstrado maior eficácia em termos de sobrevivência global, embora associada a toxicidade relevante. Outra opção é a associação de gemcitabina com nab-paclitaxel, que apresenta bons resultados clínicos, sobretudo em doentes não candidatos ao FOLFIRINOX. Neste contexto, a investigação de novas abordagens terapêuticas é essencial. As terapias-alvo têm surgido como uma abordagem promissora, permitindo uma maior seletividade e redução da toxicidade. Paralelamente, a imunoterapia tem ganho destaque, explorando o papel do sistema imunitário no reconhecimento e destruição das células tumorais. Assim, esta dissertação tem como objetivo analisar em detalhe o ADP, explorando as opções terapêuticas atualmente disponíveis, os seus mecanismos de ação, eficácia e limitações, bem como perspetivar potenciais avanços no tratamento através de terapias-alvo e imunoterapia.
- Abordagens terapêuticas na doença de Parkinson: intervenção do farmacêuticoPublication . Baião, Jéssica Sofia Rodrigues; Matos, Carlos Adriano Albuquerque Andrade deA doença de Parkinson (DP) é uma patologia neurodegenerativa, de origem idiopática que afeta o sistema nervoso central, conduzindo a uma deficiência do neurotransmissor dopamina e a uma deposição/acumulação da proteína ɑ-sinucleína no tecido nervoso. Trata-se de uma doença de progressão lenta, que se pode manifestar através de sintomas motores (bradicinesia, rigidez, tremor de repouso, instabilidade postural) e não motores (depressão, distúrbios do sono, incontinência). O número de casos de parkinsonismo tem vindo a aumentar significativamente ao longo dos anos, sobretudo nos países mais desenvolvidos. A sua epidemiologia varia consoante a localização geográfica, sendo que na Europa estima-se que o número de casos esteja entre os 257 a 1400 doentes por 100 mil habitantes. A presente dissertação tem como objetivos caracterizar a DP, a sua fisiopatologia e epidemiologia, identificar as especificidades dos fármacos utilizados nesta patologia, explorar superficialmente as abordagens não farmacológicas e entender de que forma é que o farmacêutico pode intervir nestes casos, contribuindo para um aumento da qualidade de vida dos doentes. Nos indivíduos diagnosticados com DP, a abordagem terapêutica baseia-se essencialmente na reposição farmacológica dos níveis de dopamina ou na estimulação direta dos recetores dopaminérgicos. No entanto, o uso prolongado destes fármacos tende a perder eficácia. Em fases mais avançadas da doença, as opções terapêuticas eficazes são limitadas e, até ao momento, não existe tratamento capaz de impedir ou retardar o processo neurodegenerativo. Assim, a intervenção do farmacêutico na terapêutica da DP assume uma enorme importância, de forma a garantir que o plano terapêutico está a ser cumprido, avaliando a adesão à terapêutica e a eficácia do tratamento.
- Administração de Fármacos do Nariz para o Cérebro e sua Aplicação na Doença de AlzheimerPublication . Silvestre, Margarida Domingos; Grenha, Ana Margarida MoutinhoHá algumas décadas, a esperança média de vida era cerca de metade da atual, devido às condições precárias em que as populações viviam. Com a evolução da ciência, esta tem aumentado de década para década. O facto de as populações viverem por mais tempo é bastante positivo, mas trouxe também o incremento das doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento natural. Estas doenças afetam as células nervosas cerebrais e, apesar de todo o avanço tecnológico, o cérebro é ainda uma área por explorar. A Doença de Alzheimer é um dos exemplos de doenças neurodegenerativas, sendo a mais prevalente a nível mundial. Crê-se que o seu mecanismo fisiopatológico tenha por base a acumulação de dois tipos de proteínas: a proteína β-amilóide e a proteína tau hiperfosforilada. Não existe atualmente tratamento curativo para esta doença, sendo que a terapêutica disponível tem apenas como finalidade atenuar a sintomatologia inerente à degradação neuronal. Parte da problemática da terapêutica existente prende-se com a via de administração, uma vez que os fármacos administrados por via oral sofrem efeito de primeira passagem, o que resulta na diminuição da sua biodisponibilidade. Além disso, alcançar os locais alvo, localizados no cérebro, requer atravessar a barreira hematoencefálica, o que só é possível com determinadas caraterísticas físico-químicas, como o reduzido tamanho e o equilíbrio entre a lipofilia e a hidrofobia de determinado composto. Surge assim a necessidade de desenvolver novas estratégias de tratamento que ultrapassem estas limitações. Neste contexto, a administração direta de fármacos do nariz para o cérebro emerge como uma solução bastante promissora. Esta abordagem pressupõe a administração de fármacos por via intranasal, uma vez que é a única via que possibilita a condução direta do fármaco até ao cérebro. Esta condução é possibilitada pelos nervos cranianos, o trigémeo e o olfativo, e pela absorção facilitada na mucosa nasal. Neste contexto, a presente dissertação consiste na revisão bibliográfica de estratégias relacionadas com a administração direta de fármacos da cavidade nasal para o cérebro no âmbito do tratamento da Doença de Alzheimer. Serão focadas em particular técnicas de encapsulação em sistemas lipídicos, e a sua posterior administração pela via nasal, mitigando questões associadas ao efeito sistémico e à barreira hematoencefálica.
- Alterações nos perfis de expressão de microRNAs em resposta ao tratamento cirúrgico da obesidadePublication . Viegas, Sara Dias; Coelho, Ana Luísa de SousaA obesidade é um grave problema de saúde pública. Embora existam diversos tratamentos, incluindo os farmacológicos, a cirurgia bariátrica (CB) é reconhecida como a maneira mais eficaz de perder uma quantidade significativa de peso de forma sustentada, e de ver uma melhoria em várias comorbidades relacionadas. Os microRNA (miRNAs) têm uma função crucial na regulação pós-transcricional da expressão de vários genes importantes em diversos processos biológicos e patológicos. Estes apresentam uma boa estabilidade e especificidade sendo por isso bons potenciais biomarcadores. Parece ser útil perceber se estes poderão ser biomarcadores preditivos de melhores resultados da CB e se havendo alterações nos seus níveis do período pré-cirúrgico para o pós-cirúrgico, estarão estes implicados neste processo, e portanto, poderão ser tanto potenciais moléculas terapêuticas ou alvos terapêuticos, para o tratamento da obesidade. Deste modo, com esta monografia pretendeu-se realizar uma revisão do tipo scoping review segundo as diretrizes PRISMA-ScR tendo como objeto de estudo a bibliografia existente nas bases de dados Pubmed, Web Of Science e Scopus, de forma a identificar os miRNAs que estão a ser estudados pela sua relação à cirurgia bariátrica e as possíveis alterações nos miRNAs após cirurgia. A pesquisa inicial resultou num total de 132 artigos, após a triagem dos mesmos a revisão baseou-se em 29 artigos para análise dos metadados, população e amostragem, dos quais 21 foram analisados quanto às alterações observadas nos diferentes miRNAs circulantes. Verificou-se que um total de 156 miRNAs com a expressão alterada, sendo os miRNA-122, miRNA-21 e miRNA-148a os que se encontravam alterados em mais artigos. Concluiu-se que vários miRNAs sofrem alteração após CB, pelo que estes poderão ser utilizados como biomarcadores ou considerados potenciais alvos terapêuticos, ainda que tenham que ser realizados mais estudos para esclarecer algumas das inconsistências encontradas.
- Angina de peito: revisão bibliográfica da abordagem diagnósticaPublication . Marta, Susana Sofia Évora; Júlio, Isabel; Serralheiro, AnaA “dor no peito” é uma das principais queixas mais comuns tanto no serviço de urgência quanto nos serviços de cuidados primários. Estima-se que 20% a 40% da população em geral sofrerá de dor no peito em algum momento da sua vida. Alguns autores referem que a prevalência da angina de peito nos países desenvolvidos encontra-se entre 2% a 7%. A angina de peito resulta de isquemia miocárdica, sendo uma preocupação clínica primária em doentes que apresentam sintomas torácicos. A isquemia miocárdica ocorre através de um desequilíbrio entre as necessidades e o aporte de oxigénio ao miocárdio, resultando em um aporte insuficiente de oxigénio para atender às necessidades metabólicas do coração. A causa mais comum da angina de peito é a doença arterial coronária, a qual poderá ocorrer com obstrução das artérias coronárias ou sem obstrução das artérias coronárias. Uma abordagem centrada no indivíduo, combinando estratégias farmacológicas, interventivas e de estilo de vida, é essencial para a gestão da angina, redução do risco cardiovascular e melhoria da qualidade de vida O tempo é crucial na gestão da síndrome coronária aguda e a fatalidade subsequente pode ser significativamente diminuída com a confirmação rápida do diagnóstico deste quadro clínico e da abordagem terapêutica de acordo com as guidelines estabelecidas. Os exames de diagnóstico são morosos e as troponinas cardíacas, por vezes, não são consideradas fidedignas, pois os seus níveis aumentam apenas cerca de três horas após o início dos sintomas. Daí a importância de que novos biomarcadores, com maior sensibilidade e especificidade, devam ser identificados para auxiliarem no diagnóstico rápido e precoce. Apesar de ainda não existirem biomarcadores de referência para a deteção específica de angina de peito, os biomarcadores citados parecem ser promissores. Será necessário desenvolver novos estudos para validar e confirmar esses resultados.
- Ansiedade nos jovens adultos: farmacoterapia e revisão bibliográficaPublication . Sousa, Mariana de Jesus; Conceição, Jaime Manuel Guedes Morais daNa Antiguidade, os filósofos abordavam estados emocionais como a ansiedade, conectando-os a traços morais, sem considerá-la como uma patologia. No século XIX, a ansiedade foi identificada como uma condição patológica distinta, com Sigmund Freud destacando-a como uma síndrome independente, precursora dos transtornos modernos. Em 2019, a prevalência global de transtornos de ansiedade foi de 4,05%, refletindo um aumento significativo desde 1990. A pandemia de COVID-19 exacerbou este problema, elevando os casos de ansiedade devido às adversidades e medidas de quarentena. A ansiedade em níveis ligeiros/moderados pode ter benefícios, no entanto, quando elevada, reflete um estado de alerta diante de uma ameaça iminente. É caracterizada por preocupações excessivas e persistentes podendo manifestar sintomas físicos e psicológicos, como sudorese, taquicardia e tremores devido à ativação do sistema nervoso simpático. O diagnóstico da ansiedade é realizado por meio de métodos como questionários padronizados para avaliar o estado mental e o nível de ansiedade, como o GAD-7 e o DASS-21. O tratamento varia conforme a intensidade da ansiedade e pode envolver terapia cognitivo-comportamental e farmacológica. É crucial distinguir entre ansiedade ligeira e transtornos de ansiedade, que são persistentes e incapacitantes. O farmacêutico desempenha um papel vital na saúde pública, frequentemente atuando como o principal ponto de acesso e último contato dos pacientes nos serviços de saúde, oferecendo orientações cruciais acerca da utilização de medicamentos, como posologia e efeitos indesejáveis. Concluindo, a ansiedade, anteriormente vista como uma característica emocional, é hoje reconhecida como uma condição patológica com grande impacto na saúde global. O aumento dos transtornos de ansiedade exige abordagens terapêuticas eficazes. Nesse contexto, o farmacêutico desempenha um papel crucial, orientando o uso adequado de medicamentos e ajudando a identificar sinais de alerta.
- Antibody-drug conjugates: a comprehensive review on their chemical properties and pharmacotherapeutic usesPublication . Augusto, André Filipe Domingues; Conceição, Jaime Manuel Guedes Morais da; Cristiano, Maria de Lurdes dos SantosA farmacoterapia direcionada não é um conceito que tenha sido desenvolvido nos últimos anos. De facto, esta preocupação já tinha sido tomada em conta há mais de um século atrás pelo médico e cientista alemão Paul Ehrlich que apresentou a sua teoria assente no conceito de “balas mágicas”, isto é, compostos químicos capazes de tratar certas doenças sem provocar efeitos indesejáveis consideráveis nos seus utilizadores. Ao longo do tempo esta teoria foi ganhando cada vez mais popularidade na comunidade científica e entre as autoridades regulamentares dos medicamentos, dando origem aos conceitos de segurança e eficácia, que atualmente são requisitos obrigatórios para a aprovação e comercialização de qualquer medicamento no mercado. Embora existam doenças em que é relativamente fácil obter-se novos medicamentos que são igualmente seguros e eficazes, para certos tipos de patologias mais complexas, como o caso cancro, o equilíbrio entre estes dois atributos do medicamento nem sempre é facilmente alcançado. O exemplo mais claro desse desequilíbrio entre segurança e eficácia é a quimioterapia, que utiliza fármacos altamente eficazes/efetivos contra o crescimento das células tumorais, estando também frequentemente associada a episódios de toxicidade que, por vezes, podem obrigar os utentes a suspender os seus tratamentos, mesmo sem a doença estar controlada. Por outro lado, a imunoterapia, especialmente através do uso de anticorpos monoclonais (mAbs), apresenta um perfil toxicológico mais favorável do que a quimioterapia, mas está associada a falhas terapêuticas resultantes do desenvolvimento de resistências aos tratamentos por partes das células tumorais. Como forma de ultrapassar as limitações associadas aos tratamentos anteriormente mencionados, foi proposta a criação e a utilização de conjugados anticorpo-fármaco [do inglês, antibody-drug conjugates (ADC)], uma abordagem inovadora que visa aproveitar a seletividade que os mAbs possuem para os seus alvos terapêuticos, para direcionar a administração ou a libertação de fármacos altamente citotóxicos nos locais de ação, permitindo alcançar um bom sucesso terapêutico sem comprometer o bem-estar dos utentes. No que diz respeito à sua composição, os ADC são moléculas híbridas constituídas por um anticorpo e por um número definido de agentes citotóxicos (ou cargas citotóxicas), estando os componentes individuais unidos por um grupo de ligação (linker) que se liga covalentemente a cada dos componentes para formar o conjugado híbrido. Assim, os ADC são constituídos por pelo menos três componentes, cada um deles com as suas caraterísticas e propriedades únicas. Relativamente à porção anticorpo, esta constitui a componente de maior peso molecular da estrutura molecular de cada ADC e é responsável por se ligar a recetores de membrana que, idealmente, apenas estão presentes nas células tumorais ou que, pelo menos, se encontram mais presentes na superfície das células tumorais do que na superfície das células saudáveis. Além disso, o anticorpo também é responsável por induzir a ativação do sistema imunitário contra as células tumorais através de processos de citotoxicidade e fagocitose celular dependentes de anticorpo e, ainda, de citotoxicidade dependente do sistema de complemento. Em referência à carga citotóxica, esta é a espécie farmacologicamente ativa que, após ser libertada no citoplasma, irá provocar a morte das células tumorais através do seu mecanismo de ação, que pode incluir a inibição da mitose, causar danos diretos ao nível do material genético ou provocar danos indiretos por inibição da topoisomerase do tipo I. O grupo de ligação, para além de ser responsável por conjugar a carga citotóxica à porção anticorpo, é também responsável por induzir a libertação da mesma quando entra em contacto com estímulos que, normalmente, apenas estão presentes dentro das células tumorais, ou nos microambientes tumorais que alojam estas células. Em relação ao mecanismo de ação, primeiro é necessário que a porção anticorpo interaja com o recetor de membrana com que é complementar. Quando esta interação ocorre, há um mecanismo de sinalização que induz a célula a internalizar o complexo formado, para ser posteriormente degradado pelas enzimas lisossomais, nas condições acídicas normalmente presentes nos (endo)lisossomas. Embora este mecanismo de degradação conduza geralmente à completa digestão de vários tipos de biomoléculas, o mesmo não se verifica com a carga citotóxica, que durante este passo é libertada do anticorpo. Dentro do citoplasma da célula tumoral, a carga citotóxica interage rapidamente com os seus alvos intracelulares, exercendo o seu mecanismo de ação e induzindo processos que conduzem à morte da célula-alvo. Apesar das suas caraterísticas muito promissoras e evidência já recolhida, os ADC apresentam algumas limitações que devem ser tidas em conta durante o seu desenvolvimento. Uma limitação é a toxicidade que, embora sendo menor do que a exibida pela quimioterapia clássica, resulta maioritariamente da captação não específica destas entidades moleculares por parte de células saudáveis, ou da libertação espontânea da carga citotóxica quando ainda se encontra em circulação. Outra limitação é a suscetibilidade aos mecanismos de resistência desenvolvidos pelas células tumorais, tal como é observado com os mAbs. Têm sido desenvolvidas estratégias estudadas para mitigar estas limitações associadas ao uso farmacoterapêutico dos ADC, como por exemplo: i) melhorar a estabilidade dos grupos funcionais que garantem a ligação entre as componentes do conjugado nas condições químicas e biológicas do plasma sanguíneo, mas ao mesmo tempo garantindo a sua rápida degradação quando encontra um estímulo que, idealmente, apenas está presente nas células tumorais; ii) utilizar fragmentos de anticorpo mais pequenos, mas com capacidade para reconhecer igualmente os recetores de membrana; iii) usar um anticorpo bi-específico, capaz de induzir uma forte resposta imunológica e que seja seletivo para o alvo terapêutico crítico para a sobrevivência das células tumorais; iv) controlar a hidrofobicidade das cargas citotóxicas, pois a hidrofobicidade está frequentemente associada a perda de estabilidade; e v) otimizar a estratégia de conjugação a fim de garantir a máxima eficácia e segurança. Apesar das suas limitações, os ADC conduziram a grandes avanços ao nível do tratamento de vários tipos de cancros, incluindo aqueles em estádios muito avançados. A título de exemplo, refere-se o Sacituzumab govitecano, que é usado no tratamento do cancro da mama triplo-negativo irressecável ou metastático. De facto, o sucesso dos ADC na área oncológica suscitou um interesse significativo na utilização deste tipo de medicamentos para tratamento de outras patologias, nomeadamente em doenças inflamatórias (incluindo as autoimunes) e em doenças infeciosas (como infeções graves causadas por Staphylococcus aureus resistente à meticilina). Com base nas considerações anteriores, o principal objetivo da presente Dissertação é fornecer uma revisão abrangente dos ADC, destacando as suas propriedades químicas e utilizações farmacoterapêuticas. Além disso, é apresentada uma análise crítica desta classe de medicamentos, abordando os principais desafios terapêuticos e as perspetivas futuras, com base na literatura científica disponível.
